Sejam bem-vindos ao outro lado do espelho, onde tudo pode acontecer (e acontece).

Wonderlando é um blog sobre textos diversos, descobrimentos e crescimento. A filosofia gira em torno do acaso, misturando fantasia e realidade de dois amigos que se conheceram também por acaso, Alice - que tem um país só seu -, e Yuri - chapeleiro e maluco nas horas vagas.

Leia, comente e volte sempre... Ou faça como a gente e não saia nunca mais.
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30 de outubro de 2011




NÃO GOSTO

NÃO TOCO

NÃO VEJO

NÃO SINTO

SÓ MUITO

SÓ MINTO

E MINTO

COMO


UM BOM SANTO

3 de agosto de 2011

Fragmentos

tantas ideias em pedaços de trechos de frases espalhadas em recortes de papeis em cantos de cômodos de lugares refletidos em cacos estilhaçados de pensamentos quebrados em pesadelos acordados em trechos de vida dividida em mais vida espalhada no chão em fragmentos de coração dilacerado em paixão triturada em raiva mastigada em voz engasgada num teco que se espalha em luzes cortadas de sombras em fatias de luzes de tantas ideias




Ideias Fragmentadas by YuriKiddo







15 de dezembro de 2010

11 de setembro de 2010

Por Todo Lugar




Eu poderia dizer
Que moro num lugar seguro
Dentro de você
Mas minhas partes estão
Por todo lugar

Se desfazer é fácil
Veja como eu me desfaço
Se desfizer, refaço
Recompor, é bem mais complicado

Quem dera eu tivesse um lar
Ou somente um lugar pra ficar
Descansar o corpo um pouquinho
Guardar o que restou

Caí de novo
E agora vou
Voo
Voo
Voo

Passarinho bate asa
E não volta tão cedo não
Não volta mais pra casa
Não volta, não

Se eu pudesse
Um lar seguro dentro de você
No seu coração




--
*poesia nova pra carimbar o novo caderninho que eu ganhei de presente!

21 de junho de 2010

Histórias de Dormir [Segredos do Mar]

- Conta uma história pra eu dormir?
- Ah Yu, eu não sei. Conta você.
- Ahhh eu?
- É.
- Hm... Não consigo pensar em nada agora.
- Consegue sim. Vou te dar três palavras e você vai contando.
- Tá.
- Praia, céu e peixes.
- Hm... Beleza, vou tentar.

Primeira noite: Segredos do Mar

Quis sentir os vidros em seus pés. Moídos, os cacos se misturavam a outras coisas misturadas a outras que formavam cacos que se misturavam a seus pés. Segredos partidos na areia. Areia que nos olhos são sonhos, nos pés, caminhos.

Quanto mais afundava nos vidros, mais entrava naquele deserto que aos poucos se tornava praia. Mais ela fazia parte de mim e eu dela. Olhei o Sol no topo, não estava calor, não era verão, mas brilhava imponente sem se importar. Ele brincava com as sombras de tudo, só pra se distrair, matar o tempo. Elas dançavam a minha volta fazendo um convite que recusei.

Percebi então que o mar não tem sombra, só um lado sombrio. Apreensivo, pus um pé, depois outro. Não sabia dizer se a água estava quente ou gelada, com ondas agitadas ou cansadas. Adentrei hipnotizado, como se a própria Iara ou Iemanjá tivessem aparecido e me feito o convite. Quando vi, só estava com a cabeça pra fora, então me deixei afundar.

Percebi que as estrelas que caiam do céu iam parar ali, no fundo do mar. E a luz do Sol não alcançava os mistérios reservados a poucos. Lá havia um enorme vazio, como na superfície, só que tudo era em câmera lenta. A semelhança fazia com que tudo fosse parecido e a tristeza tomava conta de mim aos poucos, fazendo meu humor combinar com o azul frio do mar.

Foi aí que, cansado de olhar tanto pra baixo, olhei pra cima. Vi uma luz lá do alto, os peixes flutuavam no céu.

26 de maio de 2010

Motivo

Você me despedaça, veste minha carcaça. Você, que tinha peso pra erguer, agora pisa em mim para se manter. Se eu me afastar, se você me largar, será que volto a sorrir?

Você está me matando de novo. Eu ainda sou uma lembrança? Sou quem controla os corvos. Você controla-se em vingança. Você costumava me iluminar, agora me joga na escuridão.

Estou te perdendo de novo, como se me digerisse por dentro. Eu acho tão difícil conviver com alguém, me permitir estar com alguém. Sou como o vento, que não sabe para onde vai, mas se mantém. Eu costumava te alegrar, agora eu sou quem te entristeço.

