Sejam bem-vindos ao outro lado do espelho, onde tudo pode acontecer (e acontece).

Wonderlando é um blog sobre textos diversos, descobrimentos e crescimento. A filosofia gira em torno do acaso, misturando fantasia e realidade de dois amigos que se conheceram também por acaso, Alice - que tem um país só seu -, e Yuri - chapeleiro e maluco nas horas vagas.

Leia, comente e volte sempre... Ou faça como a gente e não saia nunca mais.

24 de janeiro de 2007

Yesterday I Woke up Sucking a Lemon


Ontem eu saí com ela. Como ela me lembra aquela de que sinto tanta falta. Ela tem os olhos dela, mas não me olham igual; ela tem o jeito dela, mas não é pra mim e, sua risada, se parece tanto com a dela... mas é sem-graça. Elas se parecem tanto que eu sinto raiva. Não quero mais vê-la para não ter de lembrar dela. Ela trabalha comigo. Ela está tão longe. Ela está no restaurante. Ela chora por aí e eu não estou por perto. E ontem, quando ela se aproximava e me encostava, eu desviava quase inconscientemente com medo de que ela fosse ela; e quando ela me dirigia a palavra e conversava, a mágoa ensurdecia e só sorria receptivo, porém neutro. Me fazia calado. Não quero magoa-la de novo, mesmo que ela não seja ela. Elas são tão parecidas... Eu não quero mais vê-la. Eu quero tanto vê-la. Eu não quero saber do seu dia. Eu quero ser o dia dela. Elas não me contam nem me assistem, eu não mereço.
Aquela que sinto falta não se parece com ninguém, porque era única. Aquela que sinto falta não vai voltar, porque eu já fui. Porque ela já foi. Eu não sinto falta dela, mas eu sinto sua falta.
Everything in its Right Place.

20 de janeiro de 2007

Você é a filha da Profª Rita?

Minha mãe quer que eu tire fotos da minha vida, das pessoas da minha vida, dos lugares da minha vida. Ela quer que eu sorria nas fotos, que eu faça careta, que eu mostre a língua, mas eu não quero tirar fotos.

Ela se arrepende de não ter gravado eternamente os momentos passados na faculdade, as salas de aula, seus colegas, o ambiente. Entendo isso pois hoje sou eu que vivo na mesma faculdade, nas mesmas salas de aula, pessoas diferentes, claro, mas ainda sim o mesmo ambiente. Ela sente saudade desse tempo, pois nada restou hoje. Pouco se lembra do cotidiano, dos colegas, do que aprendeu, nenhum amigo presente dividiu a mesma época. Creio que ela teme que eu esteja seguindo o mesmo caminho. Creio que estou.

Ela sabe que estou.

E por causa disso, ouço constantemente seus conselhos para melhorar, me enturmar, ser mais leve e tolerante. Seus anos de faculdade são tão obscuros, porque minha mãe pouco se recorda ou talvez não queira recordar. Porém sinto que ela não o deseja para mim. Ela diz que eu ainda tenho conserto.

No entanto, seu medo me é duvidoso por vezes. Ela é feliz, seguiu a carreira que quis, achou amor e teve filhos lindos e maravilhosos! [hahaahah] Por que então teme tanto a semelhança de nossas vidas?

Coisas que não conta, coisas que vejo, coisas que existem, coisas que não entendo. São feridas sentimentais, de vivências emocionais semelhantes, de maneiras de parecer e ser. Mas o seu fardo foi pior, eu sei. E ela tem que viver essa vida duas vezes.

Só espero que meu destino seja tão feliz quanto o dela. Que eu um dia possa sorrir um sorriso tão bonito quanto o da minha mãe. É um sorriso tão lindo...

17 de janeiro de 2007

Vida Besta!

