Sejam bem-vindos ao outro lado do espelho, onde tudo pode acontecer (e acontece).

Wonderlando é um blog sobre textos diversos, descobrimentos e crescimento. A filosofia gira em torno do acaso, misturando fantasia e realidade de dois amigos que se conheceram também por acaso, Alice - que tem um país só seu -, e Yuri - chapeleiro e maluco nas horas vagas.

Leia, comente e volte sempre... Ou faça como a gente e não saia nunca mais.

16 de setembro de 2009

Esperança




A solidão é algo desesperador para mim. É ela quem me diz quem eu sou e me faz enfrentar a mim mesmo e só. Eu não sou capaz de me enfrentar, eu sou mais forte do que eu, e o meu eu é mais pesado e mais inteligente do que eu jamais serei.

Eu me sinto como um filme estrangeiro sem legenda, um simbolista surreal sem nexo, sem sentido, que espalha dores e amores por aí sem saber o que está fazendo. Mas ele sabe... Quer dizer, eu sei.

Quando eu me encontrei sozinho, percebi que precisava me mudar como pessoa. Por um lado, eu sou uma pessoa melhor, por outro, me tornei perigoso. De certo modo, eu sinto como se não tivesse nada a perder. Quando eu me tornei ciente disso, percebi que quando se encontra alguém importante de novo, se tem muito mais a perder e me seguro nisso desesperadamente e tento não foder tudo, porque caso contrário, a vida não teria mais valor para viver. E nada vale a pena. E isso é perigoso, isso é foda. E me sinto cada vez mais triste, tentando me segurar e escorar em pessoas, lugares e idéias... Mas sem sucesso.

Essa é a resposta quando me perguntam por que não consigo ficar sozinho. Eu adoro ter meu espaço, ser sozinho, mas solidão é foda. E me sinto cada vez mais triste e medroso, porque sinto o perigo disso a cada respirar. Uma hora para, e tudo acaba.

O que me conforta é saber que no Inferno encontrarei um monte igual a mim. E essa é a minha esperança para o fim da solidão.

11 de setembro de 2009

Idiota

Eu odeio ser feita de idiota. É a coisa que mais temo. Seja em qualquer situação. Desde o colégio, na 4a série, com aquelas brincadeiras lamentáveis de esconder as coisas dos outros... ainda mais o meu estojo de cachorro. Fora que eu sou muito protetora das minhas coisas, territorial, odeio que invadam meu espaço. [Lembremos do puff].

Enfim, escondiam meu estojo. E eu chorava. Era uma criança, oras. Odeio ser feita de idiota. Quando as pessoas falam de mim, como se eu não ouvisse. Quando tentam me pregar peças. Quando são mais inteligentes do que eu. Quando eu passo vergonha. Quando eu acredito em mentiras.

Estou me sentindo uma idiota. Escondem-me coisas, palavras, sentimentos, vestem uma carcaça como se eu não fosse perceber a farsa. E o que é realidade? Lembro do cego que abriu meus olhos, mas aquilo foi engraçado. Isso é ridículo. Sou feita de idiota. Questiono a mim mesma! Questiono o que sei, o que achava que sabia sobre os outros. Às vezes sobre mim, mas não é o caso agora. Estes foram questionamentos positivos que levaram a boas revelações. Quando questiono aqueles que mais conheço, perco meu chão. Aonde foi minha realidade? Aonde se escondeu meu conhecimento?

Sinto uma raiva crescente, quanto mais reflito sobre "ser ou não ser... idiota".
Vou parar e respirar. Mas nada que vá aliviar.

Notas Chacotas


A proposta é fazer das postagens deste mês as mais sinceras e não fictícias possíveis. Esse é um caderninho que passou um tempo comigo. Ele é de uma amiga minha e a proposta era eu escrever o que estivesse na minha cabeça naquela hora, autoral, viceral, crua, sem pensar. Divirtam-se.



::DEP::

9 de setembro de 2009

Esquecidão

Às vezes eu esqueço que estou vivo. Me esqueço de respirar, de comer, sentir... Às vezes fico tanto tempo sem conversar que esqueço de articular as palavras e fico sem saber como dizer, como se tivesse algo a dizer. São só frases soltas bem ensaiadas para disfarçar minha exclusão. E aos poucos, algumas pessoas próximas vão percebendo que não faço falta. E acabo me convencendo do mesmo.

Você se torna um viciado em drogas por não ter nenhuma motivação forte e verdadeira em qualquer outro sentido. A vantagem é que quando você para de crescer, começa a morrer. E um viciado nunca para de crescer. A maioria dos usuários dão um tempo periodicamente, encolhendo o organismo e substituindo as células dependentes da droga. E fica nesse vai e volta infernal. Meu corpo é infinito até o fim.

