Sejam bem-vindos ao outro lado do espelho, onde tudo pode acontecer (e acontece).

Wonderlando é um blog sobre textos diversos, descobrimentos e crescimento. A filosofia gira em torno do acaso, misturando fantasia e realidade de dois amigos que se conheceram também por acaso, Alice - que tem um país só seu -, e Yuri - chapeleiro e maluco nas horas vagas.

Leia, comente e volte sempre... Ou faça como a gente e não saia nunca mais.

4 de abril de 2006

O Topo

Frio. Estava voltando pra casa, isso foi quase agora; mendiguei uma blusa com um amigo e consegui. Fiz o mesmo caminho que antes meus olhos passeavam novidades e que hoje não desviam do chão, como todos os dias tem sido. E até ouço uma buzina hora e outra, não olho pra atravessar as ruas, nunca fui muito de olhar se vem carro. As ruas mudam às vezes, mas só às vezes. O tempo não tem me sido útil, tampouco justo, e num momento de surto eu quebrei meu relógio de pulso, ontem mesmo [Estou com os braços nus e 'livres' dessa algema do tempo]. Portanto, não sabia que horas eram, também não me importei em não saber. Caminhei sozinho como todos os dias faço, exceto na ladeira, que logo no pé, uma garota passa a andar ao meu lado[ou eu ao lado dela] me fazendo companhia. Logo fiz o mesmo por ela, mesmo ela não querendo, mesmo ela não sabendo. E a garota apertava o passo, eu fazia o mesmo; andava devagar atrás de mim e me ultrapassava quando bem lhe entendia, e eu, encantado, assistia o desenho de sua sombra dançando à minha frente. O topo parecia cada vez mais longe, e seguimos assim, em silêncio. Silêncio gostoso que quase rompi várias vezes. No meio do caminho começou a chover folhas mortas, duras, secas, parecida com gente quando morre... seres vivos que morrem, todos iguais... Quedei minha inquietação numa dessas folhas que o vento me trouxe. Nisso, a mãe da garota a esperava no vento, no medo, no escuro por sua filha que derrubou sua bolsa pesada sobre os ombros fortes da mãe e disse lá algumas levianas.
Mães, inacreditáveis! Fiquei impressionado. Mãe, às vezes gostaria de ter uma só pra desejar não ter; ou não ter só pra sentir falta.
Aquelas mulheres são passado agora. Subimos eu e a folha. Estava afoito, não sei por quê. Olhei para a folha e refleti sobre como a vida não vale bosta nenhuma. Ela viveu a vida inteira presa e agora que está morta, ganha a liberdade que talvez tenha passado a vida para conquistar e começar a vagar o mundo sem caminho certo. Vai entender... Ri solenemente e comecei a picotá-la sem um motivo aparente. Quis matar o morto. Cheguei ao topo e olhei meu passado. Discórdia...

2 de abril de 2006

Flores laranjas repousando sobre o túmulo.

Hoje fui fazer uma visita. Conhecer novas pessoas, aprender com o passado e descobrir experiências de vida são importantes. Dessa vez, eu não estava sozinha. Sou muito tímida para conhecer gente que nunca vi.

O lugar era lindo, muitas árvores, um campo, flores na grama. Silêncio. Tudo o que se ouvia era silêncio. Vasto silêncio. Sem vento, sem pássaros, sem água, sem desarmonia. Também, como seria o silêncio, vazio, desarmônico?

Sol, frio, preto. Mão no bolso. Não, sem mão no bolso; mãos dadas, apertadas, ansiosas. Passos curtos, lentos, nervosos. Reviver momentos antigos não é fácil. Reviver lembranças felizes traz um sorriso ao rosto, porém lágrimas aos olhos. São lembranças felizes, não um presente feliz. É um presente diferente, mais oco. Pior ou melhor? Não se pode saber, mas o imaginado é sempre melhor, alegre e esperançoso. Esperança pelo impossível e imutável. Impotência. É simplesmente o passado.

Chegamos. Aos nossos pés estava ela, aquela que aqui nasceu sorriu chorou viveu sofreu e amou. Aquela que espalhou alegria, que tocou as pessoas. Aquela cujo talento inspirou sua vizinha de descanso.

Dei uma volta, dei espaço para o suspiro. Prestei meus respeitos aos outros habitantes da necrópole. E, claro, organizei as flores. Sim, eram elas as destoantes na imagem. Pela suas quedas, suas cores. Flores laranjas repousando sobre o túmulo.