Histórias do Apto. 12

Fotografia
Minha mãe odeia minhas fotos. Elas não tem pose ou formato "padrão". Elas têm línguas e caretas. São muito obscuras e ela só consegue conviver com a obscuridade dela, bloqueando todas as demais. Minha mãe só gosta de tirar fotografia sorrindo em pose familiar. Ela sempre sorri para as fotos com se quisesse guardar na lmbrança a alegria daquele momento que nunca existiu. Ela sorri para que as pessoas olhassem pra ela e visse o quanto ela era feliz e satisfeita. Ela sorri porque é a forma que encontrou para que pudesse ser feliz em algum lugar, nem que seja numa memória inventada. Mentiras que são aceitas porque são melhores que a realidade. Minha mãe não usa drogas, não bebe, odeia cigarro. Às vezes eu penso que ela deveria usar. Seu único vício é procurar em remédios a cura de sua amargura. Assim, ela sorri às câmeras para mostrar o quão perfeito tudo está. Sorri para esconder a realidade e enxergar no futuro, o belo passado que teve e ter saudade de tudo aquilo que não aconteceu. A não ser naqueles breves segundos de sorriso. Minha mãe teve uma vida sofrida, não teve muitos motivos ou tempo pra dar risada. Quase não conversamos, vivemos essa guerra fria onde o acordo de paz é o silêncio. Ela merece seu sorriso, mas está muito desgastada pra correr atrás. Sei porque ela gosta tanto de foto com toda família reunida, abraçada, sorridente. Porque aquele papel eterniza um momento único, raro, passageiro como a luz do flash que ilumina a cena. Minha mãe gosta tanto de fotografia porque elas são coloridas, cores que ela nunca pôde enxergar...
Eu não quero enterrar minha mãe, mas deixo a sugestão de quando acontecer, que coloquem uma foto dela sorrindo. Nunca entendi aquelas poses sérias e mesquinhas em crípitas como se dissessem: "eu sou herói de guerra", "eu morri com uma vida honrosa e com orgulho", quando na verdade ninguém foi nem teve nada disso. Quando ela morrer, sei que vai sorrir através das nuvens, vai se permitir ser leve e exilar todo o medo que a acorrentava nessa casa. Espero poder vê-la sem que ela me perceba, e tirar fotos de uma felicidade sincera.
Talvez minha mãe sorria à todos e sou eu que não percebo ou não mereço. É um sorriso lindo. Um sorriso sincero que ela só me dá quando não pode olhar através dos meus olhos.

31 de dezembro de 2006

The Great Below

2xx6 vai tarde e com a marca do meu pé em sua bunda fedida.

Esses 365 dias foram dias de descobertas. No começo do ano pude sentir amor e muitas mudanças. Pude sentir uma fé de que as coisas iriam melhorar, mesmo eu não me sentindo disposto a fazer com que isso aconteça. Eu estava errado. Conheci pessoas novas nas quais souberam lidar com meu gênio um tanto quanto, temperamental, diria; que fizeram meu ano valer a pena, que me ensinaram grandes coisas e que me deixaram participar de seus problemas e soluções, contando comigo pra chorar sorrindo, e na maioria das vezes, só chorar mesmo. Perdi pessoas importantes, perdi respeito de quem admirava quase com idolatria.
Foi um ano de erros e vergonhas. Erros irreparáveis que não tive capacidade de consertar mesmo tendo oportunidade. Cumpri bastante metas que tinha feito pra 2xx6, isso é bom. Arranjei um emprego, passei a usar mais calça, tive que cortar o cabelo e a barba, senti vergonha de mim mesmo. Foi a primeira vez que tive vergonha de ser eu mesmo. Foi a primeira vez que me arrependi de ser eu mesmo. Foi um ano de paixões e arrependimentos. Situações que gostaria de apagar. 2xx6 pra mim se resume nisso, nessa mancha embaçada que não tem jeito de tirar e que todos verão. Se eu pudesse, apagaria esse ano. Os momentos bons foram ótimos, mas não compensam o peso que carrego agora.
Foi um ano que quando começou, pensei que me sentiria mais livre, menos depressivo, sei lá. Exatamente o contrário. Tive minhas maiores crises depressivas, causei mais incidentes, me sabotei muito mais. Foi um ano de descobertas. Descobri que não sou tão legal ou tão essencial quanto pensei que fosse. Mas descobri isso das piores maneiras possíveis. Descobri que meus problemas estão cada vez mais sérios e que não faço idéia de como reparar toda a bola de neve que construí. Descobri que minha personalidade é uma bosta e que tudo que eu acredito parece estar errado.
Foi um ano de despedidas. O amor se transformou em mágoa, raiva; eu levei tanto na cabeça nesse último semestre que perdi a noção em quê acreditar, em quê ter esperança... quem está certo? quem está errado? Não faço idéia. E minhas risadas ao fim de tudo isso é de desespero.


