16 de fevereiro de 2011
5.
Não retroceder. 5.
Tenho muito a discutir, tenho tantas palavras prontas para serem usadas. Vamos dividir, ou melhor, somar sem nos subtrair. Quantas ideias para acontecer.
É bom voltar.
Não retroceder. 5.
Tanta poeira em sentimentos velhos que residem no baú secreto de lembranças. Encontrei de novo caído atrás da estante. Te encontrei nas mudanças.
Te vi ainda ali, porque ainda está aqui.
É bom voltar.
Mesmo temente ao retrocesso. 5.
A melhor Alice - 5 anos
Entre favoritos, como Companheiro, Pareidolias, Desabafo em 2 tempos - II e Espectadora de mim, escolho este de junho de 2009, que é atemporal, inteligentíssimo, inocente, surpreendente e melancólico [não nesta ordem]:
Meu coração é na esquerda
´rtfo ,ri vpts~sp
***
sabe quando a gente digita rápido, sem olhar para a tela ou teclado e só depois percebe que está tudo errado, pois estava digitando uma tecla além para a direita?
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Ao Wonder o que é de Wonder, então toma! 5 anos pra nós, parabéns!!!
[será que no Wonder se conta idade igual de cachorro?]
15 de fevereiro de 2011
O melhor Yuri - 5 anos
Where Do You Go To (My Lovely)
- Alô?!
Neuilly Park Hotel, 23, rue Madeleine Michelis. É para onde ela está indo. Exatamente onde eu estou. Paris nunca pareceu tão bela. Tão bela e injusta.
Termino de escrever uma baboseira ou outra em rascunhos mais perdidos que eu, coloco uma música e vou tomar banho. Não sabia quanto tempo fazia que não tomava um banho. Minha barba também não está apresentável. Já não sabia quanto tempo fazia que eu não saia na janela. O cheiro da França nunca tinha sido tão suave.
A campainhia avisa que só a porta nos separa.
- Feliz Natal - ela esparrama as palavras que dividem atenção com os gestos de suas mãos. E o mesmo sorriso de antes.
- Você fez luzes no cabelo.
- Estou aqui. Gostou do presente? - Meu presente... Meu passado. Gostava do meu presente sem ela. Mas dela eu gosto muito mais.
- Não vai me convidar para entrar? - Ela já estava entrando, e sabia que não precisava de convite algum. Na verdade, ela nunca havia saído.
Um abraço. Nós ainda encaixamos perfeitamente. É como se tocasse sua pele baunilha sob suas roupas, como seu eu fosse seu próprio cheiro. Sentia seu coração inseguro como se sussurrasse segredos com o meu pedindo abrigo em mim. Aqueles segundo pareciam eternos. E se pudesse, diria sim.
Cigarros. Nunca mais havia fumado desde que ela foi embora. E lá estávamos.
- Que flores lindas!
- É. É mostarda. Você sempre duvidou delas.
- São lindas.
Você é linda.
Nos beijamos exilando a tensão que nos cercava. Ela passava segurança, mas suas mãos não. Suas mãos suavam pelo meu corpo enquanto eu a despia e a cercava de dentes. Uma marca de cigarro que antes não tinha. Um olhar triste que eu não conhecia. Ela respirava em cima de mim.
- Você não deveria ter me encontrado.
- Você não deveria ter vindo para um lugar tão óbvio.
- Talvez no fundo eu quisesse...
- Pensei que fosse ficar em Champs-Élysées¹. Combina com você.
- Pensei em ficar lá. Mas combina com você.
- Sabia que iria te encontrar por aqui.
- Viva la résistance!
Uma longa pausa. Um longo beijo. Ela diz o óbvio:
- Eu vou embora.
- Pra onde?
- Pra longe.
- Eu acho que também vou. Alemanha ou Amsterdã, ainda não sei... Fiquei tempo demais aqui.
- A Alemanha engorda. E vai te partir o coração.
- Mais do que você eu acho que não.
Ela levanta. Pego três flores de mostarda e coloco em seus cabelos. Ela fica perfeitamente bela vestida só com flores. Como Paris. Eu não queria deixar a França, e não queria deixá-la. Mas que escolhas eu tenho? Ela sabe porquê estou aqui, que escolhas eu tenho?...
Silêncio.
- Quer ver a visão que eu tenho de Paris? - Ela concorda com a cabeça. Pego em sua mão e caminho em direção à sacada. Então, no meio do caminho, coloco-a em frente a um espelho e a abraço por trás. Dançamos a noite inteira. A última de várias outras últimas.