Respira fundo, mais um tchau (nunca adeus), mãos dadas novamente, lágrimas de saudade, sorriso de orgulho.

***

Fui num terceiro cemitério ontem, dia 1º de abril. Seria aniversário de 50 anos da melhor amiga de minha mãe, então fomos colocar uma flor para ela. Essa amiga era uma escritora, muito talento. Seu epitáfio diz uma letra de música que ela compôs: "aqui nasci sorri chorei vivi sofri amei". Na lápide próxima a dela, tinha um outro epitáfio escrito: "sorri, chorei, amei e vivi". Tanto talento que se espalha mesmo 30 anos após sua morte.

Sempre há espaço para o encanto



Amar para mim é querer o melhor para a pessoa, mesmo que isso não faça bem para você. Mas no final, a gente aceita, porque quem nós amamos está feliz e isso basta para nós. Todas as vezes que eu não amei, eu queria que os outros se magoassem, como me magoaram. Muito maléfica. Isso realmente não é amor.
Amo muito, mais do que devia... mas amar com paixão nunca. Pelo menos ainda não, ou talvez uma vez apenas. Um frio na barriga, um sorriso bobo no rosto, um aperto quando perecebo que estou só nessa situação. Só vi até hoje amor de mão única.
Quero sofrer de amor. Sim, quero ter meu coração quebrado, quero sentir a dor. Não sei porque, mas eu quero... acho que será uma experiência muito interessante. Quero entender as músicas de amor, quero brigar e quero discutir. Só aconselhar é irritante. Quero viver.
Prosseguindo... eu pensei numa teoria uma vez, de que amar é querer tornar-se um só. Abraçar é apertar a pessoa tão forte, com a intenção de quebrar a lei de que "dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço". Beijar é ter a pessoa dentro de você, assim como sexo. "I wanna feel you inside me" - A Vida de David Gale [um filme muito bom]. A prova máxima do amor, ou pelo menos teorica e utopicamente, filhos. Eles são a prova da unidade, eles são você mais alguém em um só.
Que teoria boba... tenho outras melhores. Porém minha falta de experiência não me permite ser melhor. O amor que senti não foi tão especial assim, foi imaturo e bobo. E se alguém um dia me amou, nunca me disse.
Entretanto sei de uma coisa:
"Amo com medo, amo com receio e vergonha de amar".


***

Sua vez. Escolha discussão.
Intrige-me.
Desafie-me.
Espante-me.
Questione-me.
Encante-me mais um pouco.

31 de março de 2006

The Hand that Feeds

Foi na sua mão que eu li uma bela canção, foi feita pra mim, feita pra nÓZ


The Speed of Pain

---------------------- Keep Digging ----------------------
Amor. Amo. Roma. Mora. Decora. Amador. Ama dor. Mas afinal, o que é o amor?
Cada ser define de um jeito essa palpitação que nos congela a espinha e faz parar o tempo mesmo que por pouco tempo. E depois tudo acelera pra compensar o tempo que parou. Ninguém percebe porque não tem o que perceber. São as borboletas na barriga e os pés em nuvens que nos fazem perceber que estamos apaixonados. Mas paixão é pouco do lado do AMAR. Confesso que não acreditava no amor, ainda não sei se acredito, mas antes não queria acreditar. Amei muitas vezes sem saber, muitas vezes amei achando que sabia o que era amor.

As pessoas acham apenas que amam, mas na maioria das vezes não amam nada além de si mesmos, ou amam todos por falta de amor-próprio. Eu te amo não é bom-dia!

"Eu te amei". Essa frase curta, falada às pressas, baixinho, engasgada mudou muito minha perspectiva de amor. Quantas vezes ouvi Eu te Amo da mesma pessoa e não acreditei. Precisei me convencer de que era puro e verdadeiro. [Puro? Puro. O amor é confiança, é cumplicidade, é aceitação, é sem vergonha e muitas vezes indignação... preocupação...não, não sei, não vou me desviar.] Esse foi o primeiro passo pra eu começar a entender, a querer aceitar o amor. Ódio. Sei que existe. O outro lado do espelho me ama. Depois que eu descobri recentemente que amor tem passado[e só acreditei realmente depois que você me disse que era possível], comecei a acreditar que talvez possa ser verdade essa coisa de amor. Eu tenho certeza de que amo alguns amigos, alguns familiares. Sei que é amor, por que são pessoas que eu quero bem, que eu quero proteger, que eu faço o que tiver que fazer por um pouco da atenção delas, por elas; e é puro, é sincero, pois não quero nada em troca além do bem que elas me fazem por me deixar amá-las. Eu penso que amor é tempo, mas ultimamente ando me contradizendo muito e percebi que amor é convivência, é libertação, é confiança e realmente sem-vergonha. Pois a que me amou ontem, me fez perceber que eu a amo hoje. E é esse amor de querer bem, de querer proteger, de querer perto.