...
Para 2xx7 eu não espero muita coisa. Espero manter o pouco que resta, meus amigos que sobraram, meu emprego que me entristece ainda mais, essas coisas... Que nossas conversas sejam mais frequentes, e nossos posts aqui também [nosso Wonderlando tá crescendo tão rápido, quem diria?!]. Espero que consiga finalmente estudar o que eu tenho vontade, isso é algo que levarei com determinação para 2xx7. Não tenho muitos planos pro ano que prossegue, apenas isso que eu citei acima, o resto será consequência. Quero sair mais, conhecer mais lugares que não conheci por falta de oportunidade e dinheiro, quero me arriscar ainda mais e morrer sabendo que fiz muito do que queria fazer.
"2xx7, pior que 2xx6 não fica". Caaaalma que não quero pagar minha língua. Vou falar menos o que penso também.

Amanhã tudo será igual

Para 2006 tive uma só resolução: perder meus neuróticos controles. Isso era tudo que eu queria, era melhorar, era mudar, era ser as light as air. Tentei, mas falhei.

Comecei até que bem, fiz coisas que nunca tinha feito, em rápidas decisões e rápidos impulsos que me trouxeram imediatas felicidades, porém tristes fins. Li minha Bíblia para a tarefa por mim imposta, aprendi e amei as lições. Entretanto, ainda sou o Leão Covarde e nada conquistei. Medo, medo, medo, medo.

Mas fui feliz, muito feliz, muitas borboletas no estômago, muito amor no coração. E chorei, chorei muito, por motivos e motivos, de incapacidade e decepção à dor física. E como doeu.

Então conheci gente nova, decidi buscar gente nova, decidi mudar e melhorar. Meu pessimismo foi duro de superar, tanto que não superei. A ignorância alheia não me ajudou também. Mas conheci pessoas que fizeram os piores momentos valer a pena. Vi-as crescer.

Agüentei lamúrias e baboseiras de amigos. Santa paciência que não tenho. Mas tive também as mais belas provas de amizade e o maior carinho. Carinho sempre procurado nas pessoas erradas. De repente, apareceu; me pegou de surpresa e me chocou. Acho que estou boba até agora. Sim, eu sou especial (por mais que eu discorde disso).

Confusa? Sempre.

E tive meu melhor aniversário, com as melhores pessoas, com os melhores feitos. Senti um amor novo, verdadeiro. Fui feliz. Mas a minha paixão proibida se provou errada quando o silêncio foi maior. Porém, final feliz existe sim. Esse tanto eu aprendi.

Ganhei e perdi. Saldo? Positivo. Foi um ano difícil, mas ainda estou aqui, não estou? E permanecerei no nosso 2º ano, 11º ano dela, 5º ano da maldita... meu 20º ano.

***

Pelo ano maravilhoso que você me deu:
Obrigada, querido.

***

E para 2007, o que eu quero? Não sei se é possível manter resoluções anteriores, creio que isso é manter-se no passado e não é isso que eu quero. Então não desejarei perder os meus controles (mas não que eu não vá tentar!).