31 de dezembro de 2010
Novidades
Este foi o ano das novidades. O final de 2009 já anunciou que tudo seria diferente dali em diante e decidi mergulhar de cabeça em deixar essa parte de mim dar as caras frequentemente. Tudo foi meio estranho no final do ano passado, mas me mudou de tal forma que comecei 2010 apostando em coisas novas. E fiz: mais de 365 novidades em 365 dias!
Parece muito, mas aprendi duas coisas com essa aventura: 1) que eu era uma pessoa muito privada da vida! e 2) que não ligamos para as pequenas coisas novas que fazemos todos os dias. Por exemplo: eu nunca tinha andado de shorts no ônibus, ou comido uma ameixa ou pintado minhas unhas. São coisas banais, que ninguém acredita que eu nunca tinha feito antes. Mas também fiz coisas como ir à casa de novas pessoas, ir a novos lugares, experimentar coisas... tudo possível no dia-a-dia. Fiz, claro, coisas inusitadas também, sendo a mais estranha ter ido a uma casa de swing. Em 2011, pretendo continuar com minhas novidades.
Este ano, porém, teve outras novidades. “Conheci uma pessoa”, é a peça na qual eu opero o som. Ela ainda está em cartaz. Não parecia muito boa quando comecei a fazer, mas aprendi a rir com ela e gostar muito de seus detalhes – e odiá-los também. Sempre temos maus dias, mas me divirto com ela. Em 2011, continuarei amando fazê-la.
Além disso, meu irmão foi para a Inglaterra. É estranho não o ter comigo sempre. Mas o Skype ajuda e ele está gostando muito. Em 2011, vou visitá-lo, estou ansiosa.
Uma amiga está grávida. Serei tia de um menininho. Em 2011, espero gostar mais de crianças.
A faculdade acabou. Eu me formei. Sou psicóloga. E agora? Acho que vou fazer um curso de adestramento para, um dia, trabalhar para o bem estar canino. Não há nada que eu ame mais que cães. Em 2011, farei isso dar certo.
E, se minha calcinha do ano novo passado funcionou, desse ano há de funcionar de novo! Para dar continuidade à minha fase amarela, vou de amarelo e trarei dinheiro! Mas quero também ter coragem para fazer dar certo meus sonhos.
15 de dezembro de 2010
22 de novembro de 2010
Reconstrução

Eu posso ouvir mais e tentar sorrir nas fotos. Dizer “oi” quando conversam comigo. Eu posso arriscar um diálogo, me abrir mais... Eu queria não me odiar tanto, não odiar tanto os outros. Me mexer mais, desejar e lutar mais. Porque eu sinto algo bom perdido em algum lugar na parte de dentro.
Eu quero tentar ter um pouco mais de fé nas coisas. Eu quero tentar e acreditar que consigo ser maior do que eu posso suportar. Parar de desejar um coração perfeito e construir algo melhor em mim.
Eu posso parar de arrancar as cascas das minhas feridas. Melhor ainda, eu posso parar de me machucar tanto, tentar manter o sangue na parte de dentro. Eu posso parar de usar muitas drogas, tomar muitos remédios e beber perfume quando você não está vendo. Eu posso tentar ouvir menos o que as vozes me dizem. Eu quero parar de querer me matar pelo menos uma vez por dia.
São tentativas, batalhas conquistadas ou perdidas. Mas sou eu, são minhas.
...Falhas construídas.
25 de outubro de 2010
Sad Pony Guerilla Girl
Você sempre me deixa pra trás e me veste como um garoto, me disfarça porque eu sou seu amor secreto. Você diz repetidamente que nenhuma mulher ou garota te fez sentir assim antes. Se encanta com meu sorriso e meu jeitinho de quem brinca com a vida, sem responsabilidades. Você diz que eu sou estúpida por querer ser sua. Uma menina triste.
Eu quero contar pro mundo todo, você pede segredo. Mas eu quero contar quando eu brinco com meus carrinhos e você me pega por trás no banco de trás do meu carrinho. Cavalgando meu pônei eu quero te proteger e fugir com você. Me ama com seu corpo forte e cheio de tatuagens, veste minhas calças, arruma meu sutiã e vai para casa junto a suas outras crianças.
Eu vou te segurar quando tiver muito pesado. Me dê sua arma,"chico", descanse em meus braços, descanse em meu corpo. Você diz com seu sotaque latino que eu sou “loca” por querer ser somente uma garota. Eu quero ser a sua garota, seu amor eterno. Bermudas não me dizem nada, eu quero usar vestido pra sentir suas mãos subindo pelas minhas pernas. Deixa eu brincar com sua arma, vamos passear pelos bairros e atirar em quem for contra nós.