Sou patrono dessa realeza. Estou confuso em ódio fresco. Construí meu reino de tristezas. Quanto mais eu tento a cura, mais eu apodreço.

Não consigo perder ou parar com os gritos. Me confino a ser sempre um maldito. Me racha, me parte, me confunde. Maltrata estar vivo. O pior de tudo é não conseguir saber o por quê.

Eu queria um motivo.

10 de maio de 2010

28.

Seus olhos são flores
que eu insisto em regar com tristeza.
Gostaria de chorar também suas belezas,
mas agora sou deserto,

e meu deserto chora areia.

Nos acolhemos sempre na tempestade
acampamos nos abismos mais perigosos,
desfrutando os medos em momentos
infantis e orgulhosos.

Foi um pouco depois da lua nova pendurar no céu,
te encontrei a mais bela
anunciando um novo romance,
me dando um velho papel.

Carreguei meu ódio cansado e pesado
ao redor de seu
corpo.
Não sei se já passava da meia-noite,
mas,
meio
bêbados,
meio
a meio
e meio
inteiros,
beijamos
um beijo
e meio.
Conforto.
Nós morremos um pouco
depois do amor nascer.
Um pouco
depois que havia me sentido vivo
após tanto morto.

Te ouvia gritar em meus gritos febris em descontrole,
em cada nota construída que eu viole...
Para minha flor de fim de tarde.

Já era tarde.

Suas mãos estão nos ramos,
sua voz está na brisa.
Novamente machucamos
e acabei manchando de sangue a branca camisa,
o sumo de um coração extinto.
As ações doloridas banalizadas em dramatizações batidas.
Desculpe,
é só o que eu sinto.
Em goles de vinho tinto
para fazer ir embora,
você me expulsa
ao mesmo tempo em que me quer na hora. O que se fazer de nós,
senão desatar?
Teimosos,
ainda tentamos buscar,
o que muito perdemos e julgamos banais.
Eu nunca te alcanço,
Quase nada satisfaz.
Quase tudo fica pra trás.
Sabemos que seremos para sempre,
e para sempre,
nunca mais.

O cabelo dela está no jardim,
entre os espinhos,
fazendo a morada de aranhas.
Ela me arranha e estranha.
Me aguarda
me guarda
para o fim.

Vinte e oito dias de amor.
Mais vinte e oito,
teu peito, meu acoito.
Dois infinitos de dor.

-------

Finalizando a série que começou com o I Have the Map of the Piano, com todo romance meloso e brega; passando pelo falso-
excitante e sem efeito Gole de Pernas; até aqui, no inerte e estúpido 28. =)

5 de abril de 2010

Nada Vai Mudar.txt

Vejo o tempo passando devagar
Divago entre pensamentos
Nada vai mudar

Não importa o que eu deseje
Está além das estrelas
Fecho os olhos só para vê-la
Respirando de novo
E voltando pra mim

O amor é um jardim
De flores mortas
E nada vai revivê-las

Não importa o que eu deseje
Está além das estrelas

Quantos somos em um único ser?
E quanto ainda podemos ser?
Nem uma tempestade de palavras
Conseguiria responder

1955180210






---------------não me sinto motivado.

22 de dezembro de 2009

Traição

O que é esse pesar tão grande
Que nunca havia sentido
Mesmo em passos errantes
Mesmo gritante no ouvido
Nunca me importei
Nunca havia conhecido
Porque não quero saber se errei
Se estava presente ou havia sumido
Minha confiança sempre foi maior
Em mim e em meus amores proibidos
Até você provar que o amor é vidro
E cortar em seus lábios meu coração
Brechas no caminho são –

Faz engasgar, a traição
Embaça a vista
Ser nada mais que placebo
Ata-me e mate-me, prefiro
Como frágeis somos, agora percebo
Dói como um tiro
Pelas costas, na arma, o amor
Que sangra sem morrer
Um sangue de dor
E um último sorriso
Olho pra trás,
Traidor

27.11.2009

19 de dezembro de 2009

Mar Morno

Uma tesoura grande e pontuda encontrou meu corpo. Terminou em meus pálidos punhos vestindo-me de sangue. Minha veia azul chorava e umedecia a camisa escura de manga comprida. Sentei acuado, repousando meu corpo de guerra vencido, sentindo a desistência e covardia causando mais remorso. É um labirinto sem saída, minha vida. Fugir é covardia, ficar não faz sentido. E tudo causa um remorso e uma culpa incurável.