E que tal aprender a deixar as coisas onde devem ficar? Tolerância, seja bem vinda! Agora eu rio. Quem me conhece, ri junto. Esses adjetivos, como tolerância e paciência, não me vestem bem. Mas se eu não começar a mudar, terei problemas maiores comparados aos de hoje. Aceitar o que vier.

Minha resolução: aceitar, ser tolerante e paciente.

Que o Acaso me ajude!

24 de dezembro de 2006

Count to 6 and Die

Outro dia enchi um balde com água gelada e bastante gelo e enfiei minha cabeça lá. Como se soubesse que por reflexo, instinto de viver, fosse recuar. Não recuei, não procurei o ar, não me deixei abater. Aqueles segundos em câmera lenta passavam sofridos enquanto me perguntava quanto tempo aguentaria ali. Enquanto me perguntava se existia a possibilidade de fazer o contrário: estar dentro do balde e por a cabeça pra fora da margem d'água e me afogar no ar. É como eu me sinto. E não conseguia pensar em nada enquanto a água me afogava e me fazia sentir alguma coisa... finalmente sentia alguma coisa. Engasgava nos poucos minutos que haviam se passado pensando se valeria a pena continuar. Ouvi pássaros ecoando dentro do meu espaço, vozes distorcidas, choros que se misturavam com meu oceano enquanto minha fé se enxugava...
Tudo estava indo tão bem, isso me assustou tanto que tive que marcar dores, fazer-me sofrer os traumas que nunca cessam. Assim pude encontrar a felicidade, na minha tristeza. Não estou acostumado a estar bem. Não sou acostumado. E sigo a vida assim, me afogando em ares, desejando secretamente me deixar levar.



"I've got an angel in the lobby
he's waiting to put me in line
but I won't ask forgiveness
for my faith has gone dry"
.
.
.
.
1, 2, 3, 4, 5 ...

6 de dezembro de 2006

(Ainda) Não sou o meu cabelo

Terça fui cortar meu cabelo, contra a vontade de todos, exceto a minha própria. Fui nervosa e ansiosa, porque ele estava muito bonito nos últimos dias, comportado e ajeitado. Mas não agüentava mais o meu cabelo comum, quase longo, igual ao de todas essas garotas vãs dessa geração. Cabelos longos aqui, cabelos longos ali. Todas têm cabelos longos. Todos preferem cabelos longos. Eu não suporto meus cabelos longos.

Meu cabelo é o que eu quero ser. Meus desejos, minhas vontades e meus sonhos são projetados nele. São eles que o alimentam, o fazem brilhante, luminoso. Bonito. Luto todos os dias para ser cada vez mais como ele, ser contra a ditadura da beleza que assombra nossas vidas. Quero ele curto! Quero ele independente! Quero ele maleável!

Porém estou longe de ser o meu cabelo. Por mais que eu siga em frente e o deixe como eu quero, curto e arrepiado (e ainda lindo), eu não sou o meu cabelo. Ainda anseio pela aprovação dos outros, anseio pelo elogio de quem eu quero que goste de mim. Olhando-me no espelho hoje, brincando com meus curtíssimos fios e achando um máximo ter conseguido o que eu queria, me peguei pensando: “Será que ele vai gostar?”.

Ah, todos meus ideais afundaram como uma bola de canhão! Como pude pensar isso? Que se dane o que pensem! Por isso você cortou seu cabelo, sua tola! Por tantas vezes ouvir “mas ele tá lindo assim”, por tantas vezes sentir a inveja dos outros, por tantas vezes ouvir a indignação da cabeleireira ao suspirar “por que não deixa seu cabelo crescer? Ele ia ficar tão lindo...” e com pesar, passar a navalha.