Eu vou ficar quieta e vou contar para todo mundo. E depois eu vou crescer e ficar sem graça e você vai querer me matar. Eu terei minha própria arma para nos proteger. Eu vou ficar quieta, mas vou contar até você descobrir. Então serei só uma menina triste novamente, vestida de guerrilheira com minhas roupas de menino cavalgando sozinha meu pônei, com meus carrinhos e minha arma...
22 de outubro de 2010
Sobre um suéter
“I want to have fun, I want to shine like the Sun, I want to be the one that you want to see, I want to knit you a sweater, want to write you a love letter, I want to make you feel better, I want to make you feel free”. Faltava o suéter. Aceitei o desafio e coloquei-me a aprender como fazer um. Comecei pela cor, lógico, o que eu já sabia. Azul-royal, já que ele, bobo, me disse que essa era a sua cor. Ri da surpresa na resposta sobre a cor favorita, pois não bastava ser “azul é a cor que mais gosto”, nem o já estranho “azul-royal é minha favorita". Tinha que ser “azul-royal é a minha cor”... havia perguntado a predileção, não sua destinação cósmica de cor! Ele riu comigo.
Então, aprendi o resto. Mas logo percebi o tempo que isto me tomaria. Não seriam dias, nem semanas. Seriam meses e meses... um grande investimento. Suspirei. Decidi ir em frente.
Escolhi com cuidado a linha, o tipo de costura e fiz um planejamento de onde queria estar ao final de cada mês. Ele, só observava... deixou todas as decisões para mim – mesmo sendo o suéter para ele.
No início, funcionei como de costume: dediquei-me e trabalhei muito. Nenhuma trança sequer fora de ritmo. Porém, os dias passaram.
Num desses, ele me perguntou como poderia sair com o suéter no tempo, de chuva e vento. Mas como! Mal começado e já com essas perguntas... pressionava-me para uma data de entrega e cogitava a possibilidade de expor meu lindo presente a tais condições perversas. Como poderia imaginar isso em tão pouco tempo de costura? Não me entendeu. Ficou em silêncio na beirada da cama... aposto que imaginando ser aquela época do mês. Dormi enfurecida, enquanto ele me olhava. Não devia.
Acordei. Triste. A vontade de tecer o suéter se foi e eu queria ir junto. Esses detalhes significavam muito, delatam como somos e predizem o futuro. E não gostei do que vi. Decidi ir e fui. Ele nem se mexeu. Mas devia.
Foi a primeira vez que deixei nosso canto. Não encostei mais no suéter. Senti a falta dele, mas ele não veio me buscar. Minha dor aumentava e decidi dar mais uma chance e ignorar os efeitos dos detalhes. Voltei. Assim, de repente. Agora que ele ia pensar mesmo que o que se passou foi a época do mês. Mas não foi.
Surpreso, levantou-se depressa para observar-me novamente tecendo o suéter no meu colo. Eu sorria, pois a saudade era tanta e senti-me boba por ter-lhe deixado. Remendei as linhas que tinha deixado fora do planejado e dormimos juntos.
O inverno chegou. E a vontade de partir também. Os detalhes voltaram para confirmar o futuro de meses atrás. Ele me fazia querer partir, a linha, a agulha, os remendos... tudo. Fazia tudo como um bobo, inclusive silenciar-se na beira da cama. Acabamos dormindo, sem palavras, sem respostas, sem decisões, sem nos tocar.
Acordei e fui. Ventava e estava frio, mas não me importei. Deixei meu lindo suéter para trás... aos pedaços e inacabado. Ele ficaria no frio o restante do inverno, assim como me deixou quando este começou. E em silêncio continuaria, na beirada da cama, imaginando como resolver nossos detalhes. Imaginando o suéter acabado, imaginando ser do meu agrado. Imaginando chorar ao não me ver. Imaginando buscar-me. Mas ele me deixou partir.
“Do you see how you hurt me, baby, so I hurt you too. And we both get so blue...”
Cantava.
28 de setembro de 2010
Companheiro
Cadê?!
Cá! Cantando com colegas, comigo conjuntamente. Chantageei-o com curtas cobertas cobrindo coxas, caindo cuidadosamente com chão. Chato, cessou contato!
Caramba... cadê?!
Contando cada canto, consegui calar comigo carnais chances.
Choque! Cá, compartilhando comigo calorosa calmaria. Como conseguir? Comecei criando contato: caminhei casualmente cabisbaixa. Cruzamos com compostura... corei! Cravei cobiça carnal. Cabe comportar-me com classe convincente, cedendo caras com chances concretas.
Cruzamos, correspondeu-me claramente com cara convidativa.
Calma... chama-me!
Calma... convide-me!
Calma... conquiste-me!
Canalha! Chega, cansei!