Amo com medo, amo com receio e vergonha de amar. Não sei lidar com meus sentimentos inexistentes ou ocultos, por muito tempo. Meu amor foi trancado numa caixa grande e enterrado a seis pés embaixo da terra. Agora no meio desse campo de cruzes similares formando um cenário sintônico, comece a procurar. Difícil. E todo cheiro de rosa me lembra a morte e traz uma forte e presente sensação de amor. Me lembra amor. Feliz e triste, na mesma intensidade. Amo pouquíssimas pessoas, meu amor é metido e reprimido. É raro. Amo com lágrimas nos olhos, poeta não ama nada senão a si mesmo. Ou ama todo o resto menos o próprio. Eu não acredito em amor porque uma parte do meu ódio não alimenta nenhuma esperança, mas eu amo com ausência e frequência que se deve amar.

"Eu quero despertar no seu branco, branco sol. Eu quero despertar no seu mundo sem dor, mas eu irei sofrer na esperança de morrer algum dia. Enquanto você está adormecida em todo o caminho. Quando você odeia, você sabe que pode sentir, mas quando você ama, você sabe que isto não é real. Não! Atiro em mim mesmo para te amar. Se eu me amasse eu estaria atirando em você"
-M. Manson-
"open up your mouth, touch your lips to mine. That we may make a kiss that can pierce through death & survive. Your words have branded my mind. Still i hold your hand, wrapped as if a ring, we of flesh & blood are only carrying. It's so hard to... well, you know! The seed waits for the reaper to sew every breath an art, the dignity to it can strain & break your heart. Take all your pieces home. You ask when you're alon, "what is love"... The blood is love."
-Queens of the Stone Age-
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Quando o tempo para, ali, naquele breve momento, eu observo as coisas. Só pra decorar. E percebo... a velocidade da dor.

28 de março de 2006

Folhas verdes voando entre os túmulos

Hoje fui num jardim. Era cedo, tinha tempo, queria ar.
Mas que lindo jardim! Plantas e fontes, aquele barulho suave das folhas mexidas pelo vento, a água da fonte passando aquele sentimento de calma. Os pássaros, poucos que tinham, piavam. Porém tudo entrava em desarmonia com os sons dos motores na avenida. Não se pode ter tudo perfeito, não é?
Eu estava sozinha no jardim. Não parecia ser muito grande, então fui andando calmamente, olhando as plantas e pedras. Um rajada de vento forte passou e muitas folhas verdes caíram na minha frente. Não eram tão bonitas quanto as flores amarelas, mas foi gostoso, minha vista agradecia.
Percebi coisas enterradas no chão. Havia nomes e datas. Palavras de saudade e amor. Mas que tolice, Alice, pessoas não nascem em árvores!

***

Felicidade para mim é estar feliz e saber disso.

***

Quem eu amo? (In)Felizmente eu me apaixono rápido. Apaixonar no sentido de amar, não importa se é amor de amigo ou amor de "algo mais".
Amo minha mãe, meu pai, meu irmão...
Amo minha cã... e dela sinto falta há cada segundo que passa. Não sei, é estranho.
Amo meus amigos, sinto falta deles do meu lado... eu demoro tanto pra me acostumar com as coisas, que o apoio deles é essencial pra me manter indo. O apoio deles que me fez ser quem sou, estar como estou. E ser obrigada a manter essas relações via internet está me deixando louca.

***

Quem você ama?

Muito Prazer

Esses dias parei pra pensar: Orgasmo!
Acepções■ substantivo masculino 1. momento em que o prazer da excitação sexual atinge o máximo de intensidade e que, no homem, provoca a ejaculação seminal e, na mulher, miotonia e contrações uterinas, sufusão tépida e sensação de latejamento pélvico.