Procuro me desprender do que não me faz bem, dos pesos desnecessários da vida, do que me segura no passado. Vou mudar, seguir pra frente, ser diferente. Estou me livrando dos pesos da cabeça, quem sabe agora consigo ser como meu cabelo: leve e casual.

1 de dezembro de 2006

A viagem na Lua

Eu e meus amigos viajamos no foguete do Artur. O foguete foi terminado no dia 16 de novembro.

Você sade a historia do primeiro homem que pisou na Lua foi meu pai.

Quem pilotou o foguete foi Felipe demorou menos de que ir a Baiá de avião e a cadine era bonita agente conhecemos saturno jupiter plutam e outros.

O incrivel foi a Lua quando agente pisou todos na Lua a Lua dispencou sade porque era Juca que caiu dacama.

Autora: Alice, 1994

***

Eu sempre tive jeito com as palavras e criatividade para tudo que existia, até mesmo nas horas mais indevidas. Eu tinha 7 anos, era a mais popular, a mais feliz, com muitos amigos e a mais inteligente, mas também esnobe, metida, intrometida, cansativa e muito chata.

Porém, eu era feliz. Era uma época simples, nada nos aborrecia e a gente vivia sempre contente. E eu podia ser criativa! Minha imaginação voava e me levava... que criança de 7 anos consegue passar em palavras a transformação da narrativa de uma viagem em despertar de sonho?

Agora, se sou imaginativa demais, sou louca; se sou imaginativa demais, me machuco, pois são tudo ilusões. E mesmo quando sou realista demais, me criticam e sofro também. Caramba, o que resta para mim então?

***

Acho que sou o meu cabelo. Semana que vem, saberei melhor.

26 de novembro de 2006

I am not my Hair

Eu sou meu cabelo. Recentemente tive uma das conversas tensas que tenho de vez em quando com meu pai. Quase não conversamos e quando conversamos parecemos duas pessoas naqueles interrogatórios policiais [adivinha quem é o policial?!]. Você estava presente nesse dia e ajudou a balancear um pouco as coisas. Eu cortei meu cabelo nessa última quarta-feira. Eu perdi minhas forças. Eu me rendi. Eu me entreguei algemado confessando toda a culpa de ser livre. E fui pego. "Você fez a coisa certa". A coisa certa? Pra quem? Pra vocês, ditadores filhos-da-puta autoritários! Eu odeio cada um de vocês, ca-da um.

Eu percebi que sou meu cabelo, que todos somos. Meu cabelo era solto, enrolado como a vida e nem aí pro que pensavam dele; ele era simpático até, muitos gostavam dele, praticamente um anti-herói do shampoo que cativava a todos. Uns viravam a cara, mas não importa, não se agrada a todos e nem tínhamos essa intenção. Meu cabelo era sincero e teimoso, não tinha produtos que forçasse-o a fazer o que não queria; era grosso e sujo, mas era MEU! ERA EU! E me fizeram perder uma das poucas coisas de valor pra mim. De verdade, não ligo pro cabelo dos outros, quem estiver lendo isso que faça o que quiser com seu cabelo. Mas faça o que quiser com seu cabelo. O mundo mandou no meu, o mundo se cresceu em mim me obrigando a seguir as regras do Estado. Sofri praticamente um estupro capilar, torturando-me para que possa olhar no espelho e sentir nojo de mim mesmo; para que possa olhar no espelho e desviar rapidamente o olhar com vergonha de me encarar. Vergonha de olhar pra mim mesmo, que ironia não?! Eu que sempre disse pra sermos o que queremos, andarmos como queremos, nos vestir e nos despir como e quando nos bem entender... Eu, que não existo mais. Hoje sou mais um misturado na multidão, a legião dos "bonitinhos amigos do gel", mais um brocha... É, BROCHA sim. Meu cabelo agora é sem assunto, sem-graça, reto, quieto, passivo.