Cerco-o com corpo, cicio cínica charada “cansei, camundongo”. Cortês, comigo concorda. Concedo chance conquistadora... contesta-me “cual ceu cigno?”.
COMO?!?!!?!?!
Conquistou... como compreender?
24 de setembro de 2010
Coma White
Nós bebemos da fonte dos prazeres que a insanidade oferece enquanto um Sol se punha e outro apontava o meio-dia. O segundo Sol da noite, assim era chamado. A eterna espiral que confunde o Tempo. Aqui ele não manda nada e significa menos que a areia da ampulheta. A significância do tempo simbologicamente representado pelo objeto do infinito reduz-se a nada mais que uma cachoeira de areia que sufoca e enterra. Sem espaço, só ex-paço.
Eu passeava pelos espaços do espaço enquanto eu sentia os efeitos na minha cabeça. Olhava para o céu e via aquela nebulosa exuberante de cores vibrantes. Há luzes em meu cérebro, como as das ruas. Há ruas que fazem caminhos dentro de mim. Caminhos sensíveis que se modificam a todo instante. Mas quanto é um instante? – Labirintos intelectuais que nos fazem querer decifrar, por isso corremos.
Corremos sem direção ou destino, porque aqui não se para pra descansar, porque senão a loucura, o tempo, o pensamento, tudo pode te pegar e liquidificar a existência do real. Você ria de tudo isso enquanto via sua máscara partir corroída pelo ácido que caia do céu. Quando o mundo está às avessas, pisamos no paraíso enquanto somos destruídos pelos ares. Seu rosto ainda era belo.
Eu vi as luzes saindo de todos os orifícios enquanto nos beijávamos. Eu vi tudo se desfazendo sem som enquanto nos consumíamos. Eu senti a dor de seu coração e a apertei bem forte em minhas mãos, até se desfazer em líquido. No meio da água, vi de olhos fechados o reflexo de um monstro. O mal que não para de me olhar. Então eu abri os olhos.
Acordei de um sonho e percebi que não podemos mentir quando dormimos. O sonhar é a nossa única verdade sincera e sem interesses. É aquilo que simplesmente é, sem começo e sem fim. Os valores e amores se perdem nos labirintos confortantes da mente. Tem vezes em que só queremos acordar. Outras, em que não queremos renascer para vida, como todas as manhãs. Eu adoraria viver um coma.
Amanhã não será um dia bonito.
11 de setembro de 2010
Por Todo Lugar

Eu poderia dizer
Que moro num lugar seguro
Dentro de você
Mas minhas partes estão
Por todo lugar
Se desfazer é fácil
Veja como eu me desfaço
Se desfizer, refaço
Recompor, é bem mais complicado
Quem dera eu tivesse um lar
Ou somente um lugar pra ficar
Descansar o corpo um pouquinho
Guardar o que restou
Caí de novo
E agora vou
Voo
Voo
Voo
Passarinho bate asa
E não volta tão cedo não
Não volta mais pra casa
Não volta, não
Se eu pudesse
Um lar seguro dentro de você
No seu coração

--
*poesia nova pra carimbar o novo caderninho que eu ganhei de presente!
10 de setembro de 2010
Como eu quero*
Sabe o que vou fazer? Vou te passar a tinta. Tirar-te deste rascunho borrado por outras, vou te transformar em arte final. Longe de mim, nada dá certo pra você. Deixa eu te ensinar como ser bem melhor. Isso já estava decidido desde o início, não há como fugir. Você entrou sabendo da cilada, que seria cada um por si, menos você, que será sempre por mim.
Eu quero você como eu quero. Cara de mistério, sempre sério...
***
* Kid Abelha - "Como eu quero"
** Kid Abelha, que nem gosto, mais uma vez de fundo dos meus relaciona-mentos.
9 de setembro de 2010
These are my twisted words
As noites são realmente solitárias. Sinto meu corpo como porcelana partida guardando uma alma quebrada
Meu caderninho de letras não é italiano ou tão chique para ser chamado de moleskine. Minhas palavras saem sem direção, querendo muito mais do que sou capaz.
me calo dizendo tudo em páginas.
Há clareza na fogueira do caos. A tocha ainda está em minhas mãos sujas com a matéria-prima do ódio. Unhas pretas de carvão e sangue seco. Não havia ninguém a minha volta. Eu destruí tudo, eu fodí com tudo.
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*esse rascunho está aqui no blog há quase um ano. eu sempre quis escrever algo legal com esse título 'these are my twisted words', daí nunca consegui. o resultado foram essas frases soltas e perdidas que eu tirei de um dos meus caderninhos de anotações e fui jogando aqui pra ver se clareava a mente. até que fez sentido, essas são minhas palavras torcidas.