Ando descalço no escuro da madrugada. Sinto a água gelada no piso esfriando minha espinha, fazendo meus pelos levantarem. A cada passo, uma adaga faz uma nova cicatriz. O labirinto que eu fiz em mim não tem saída, mas mostra exatamente onde dói.
Vejo os Cavaleiros do Apocalipse se aproximando cada vez mais, eu me permito. Guardo tudo pra mim a
sete
chaves, a
sete
palmos, em
sete
pedaços estilhaçados do que restou.
Se eu pudesse escolher, pularia ou dormiria. Por incrível que pareça, nós não escolhemos nada. Nós, os suicidas, não temos escolha. A causa é explícita e a consequência varia de acordo com nossas vidas. A vida brinca com a gente o tempo inteiro. Irônico não?
Viver é um jogo que não permite vencedores.
Parece tão errado,
tudo o que eu penso o dia inteiro.
O tempo inteiro
eu acho que sou tão errado.
Então assisto aos meus acidentes imaginários, os acidentes de carro, as marcas que já não cabem mais mentiras, os medos que assumo aos poucos, meus desejos de violência reprimidos. Minha cara esmagada em algum ferro numa rodovia, meu corpo exprimido no asfalto.
Eu sou
o sangue
que ainda não escorreu.
Quanto mais me abro,
mais me sinto fechado.
Se eu fechar os olhos,
sei que
sentirei
minha falta.
Mas eles abertos não me enxergam mais.
Sejam bem-vindos ao outro lado do espelho, onde tudo pode acontecer (e acontece).
Wonderlando é um blog sobre textos diversos, descobrimentos e crescimento. A filosofia gira em torno do acaso, misturando fantasia e realidade de dois amigos que se conheceram também por acaso, Alice - que tem um país só seu -, e Yuri - chapeleiro e maluco nas horas vagas.
Leia, comente e volte sempre... Ou faça como a gente e não saia nunca mais.
4 de maio de 2010
27 de abril de 2010
Gole de Pernas [+18]

Leu os meus borrões e pôs as mãos ao trabalho. Passeou pelo corpo, apertou os próprios seios pequenos e maduros enquanto se admirava no reflexo da janela. Mordeu o lábio inferior e cravou os dedos na púbis, deixando-os se perderem no meio dos poucos pelos.
Do outro lado da cidade, o observador a via na janela. Bebericava uma taça de vinho enquanto tentava entrar dentro dela. Fazendo força para caber, deixando cair o líquido, manchando a camisa e o tapete do quarto sem pudor. Uma mão primeiro, força e logo está o braço inteiro. Mais um pouco e logo entra a cabeça e então o corpo deslizará naturalmente pra dentro.
O reflexo dela fugiu pela janela semi-aberta enquanto os vizinhos assistiam a tudo, estáticos, literalmente paralisados. Ele conseguiu entrar na taça e se afogar goela abaixo, febril em prazeres.
“A sede atroz que me faz louco
Quem a pudera amortecer
Só o vinho que pode caber
Na sua tumba e não é pouco”
Embevecida alma que vem satisfazer luxúrias, aqueça-se no veludo do vinho e no corpo de seu voyeur. O espírito-reflexo da janela então segurou firme seu pau enrijecido e começou a fazer leves movimentos pra cima e pra baixo enquanto ele estava deitado no ar das dúvidas gravitacionais. Ela acaricia a cabeça do pênis passeando por todo seu rosto até encontrar a caçapa de sua boca. Afundou o membro até o fundo da garganta, sentindo o cheiro masculino dos pelos negros de seu amante.
Cambaleando de bêbado e de gozo, dominou seus cabelos e a puxou para um beijo. Enfiou a língua com violência e pode sentir o gosto de seu próprio prazer. Lambeu seus lábios e disse olhando em seus olhos para que ficasse de quatro. Ela deu um sorriso torto, de canto de boca, molhou o pau de seu voyeur com sua boca quente e posicionou-se como uma bela fêmea. Ele então abriu mais ainda sua bunda com as duas mãos, se agachou e começou a lamber aquela boceta encharcada. Mordeu os grandes lábios, chupou os pequenos, enfiou a língua até o fundo e, enquanto lambia freneticamente o clitóris e o ânus, colocou um dedo na caverna molhada, dois, esfregando o ponto áspero, a deixando indefesa. Sentiu sua essência da melhor forma possível e assim, enfiou seu pau com força até o talo naquele oásis.
Conforme enfiava, ela gemia, gritava, pedia para apanhar, empinava ainda mais seu corpo; ele grunia, suava, batia e sentia a carne friccionar uma na outra. Ela pedia mais enquanto ia se curvando pra frente, estremecendo e falhando o corpo, tentando se segurar. Ele enfiava cada vez mais forte e imaginou se ela não poderia ser infinita como aquela taça de vinho. Ela cede e cai pra frente, mergulhando num lago de prazeres.
Ele a segue e os dois vão parar embaixo d’água, flutuando, se tocando e se observando. Se abraçam e se olham por alguns segundos seus corpos rubis cheios de bolinhas de ar e peixes ao redor. Ela nada como sereia rumo ao Sol, até a superfície. Ele novamente a domina, segurando-a pelo pescoço contra a praia. Ela o puxa para seu corpo, o abraça, ergue as pernas aos ares e fica roçando no pau dele até deslizar pra dentro de sua boceta apertada. Enquanto isso ele esfrega a barba em seu pescoço e chupa seus seios duros de tesão. Enfiando bem devagar, sentindo toda a acidez de sua vagina engolindo seu pau enquanto ela arranha suas costas e bate em sua cara, enverga a cabeça pra trás e se entrega. Ela afunda na areia e desaparece, deixando somente o homem na cena, perdido e sujo de vidros e conchas moídos no meio daquela praia.