Comecei sabendo onde estava pisando, mas qualquer coisa seria mais firme que meus passos naquele momento. Foi o que me salvou de tantas coisas e me fodeu em outras. Se eu pudesse voltar atrás, faria tudo outra vez, eu não tinha opção. Deixo para agonizar quando ninguém está vendo. Não divido com ninguém minhas intermitências venenosas mais sérias. Durmo o sono dos condenados quando já é cedo. E a insônia me tira dos sonhos mais quentes. Para mim é sempre tarde porque estou sempre atrasado nesse lance de viver, ainda não me acostumei com a ideia.


Bate primeiro na parte de trás das pernas, depois atrás do pescoço, espalhando uma onda de relaxamento que descola a pele dos ossos, de modo que sinto flutuar sem gravidade num mar morno. Chove quente em mim, e tranquilidade igual a essa só no ventre de minha mãe. Se não fosse a perturbação de sentir a presença de alguém que não está presente. Uma sombra no canto da visão que desaparece toda vez que corro os olhos para ver. Move-se quando eu mexo a cabeça, então nunca a vejo. Causa medo, talvez seja a solução.


Vi a medida da vida em gotas. Experimentei a agonizante privação da doença da droga, e também o prazer do alívio, quando as células sedentas beberam da agulha. Talvez seja só isso e nada de mais. Talvez todo prazer seja alívio. Então chorava mar morno de lágrimas psicodélicas e fermentava meu alimento na colher queimada. Eu não queria, mas me salva. E pelo desespero, ando fazendo qualquer coisa para ser salvo, para tapar os buracos de meus defeitos, medos e inseguranças. Tentando me convencer de que eu sei o que estou fazendo, ou que viver vale a pena.


7 de dezembro de 2009

Melhor regresso

Enquanto nada novo aparece, voltemos a 2007!

outro dia eu acordei
querendo saber como eu estava
quanto mais eu descobria
mais triste eu ficava
se deus existe, quem é ele?
se não existe, quem somos?
o que faremos, o que seremos,
se agora somos, então me diga o que fomos?
quero conhecer mais meu mundo
saber de onde eu vim
às vezes desejo o sono profundo
meu pecado é a ância pelo fim
o ódio cega e me faz perder
a tristeza se materializa, se transforma
cai do meu rosto cria forma
molha o papel e me faz esquecer
da beleza que encontro no céu
que enfeita meus sonhos sem saber
o peso da culpa me impede de olhar
acima dos meus olhos
me impede de voar
não vejo motivo pra nada
tão distante, quero encontrar
o meu lugar

Será que estou sempre errado?
andando sempre na contra-mão?
eu estou vendo olhos negros
quem me mostram solução
se escondem nas minhas sombras
e se perdem na mesma escuridão
não vejo o medo chegar
que por medo, não me encara
não tenho o que perder
porque não vejo motivo pra nada

meu melhor regresso
essa minha inútil deficiência
o auge do meu sucesso
é minha vergonhosa decadência
meu melhor regresso
minha ingênua carência



mas há de chegar
há de chegar pra me salvar
há de chegar pra me levar
me tirar daqui
desse lugar que eu vim parar
onde não há onde se amparar
só cair e cair e cair

20 de novembro de 2009

Calor

Está tão calor que eu queria derreter
evaporar
e chover
chover





















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Twitter é para os fracos ;)

2 de novembro de 2009

Dia de Finados

Dia de finados
E eu nem fui te visitar
Eu me perdi nos dias
Nem sei mais
Qual é o meu lugar

Festejei sozinho
Com a mesa posta para dois
Deixa eu morrer só um pouquinho
A vida pode ficar para depois

Tentarei talvez
Numa próxima vez
Conhecer seu novo lar

Mas por enquanto
Vou bebendo outra taça
Em meu acalanto
Enquanto você me abraça
E me enxuga o pranto

Só me resta lamentar
Eu me perdi nos dias
Nem sei mais
Qual é o meu lugar

21 de agosto de 2009

.

Hoje eu estou feliz
Porque encontrei os meus amigos
Enforcados na sala de estar

Eu desenhei minha história
nas paredes de casa
Depois ateei fogo com minha família lá,
Trancada

Me sinto amado
Eu estou tão chapado
Que encontrei Deus

19 de agosto de 2009

Monstro Laranja


Veio da ilha de edição
Correndo nos sonhos bestiais

Se parece com todos os animais

Seu monstro de estimação


Pegadas laranjas impressas no chão

Rugidos ao mesmo tempo graves e agudos
Caminhando sem direção, pela multidão

No meio de realidades e sonhos absurdos


Monstro laranja

Espero que seja só isso

Um mito que um dia conhecerei

Anda sem razão ou compromisso

Desconhece qualquer e toda lei


Me liberte também

---

pelas conversas.