Sejam bem-vindos ao outro lado do espelho, onde tudo pode acontecer (e acontece).
Wonderlando é um blog sobre textos diversos, descobrimentos e crescimento. A filosofia gira em torno do acaso, misturando fantasia e realidade de dois amigos que se conheceram também por acaso, Alice - que tem um país só seu -, e Yuri - chapeleiro e maluco nas horas vagas.
Leia, comente e volte sempre... Ou faça como a gente e não saia nunca mais.
Voltando para casa numa madrugada fria de meio de semana, me flagrei pensando em quantos mal-me-quer cabem numa flor. Claro, depende da flor e da história de cada amor. Então comecei a lembrar das minhas histórias, de quantos finais foram infelizes e não deram certo. É, porque um final também tem que dar certo, não se pode acabar errado senão nada valeu a pena.
Seguindo essa linha de raciocínio, comecei a pensar nos meus finais. Meus relacionamentos que deram certo com limite de data; minhas semanas, que boas ou ruins acabam fazendo o tão adorado fim de semana; em tudo que eu comecei e não terminei. Isso também é fim(?).
Daí voltei a pensar nas flores, em cada pétala que significava um mal e um bem. A sorte e o azar de ter a flor do destino nas mãos. Alguém me quer(?). Alguém sempre quer alguém, mal ou bem, há o querer. Tudo depende da flor certa.
Andei pensando muito em silêncio esses dias. Andei pensando muito no silêncio esses dias. Pensei parado também. Não tenho objetivo nesse texto a não ser divagar e "pensar alto". Mas sei muito bem como ele vai acabar, pois é, porque tenho lido muito Shakespeare ultimamente. Mas chego lá, e se você tiver paciência para minhas baboseiras, também chega.
O motivo do silêncio como tema é porque tenho ficado mais calado do que o falante costumeiro que sou. Para evitar as costumeiras bobeiras que digo, os constantes desgastes que trago em palavras, as inaceitáveis contradições nos pensamentos transcritos, calo. Calo de pé. Sento.
Mas pensando agora - tudo agora tá gente?! -, qual será o motivo do Silêncio? Às vezes eu acho que ele é um personagem, ou alguém da turma, que eu posso tocar e conversar... Mas não sei seu motivo. Não sempre, pelo menos. Mas nem nosso melhor amigo nem nós mesmos nos compreendemos a toda hora. Tenho exigido demais do silêncio. E de mim.
O Ministério da Saúde [tudo maiúsCULO]adverte: exigir mais de si mesmo dá úlcera e câncer. Se os problemas persistirem, você se fodeu!
Penso no silêncio. Na significância do silêncio. Eu não estou em silêncio agora, estou aqui tagarelando palavras, mesmo que escritas, mesmo que não emita som. Há aqui o não-silêncio.
O dicionário diz que "si.lên.cio sm (lat silentiu) 1 Ausência completa de ruídos; calada. 2 Estado de quem se cala ou se abstém de falar; recusa de falar. 3 Abstenção voluntária de falar, de pronunciar qualquer palavra ou som, de escrever, de manifestar os seus pensamentos". Eu digo mais, ouvi a seguinte pergunta na roda: "E quem vai quebrar o silêncio?". Não existe a quebra do silêncio, existe sua ausência, o Micha(elis) está certo. O silêncio se ausenta porque há o ruído. O silêncio é frágil feito gota de chuva. Há ruídos e palavras. Ninguém quebra o silêncio. Há ruídos e palavras. Som. Son [ofa bít]
Ninguém fala por falar, tampouco cala por calar. Mas não tem melhor silêncio que aquele cheio de cumplicidade que desnecessecita palavras. A simples perfeição muda. A vida não é silêncio, é como diz Macbeth, a vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, que nada significam. Eu não sou silêncio, mas às vezes é preciso calar, para ser (ou parecer) sábio.
“O potente veneno cultiva totalmente o meu espírito. Se tu sempre me segurar em teu coração ficará ausente de felicidade por um tempo. E neste mundo severo, tome fôlego em tua dor, para contar minha história. O resto é silêncio.” Hamlet morre dizendo essas palavras. Quero morrer Hamlet. Quero morrer, Hamlet. [Mas não em silêncio]
Em silêncio, fico pensando, quem vai contar a minha história?
Se você está lendo isso, não pense que é para você. Não é nem nunca foi. Aqui é meu desabafo, o lugar para rascunhar alguns pensamentos e ter onde guardá-los. Eu não preciso de vocês, mas isso não quer dizer que eu não precise de alguém. Qualquer um que é só a metade podre e insignificante me entende e nunca mais me abandona. Acaba aqui compartilhando dores com discrição e silêncio.
Ontem, tudo em que eu acreditava morreu, mas hoje é meu aniversário e vou espalhar as velas pela casa e atear fogo quando todos estiverem aqui. Assim ninguém nunca mais vai me abandonar. Hoje é meu aniversário e nada aconteceu, eu não sei o que fazer daqui pra frente.
Se ninguém sabe como é a eternidade, eu vou mostrar como ela não é. Desta vez eu não vou hesitar em matar quem for preciso para defender o que eu acredito. Pessoas são frágeis, ideias não. Minha nova frase na parede.
Eu penso em tentar, agora que eu não morri realmente, mas eu preciso de alguém pra me salvar. Me deixar definhar sozinho é pior do que ter coragem pra acabar logo com isso. Então decidam-se.
Não deixá-los ganhar não me satisfaz, ou eu ganho ou vou mostrar como se perde.