QUE? Não, vamos tentar de novo, meu amigo Houaiss não foi feliz nesse aspecto[saber tudo na teoria e não na prática deve ser verdadeiramente triste]

Acepções■ substantivo masculino 2. efervescência de sentimentos, excitação incontrolável do espírito que se pode manifestar em reações físicas.

Ahhh muito melhor Houaiss, obrigado. Mas, substantivo masculino? Mania de querer classificar as coisas viu! Orgasmo é mais que substantivo e tampouco é masculino.
Efervescência de sentimentos, o termo que eu estava procurando. Um orgasmo é o ápice, é quando se junta tudo numa coisa só. Raiva, alegria, amor, tristeza, lembranças... ao mesmo tempo que não consigo pensar em nada, fico paralisado olhando a sinceridade dos olhos do gozo. Como alguém consegue não ser sincero num momento como esses? Existe. Por vergonha?! Muitas vezes, mas, vergonha de que? Não entendo. Orgasmo é olhar nos olhos de Deus e o Diabo e senti-los tocar-nos por poucos segundos, é se sentir elevado e incontrolável magia assustadora. Uma felicidade cega. O orgasmo é uma coisa pura que muitas pessoas não sabem respeitar e sumprimem suas ''necessidades'' apenas pelo prazer da carne. Orgasmo é felicidade, certeza. Mas também tem seus momentos de tristeza.

Prazer é felicidade? Sim. Felicidade é algo momentânio: tristeza não tem fim, felicidade sim e blá blá blá. Mas o que fazer pra ser sempre feliz? Ser um escravo de você mesmo tentando se fazer feliz sempre. Quem é sempre feliz não é honesto consigo mesmo, nem confiável. Uma pessoa que tem medo de ser triste realmente é muito triste, mas, e quem tem medo de ser feliz? É ainda mais triste. Foda né?! E quem encontra felicidade na tristeza? Só fala em tragédia, ou gosta da dor e violência. Esse sadismo que algumas senhoras donas de casa dizem não ter mas a caixa de imagens está sintonizada nesses programas sem futuro estilo Datena. É quase inconsciente. Não sei definitivamente como ser sempre feliz, acho que ninguém sabe. E nem deve saber. A tristeza também é importante, tem seu valor. Felicidade pra mim é poder equilibrar os sentimentos e as emoções, é saber a hora de rir e a hora de chorar, ser sincero com você mesmo principalmente; poder realizar um sonho; é ter alguém pra te ouvir reclamar e mesmo assim estar ali sem ir embora ou te deixar pior; é ter um abraço sempre que precisar; não né?! Enrolei enrolei e não consegui definir felicidade, é que, sei lá, a felicidade é tão simples e teimamos em complicar. Eu não sei se sou feliz. Chega.

_Acredito que a felicidade infinita está contida no orgasmo. Certa vez escrevi no caderno de uma amiga: orgasmorgasmorgasmorgasmo...

"Blessed Day, my brother"



_Sádico, mas e daí? quem não é?! ... Minha mãe não é!
_Meu pai? Bom, meu pai sumiu faz uns dias. [hauhauhauahua]

24 de março de 2006

Flores amarelas voando entre os túmulos

O que não é interpretado quimicamente pelo nosso cérebro não existe. Todo o resto existe. Aquilo que só é possível na nossa mente é uma reprodução.

***

Hoje, tive 30 minutos estranhos. Levantei mais cedo, decidida a ir no cemitério, coisa que queria fazer a tempos. Por quê? Por curiosidade, para desvendar as histórias místicas que giram em torno desse lugar.
Cheguei. Comecei a andar, olhando os túmulos, grandes e suntuosos, outros pequenos e abandonados. Não queria me perder, andei pelas beiras. Longos correres, vento, mão no bolso, nuvens. Flores amarelas voando entre os túmulos e eu, no chão, sem asas para sumir também. Sozinha entre aqueles que estavam em família nas sepulturas.
Olhei as datas. Todos eram velhos.
Olhei os nomes. Nomes como quaisquer outros.
Olhei as fotos. Fotos antigas, assustadoras.
Olhei por espelhos. Não vi nenhum.
Olhei as estátuas. Negras, grandes, assustadoras.
Li os epitáfios. Religiosos, saudosistas, apaixonados.


"Não é preciso muitas palavras para um grande amor".

