
21 de fevereiro de 2007
De Tanto Bater...

...Meu coração parou.
18 de fevereiro de 2007
Aonde o Filho Chora e a Mãe Não Vê
4. [Oswaldo Cruz]
Aonde todos foram parar? O que eu estou fazendo aqui, deitado...? Está tão escuro, já não dói mais, mas por que ainda tenho vontade de chorar?
"Eu quero meu bebê de volta. Vou abrir aquele caixão e tirá-lo de lá! Eu quero meu irmão de volta!"
Aonde estão as pessoas, além da minha família, que estavam comigo, que estavam lutando por justiça, lutando para que eu vivesse um pouco mais?... As bandeiras de protesto viraram confete, os gritos viraram música, a marcha virou samba. Me trocaram por lantejoulas brilhantes e fantasias coloridas que vestem sorrisos em corpos semi-nus.
É carnaval, e eu não aconteci.
3. [Madureira]
Minha mãe não consegue me desvencilhar do cinto e o carro avança como se fosse um dos meus carrinhos de fricção. Fiquei preso pelo abdome. Vi minha família ficando pequena, ficando para trás, exatamente como a fé. Elas corriam em vão e gritavam em vão, pois nada parecia deter aquela atitude atroz. Chamava atenção enquanto quicava e roçava minha carne no asfalto que me dilacerava. Eles sabiam que eu estava ali, eles me olhavam pelo retrovisor e andavam em zigue-e-zague para se desfazer de mim. Me desfiz. Carros e motos buzinavam e davam farol alto para que os homens maus parassem o veículo e ainda pudessem salvar minha vida.
"Na primeira curva, a cabeça bateu na proteção da calçada, e o sangue espirrou na minha roupa - conta um motoqueiro - Comecei a gritar e buzinar, mas vi que a criança já estava morta."
O que fiz pra merecer esse suplício? eu sou só uma criança. Me desculpem, seja o que for que tenha feito pra merecer isso, me desculpem, eu não fiz por mal...
2. [Campinho]
Que gritaria é essa? quem são essas pessoas? Não me parecem amigáveis. Eles tem uma arma que parece com uma de brinquedo que tenho lá em casa. Será que eles querem brincar?
"Questionado sobre se sentia remorso pelo que fez, Diego - um dos assassinos -respondeu "Eu não tenho filho".
Acho que querem uma carona. Não, me enganei, eles querem o carro. Sequestro? Não, só o carro mesmo. Minha mãe, que representa um jardim inteiro sendo apenas uma flor, está tremendo e tentando me desatar do cinto; sempre uso o cinto de segurança - para dar proteção - diz ela. Minha irmã está chorando. E eu. Elas descem do carro, eu quero descer. Nós estavámos indo pra casa nova jantar. Eu gosto muito de macarrão, mas acho que vai ter peixe. Tudo bem.
1. [Cascadura]
Meu nome é Hélio, João Hélio, mas eu não gosto muito de "João" e dizem que tenho esse nome, Hélio - elemento químico de número atômico 2, da família dos gases nobres - por ser mais leve que o ar. Mas isso eu ainda vou aprender. Tenho 6 anos, gosto de brincar, desenhar, ir à escola...
15 de fevereiro de 2007
1 Ano - 100 Previsões.