Quem ler isso sem me conhecer vai pensar que sou uma pessoa fútil por me preocupar tanto com o meu cabelo. Mas não é uma questão de estética, é exatamente o contrário. Eu era livre, mas pelo preconceito e escravização por meio de dinheiro, tive que cortar meu cabelo, praticamente à força, pois foi com lágrimas nos olhos que o matei. E morri.
E hoje quem sorri pra mim são meus inimigos. Um sorriso meu é arrancada a cada sorriso amarelo deles pra mim.

19 de novembro de 2006

Queria estar com mais paixão para declarar meu carinho com mais amor

Descobri a palavra serendipity em um belo acaso e relembrei-a em um belo momento. Mas este momento passou e fica cada dia mais difícil pensar nas maravilhosas e acidentais descobertas que fiz. Quando a felicidade chega é melhor aproveitá-la, jurar amor ao mundo todo, pois nunca se sabe quando o mundo jurará ódio a você.

Possivelmente, então, as serendipities que eu relataria no momento passado fossem outras, por outros motivos, com mais amor do que se o relato se desse hoje. Ou talvez, as minhas serendipities do presente perturbado sejam as reais, pois, mesmo estando num estado infeliz, pude ver as surpresas fantásticas que abalaram minha vida.

Minha serendipity mais antiga é a Tuti. Paixão.

Outra é a descoberta de uma língua pela qual sou devota e apaixonada: o inglês. Esta língua e todas as portas que me trouxe são presentes pelos quais tenho um enorme carinho.

Após um longo período de tristeza e de ódio profundo, as coisas mudaram e fiz minha melhor e maior serendipity. Umas poucas pessoas fizeram o meu 2005 não mais ser o reflexo da Alice fracassada e de suas incapacidades. Entendi o que era amizade, aprendi a dar valor pra mim mesma, percebi que preciso mudar. E duas pessoas se destacaram durante essa jornada: a Belisa e você.

A Belisa, por mais confusos que estejam meus sentimentos agora, você sabe e conhece. Impossível não amá-la.

E você, o que dizer? Arrependo-me de não ter mudado mais cedo, de não ter te apreciado mais quando estávamos juntos todos os dias. Mas o que mais me surpreende é o sentimento de que nós nunca construímos uma amizade. Tenho a impressão que ela sempre esteve lá, conversamos hoje do mesmo modo de um ano atrás.

Sou muito agradecida por ter te encontrado. Você me faz crescer e isso te torna essencial para mim. Assim como todas minhas serendipities.

7 de novembro de 2006

Eskimo Friend

Confesso que pensei intensamente num curto prazo de tempo quais seriam as minhas serendipities. Ou seja, não pensei muito sobre isso. Não consegui encontrar tantas descobertas felizes e inesperadas. Uma delas que posso afirmar é você. É Alice, VOCÊ! Nos conhecemos por total acaso porque você nem gostava de mim, pra dizer a verdade. Passamos um ano inteiro, eu com minha indiferença e um pouco de curiosidade sobre você, e você com seu preconceito e raivinha até "infantil" sobre mim; e no final do mesmo ano de 2005, começamos a nos falar como se sempre nos falássemos. Tudo bem que tínhamos amigos em comum, mas até aí, os tivemos quase o ano todo. Olhe para nós hoje... Quem diria?! Yu & Alice. [temos até o wonderlandinho]
Outa serendipitie são os amigos que conquistei por total acaso. Não digo os amigos de colégio que envolve também uma questão de costume, mas os amigos de puro acaso mesmo, como o Fel ou a Ju Pinguim. Essa última com certeza é a minha maior e melhor serendipitie de todas.


................... Se lembrar de mais alguma escrevo nesse espaço que deixei aí. Mas não consegui pensar em nada além de pessoas.

Como pude esquecer do amor? [nossa, eu esquecer do amor?! que coisa não!] O amor que descobri e entendi somente esse ano. Talvez ele exista de verdade.