E eu, andando, num cemitério, sozinha.

Fui para o fundo e não imaginei que seria como foi. Um mar de sepulturas, estátuas, cruzes, mortos. Muitos e muitos mortos. Quanto espaço para eles que há muito tempo se foram. Não entendo.
Desci. Ao meu lado, na escada, haviam mais túmulos. Ouvi algo estranho e assustador. O barulho era de alguém se virando numa cama, aquele barulho de molas e o rangido da madeira. Paralizei. Continuava ou não? Desci.
Toquei num túmulo. Não senti nada. Subi.
Encontrei 3 coveiros.
- Está perdida, menina?
- Não, não.
- Viu alguma alma penada por aí?
- Não, não vi não.
- O que você está fazendo aqui? Pesquisa?
- Não, nunca tinha entrado num cemitério. Decidi entrar hoje.
- Ah, e achou bonito?
- Não muito, esses túmulos altos e as imagens escuras não me agradam. São assustadoras, mais que protetoras. Prefiro um gramado com uma simples lápide.
- Entendo. Deve ir no Cemitério da Consolação, lá é muito bonito.
- É, já me falaram. Vou sim.
- Mas dá trabalho, manter tudo aqui. Fazer o buraco, manter o túmulo.
- Imagino. Bom serviço!
- Tchau menina.

***

Queria conversar.
Tô cansada, queria me arrumar.
Tô com saudade de quem eu amo.

***

"What is happiness to you?"
"And what is any life if not the pursuit of a dream?"
- Vanilla Sky -




21 de março de 2006

Quando Ela Vier



Você já deve ter ouvido falar do Plano da Morte ou assistido "Premonição". Será que a Morte realmente existe? e se existe, ela tem um plano? Eu acredito nisso! Por incrível que pareça, eu acredito que se é a sua hora de morrer, não importa como nem onde você esteja, vai acontecer. Isso tem a ver com destino? Talvez essa seja a parte do destino em que acredito... Não adianta rezar ou viver evitando a vida por medo da morte. Ela simplesmente acontece e .

"Não deixe que a saudade sufoque
Que a rotina acomode
Que o medo impeça de tentar,
Preferir a derrota prévia à dúvida da vitória
É desperdiçar a oportunidade de merecer.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando.
Fazendo que planejando, Vivendo que esperando,
Porque, embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu."

L.F. Veríssimo
_Como o próprio nome diz: Veríssimo!

There is no Spoon





"Você já teve um sonho que parecia ser verdadeiro? E se você não conseguisse acordar desse sonho? Como saberia a diferença entre o mundo dos sonhos e o mundo real?"

"O que é real? Como você define 'o real'? Se está falando do que consegue sentir, do que pode cheirar, provar, ver... Então 'real' são simplesmente sinais elétricos interpretados pelo cérebro."


_Uma pergunta sem resposta, sem direção, mas se você quiser tentar...

Through the Looking Glass

Destino existe? Eu prefiro pensar que não. Se existe, eu gosto de confundí-lo, de fazer pensar que estou no jogo dele e, de repente, eu viro tudo e o confundo. Me confundo. Me contradigo muito sobre certos assuntos e esse é um deles. Como vou saber se Destino existe?! é uma questão de pura fé, coisa que eu não tenho muito[e é muito ruim na maioria das vezes].
Destino existe? eu sinto em mim que não. Essa é minha fé. Não existe, eu tenho controle total da minha vida, ou prefiro me iludir que tenho. Mas como explicar um deja vu["algo que já foi" segundo a tradução do google]? Como explicar aquele sonho que tivemos do futuro? Premonições, caminhos e escritas em cartas...? Certa vez fui numa cartomante famosa, eu esqueci o nome dela, mas enfim, fui lá porque passei em frente e ela tava sozinha e eu estava ali sem fazer nada e fui puxar assunto com ela, e ela resolveu fazer uma sessão de tarô comigo[logo eu né!]. Aceitei e tive certo receio depois, fiquei olhando-a com outros olhos, ela disse coisas que eu realmente sentia. Fiquei até com vergonha porque não eram coisas muito felizes e tinha um pessoal do cursinho comigo. Saí fingindo que achei besteira, mas fiquei atordoado por muito tempo e sempre quis voltar lá...