Eu. Eu... eu. Não sei se existe a possibilidade de me conhecer, pois estou em constante mudança e contraversão; não sei nem se existe a possibilidade de conhecermos alguém. Deve-se enxergar os ossos. Nasce WonderlandO. [uma conversa inusitada na busca de auto-conhecimento. Você, Alice, está contida em mim. Me absorva.]
Seria ele nossa visão raio-x? Através dele, você me vê? Vê mais do que quando realmente estamos juntos? Eu te vejo, não só através de cada letra estrategicamente colocada nos textos, mas também em cada palavra que você exclui de seus pensamentos. Leio o Yuri e o não-Yuri. No entanto, por vezes, não compreendo nem um, nem outro.
A entendo por não entender. Nem eu mesmo entendo (como já havia dito, escrito, gritado, murmurado...). Wonderlando está como pequenos raios-de-sol que invadem as frestas das janelas dum bairro de lama após uma tempestade devastadora. Transparece o que é e o que poderia ter sido; talvez até num momento que ainda dê tempo de ser. Um farol de carro na madrugada que encontra o abandono... E com tristezas, acasos e leves sorrisos, construímos nossa estrada tijolo por tijolo. Pra onde vamos?! Não importa, não me importa...
Realmente não importa? Claro que importa! Aqui está o produto das nossas igualdades e desigualdades e de que ele importaria se nos levasse a caminhos opostos? Ou pior: caminhos paralelos, sem encruzilhadas futuras ou passadas? O Wonderlando é um meio de nós ficarmos nessa mesma estrada. E ele, mesmo em sua tristeza, me inspira alegria de não estar mais sozinha num caminho incerto. O caminho é incerto ou o incerto somos nós? O Wonderlando sabe. [explore-nos]
27 de janeiro de 2007
Felicidades e muitos anos de vida

Mental Floss

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26 de janeiro de 2007
I miss the comfort in being sad

24 de janeiro de 2007
Yesterday I Woke up Sucking a Lemon

Ontem eu saí com ela. Como ela me lembra aquela de que sinto tanta falta. Ela tem os olhos dela, mas não me olham igual; ela tem o jeito dela, mas não é pra mim e, sua risada, se parece tanto com a dela... mas é sem-graça. Elas se parecem tanto que eu sinto raiva. Não quero mais vê-la para não ter de lembrar dela. Ela trabalha comigo. Ela está tão longe. Ela está no restaurante. Ela chora por aí e eu não estou por perto. E ontem, quando ela se aproximava e me encostava, eu desviava quase inconscientemente com medo de que ela fosse ela; e quando ela me dirigia a palavra e conversava, a mágoa ensurdecia e só sorria receptivo, porém neutro. Me fazia calado. Não quero magoa-la de novo, mesmo que ela não seja ela. Elas são tão parecidas... Eu não quero mais vê-la. Eu quero tanto vê-la. Eu não quero saber do seu dia. Eu quero ser o dia dela. Elas não me contam nem me assistem, eu não mereço.
20 de janeiro de 2007
Você é a filha da Profª Rita?
Ela se arrepende de não ter gravado eternamente os momentos passados na faculdade, as salas de aula, seus colegas, o ambiente. Entendo isso pois hoje sou eu que vivo na mesma faculdade, nas mesmas salas de aula, pessoas diferentes, claro, mas ainda sim o mesmo ambiente. Ela sente saudade desse tempo, pois nada restou hoje. Pouco se lembra do cotidiano, dos colegas, do que aprendeu, nenhum amigo presente dividiu a mesma época. Creio que ela teme que eu esteja seguindo o mesmo caminho. Creio que estou.
Ela sabe que estou.
E por causa disso, ouço constantemente seus conselhos para melhorar, me enturmar, ser mais leve e tolerante. Seus anos de faculdade são tão obscuros, porque minha mãe pouco se recorda ou talvez não queira recordar. Porém sinto que ela não o deseja para mim. Ela diz que eu ainda tenho conserto.
No entanto, seu medo me é duvidoso por vezes. Ela é feliz, seguiu a carreira que quis, achou amor e teve filhos lindos e maravilhosos! [hahaahah] Por que então teme tanto a semelhança de nossas vidas?
Coisas que não conta, coisas que vejo, coisas que existem, coisas que não entendo. São feridas sentimentais, de vivências emocionais semelhantes, de maneiras de parecer e ser. Mas o seu fardo foi pior, eu sei. E ela tem que viver essa vida duas vezes.
Só espero que meu destino seja tão feliz quanto o dela. Que eu um dia possa sorrir um sorriso tão bonito quanto o da minha mãe. É um sorriso tão lindo...