Eu sou um enganador, sempre inventando festas e eventos e amigos a fim de querer provar para mim mesmo que isso é verdade. Mal sabem que quando ponho o corpo na rua, a única coisa que me espera é a ponta de uma agulha, um adesivo de ácido, gotas de láudano, pó. E esqueço o quanto dessas situações inventadas são mentiras e verdades. Talvez eu tenha vivido nada disso, mas já me perdi em tantas histórias que acabo acreditando em todas.

E vou me esquecendo de quem eu sou,
quem tu é és
quem nós somos


[Ele eu nem conheço, se conheço, esqueci.]



31 de agosto de 2009

Asylum

Quando a escuridão alcança meus olhos da mesma forma que a penumbra da noite está para o dia, tudo é mais seguro. Tem sempre um jeito para esquecermos quando encontramos o caminho certo. Tem coisas que fiz e disse que jamais faria. Eu vi meus pesadelos se tornando realidade e infectando minha alma doente. Medos que eu nunca acreditei que seriam possíveis. A esperança é tão pequena e tão tardia, eu sinto que quanto mais eu cresço, mais eu odeio. Quanto mais eu fico aqui, mais eu desapareço.

Na neblina da serenidade foi onde tudo se perdeu. As flores da ingenuidade pegaram fogo nos jardins do Éden. No meio ao fracasso e geadas, eu sinto o cheiro do nascer do Sol. Às vezes fica tudo tão claro, e eu me lembro.

Eu pensei que tinha tudo, mas era blefe. Descobri que a pele das pessoas não são densas o suficiente quando a navalha deslizou suavemente sobre os doces sorrisos de cera. Então eu desejei, na minha fraqueza, voltar e deixar tudo como era antes, quando eu não me sentia sozinho e não encarava a realidade.

Eu pensei que eu tinha perdido tudo, até perder muito mais.

A devoção de um tolo engolida por um espaço vazio que me faz chorar lágrimas de pesar e congelam meu rosto, tornando-me inexpressivo. Eu fiz tudo o que eu podia fazer. Alguém, por favor, pode me tirar daqui?

30 de agosto de 2009

Contagem

Não era para eu estar aqui22. Mas agora que estou, penso em ficar, mas sem abandonar o sair. 21Talvez mais um ano, mais dois ou dez, quem sabe?20Quem sabe eu não tento um caminho diferente, procurando ser mais sincero comigo mesmo e agradecendo por respirar e estar vivo mais um dia...19 Ok, sem forçar.

M1a8s vou tentar não pensar (tanto) nisso. Talvez até arrisque planejar um futuro 17. Pra ser bem sincero, 16, eu não pensei que fosse estar aqui. Tipo, 22, quando era pra ser só 21. 15. Aí agora eu não sei.
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Talvez faça aquela viagem que sempre quis 13 Olha, é um pensamento para 2011, e a viagem vai ser de um ou dois anos. 12Quanto tempo! É algo que eu realmente quero fazer. Só que o que me confunde é que, se algo acontecer e me impedir de ir, eu não vou me importar. [dez]. Então não sei, acho que nada realmente me motiva9. Eu só ouço os gritos de 8VIVA, mas por quê?, pra quê?. Estes gritos não me oferecem nada7. A não ser a estrada, essa sim. 6

Viver por ela, talvez, eu quero, juro que sim!5 E estou fazendo o possível, porém entenda o quão difícil é pra mim. 4 Eu não sei quanto tempo vai durar esse pensamento3. Eu quero ser eterno. E percebi que para isso é preciso viver. 2Eu tento, mas não sei o quanto eu aguento. 1. Caso aconteça algo com a carne, não deixe minhas palavras ao léu

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24 de agosto de 2009

About a Boy

Sinto sua falta. Um amigo perdido entre tantos outros, eu sou o que você menos conheceu. Mas eu te conheci muito bem. Eu também me sinto muito sozinho. E te guardo no meu lugar especial. Foi tudo tão cedo, eu tinha sete anos, mal sabia que a vida era uma merda. Mas você já, e me adiantou muito bem tudo isso.

27 anos para você. Quantos eu irei durar?, é o que eu me pergunto todo dia. Será que essa merda nunca vai acabar? 22 aniversários, e nenhum deles foi o meu dia. Todo dia eu acordo com o travesseiro úmido de lágrimas. 22 lágrimas para me fazer sofrer. Outras 27 por você.
Eu nunca senti tanta falta de alguém que não conheci.

É só saudade. Só. Como se eu dissesse isso diminuisse ou mudasse alguma coisa.
Meu amigo, um dia nos encontraremos.



"It's better to burn out than to fade away"