Não acredito em destino, pelo menos não quero acreditar. E também não acredito que tínhamos que nos encontrar e que o mundo e nossas escolhas giraram em torno disso. Afirmo[mesmo que cegamente] que isso não existe! Foram nossas escolhas desde criança que fizeram com que caíssemos de repente na mesma sala, no mesmo grupo de amigos e mesmo assim, só fomos nos falar mesmo depois de muito tempo. E se não tivessemos passado do "oi"? Estaria aqui escrevendo no blog? E você? Como estaria? As coisas acontecem ao acaso, porque é um quebra-cabeça que vai se encaixando e se embaralhando cada vez mais. E é só isso. É tudo isso.


xXx
A ilusão é ótima, é a hora que podemos gozar e gostar de quem quisermos, do que quisermos; podemos voar, podemos ver cores, podemos rir e chorar sem culpa; podemos mentir e enganar, podemos estar no controle... de uma ilusão! Mas precisamos dela. A arte e as drogas são exemplos exímios disso. Não vivemos sem ilusão, necessitamos delas assim como água. Ilusão é ser feliz.
Mas eu prefiro a realidade. Eu quero atravessar o espelho Lice, você não faz idéia de como eu quero muito. Toda vez que eu vejo um espelho eu me concentro, sinto um arrepio cada vez que vou chegando minha mão perto dele e infelizmente, sólido. Eu tenho certeza que meu reflexo ri de mim quando eu não estou olhando. Como eu ele é audacioso, e já riu na minha própria cara, mas ele é mais forte... Se eu pudesse aceitaria a pílula vermelha, pensaria bastante antes, mas aceitaria. Eu vivo num mundo que roupa não é importante, se está rasgada ou não; se o cabelo está bagunçado ou não; nada disso importa e tenho que ouvir sempre as mesmas coisas. Não! Eu quero liberdade, e ela só vai ser conquistada quando existir no coração de cada um, um pouco de bom senso e confiança. As pessoas buscam a liberdade mas não querem se libertar. Somos todos escravos e eu não nasci pra isso, definitivamente. O mundo não me pertence Lice, eu quero atravessar um buraco negro, eu quero saber o que tem do outro lado do espelho...

16 de março de 2006

I only really needed alcohol

Toda a sociedade nos leva a crer em destino, em que as coisas já estão pressupostas para o nosso bem ("Deus escreve certo por linhas tortas"). Quantas vezes alguém não te disse: "não se preocupe, vai dar tudo certo" ou "tudo vai se ajeitar"? Mesmo não acreditando nisso, ou em destino, nós falamos para as pessoas, para confortá-las. Muitas vezes não temos muito como fugir... ou mentimos usando essas frases ou falamos a verdade usando essas frases.

O conceito de destino existe, pois seres humanos são folgados. Não é reconfortante saber que tudo vai dar certo pra você, que as coisas chegarão em nós, e se adaptarão ao nosso favor? Eu penso desse modo quando estou em situações de desespero: não passei na USP, por exemplo.

Nós temos medo do desconhecido. Temos medo do escuro. O destino preenche esse vazio. O futuro já está escrito, o que será, será. Não nos responsabilizamos por nossos atos, não temos o controle.

Eu tenho plena consciência das coisas que disse, mas ainda sim sempre penso "não, as coisas vão dar certo pra mim". Penso, me sinto melhor e pronto. Estou me enganando mais uma vez. Mas entendo que, quando estou no chão, pra que me chutar? Que eu levante, clareie minhas idéias e batalhe para melhorar minha situação.

Portanto, acho que o destino é um conceito criado pelo homem, porém acho um instrumento viável de alívio. Mas não acho que devemos viver crendo que o destino fará tudo. Isso é a mesma coisa que não cuidar do nosso corpo, uma hora as coisas vão piorar fora dos limites de controle natural do organismo.

Agora, viver a fantasia ou ver o real? Acho que primeiro eu gostaria de saber como é o outro mundo, pensar e decidir. No caso do filme, se me contassem mesmo como era o mundo "real", escolheria a fantasia onde vivia, o mundo falso e fabricado, porém, é o lugar que conheço. Ficaria curiosa, provavelmente o resto de minha vida, mas não tenho coragem para mudar radicalmente minha vida. Não hoje.

E você?
Acha que desde bêbes estávamos pré-destinados a nos encontrar?
Viveria na ilusão ou realidade?
Se eu pudesse, viveria sonhando...