“No espaço é o brilho das auroras!
Vamos sem rédea, freio ou esporas,
Vamos, cavalo sobre o vinho
Para um céu feérico e divino!”
O chão começa a tremer e ela emerge em cima de um cavalo branco, dominando outros cavalos brancos, que também saem debaixo da terra. Domina seu homem. Ele vai até ela e pula no lombo do eqüino. A abraça por trás sentindo a confiança de seu corpo, começa a masturbá-la enquanto cavalgam. O espírito-reflexo se vira e sobe em cima de seu voyeur, monta nele que monta o cavalo. Rebola e sente todo seu pau dentro dela, almejando o gozo de sua forma como solução para as dores da vida. Ele a abraçava, lambia seu suor, sentia o cheiro e seus batimentos rápidos em diacronia com o ritmo de seu corpo.
Os cavalos cavalgam cada vez mais rápido. Ela cavalga cada vez mais rápido. Ele geme cada vez mais alto e a aperta cada vez mais forte. Mais rápido, pra frente e pra trás, pra cima e pra baixo. Eles fazem música com a sincronia harmoniosa de seus movimentos. Ela então para, estremece e seu prazer ecoa pelo infinito. Os líquidos se misturam, fazendo uma nascente pura. O cavalo não agüenta e cai, derrubando os dois, ainda grudados, no chão.
Os dois caídos nus no deserto de terra batida, com os pulmões se esforçando para retomar o fôlego. É fim de tarde, o silêncio domina quando o galopar dos outros cavalos desaparecem. A mulher espírito-reflexo fica em pé encarando seu homem inerte, quase derrotado. Anda calmamente em sua direção, abre sua boca com um beijo e ele então retoma a virilidade, retorna à vida. O beija bem devagar, sentindo o gosto de sua boca, o conhecendo. Entra em sua boca cada vez mais, ela vai virando névoa e escorregando pra dentro dele como um trago de fumaça. Então Voyeur pode sentir ela por todo seu corpo, andando nele, conhecendo-o internamente. Ele então se contorce e sente vindo da ponta dos pés e das mãos, da cabeça e da nuca, do estômago, uma energia que se canaliza em seu pau. Ela sai pela sua uretra e ele goza incessantemente por alguns segundos como um animal atingido por um bote, lutando pela sua vida enquanto sua dama se mistura ao ar.
Ele volta a sã consciência e está na sala, a observando gozar por aquela janela distante. Ele a ouve gemer, ouve seu desespero de sexo, de dor e prazer. A cidade inteira consegue escutar. Ele com a taça na mão observa o líquido que não é mais vinho, mas sim o fluído das pernas dela. Bebeu tudo num só gole.
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Fazendo parte da série que começou com o I Have the Map of the Piano. Encerra no próximo texto, chamado 28.
19 de abril de 2010
Taking these broken wings and learning to fly
É horrível sentir que se deve ao passado. É uma dívida que não se pode nunca pagar, uma dívida eterna, que me tem sido sempre lembrada e cobrada por você. Isso porque quem de fato deve algo é você. Me deve tanto... mas tanto. Porém, eu já havia feito minhas pazes com isso. Seria uma ferida constante, mas que me ensinou onde não colocar o dedo pra não me machucar. Então tudo bem. Não, seria tudo bem se ficasse por isso. Se seu arrependimento bastasse pra manter essa minha visão, se seu carinho por mim bastasse para eu saber que tudo não foi perda de tempo, se sua preocupação comigo bastasse para eu saber que não fui uma idiota. Mas seu arrependimento, seu carinho e sua preocupação são pesados julgamentos sobre quem eu sou agora, quem é essa Alice, cuja vida você não acompanha mais. E sente-se no direito de reclamar, de se chatear, de criticar uma Alice que você dispensou. Eu fico tão magoada por ouvir suas insanidades que não fazem sentido algum para mim. Mas acho que está claro que são tentativas de não me soltar. Sendo que tudo o que você quer são memórias e isso você já tem. Não posso te dar mais nada do que pede, ou você aceita o que eu dou ou me deixe sozinha, sem cobranças.
Se sou seu passarinho, sabe que odeio gaiolas. Não me protegerá assim. Seu momento de proteção já foi e você falhou. Se me deixou ir num dia chuvoso, me deixe ir quando está sol para mim. É justo comigo, não acha?
14 de abril de 2010
I Have the Map of the Piano

Passeio pelo deserto de sua pele carente. Quente, encosto meu ouvido e ouço o sangue correr pelos rios de suas veias. Até chegar no coração que é meu lugar. Seus olhos fechados vão de um lado para outro. Um sonho... sonhar.
Sou eu divagando desenhando letras nas paredes. Ela faz parte do conjunto, então sede o corpo esguio e esculpido de beleza. Escrevo sem razão em suas costas, deixo dominar o que meu peito insiste no grito:
Em ti, pele e pêlo.
Por ti, faço o meu zelo
Amor
O teu
Quero tê-lo
Fotos registram e capturam o momento de seu corpo, pego desavisado, revelando uma forma feminina que eu desconhecia. Então vejo de verdade. Para mim, esse é o conceito da beleza. É preciso a sensibilidade de artista para entender uma mulher. Para conhecer seus traços e amá-los por serem o que são. É preciso saber fragmentar e sentir com todos os sentidos. Tudo se aflora quando ela está perto de mim.
Perpétua, assim te chamaria se não tivesse nome. O teu corpo é meu mapa para a paz e esperança. Suas costelas são teclas de piano, que eu toco devagar, pensando que se pudesse cantar, sopraria poesia em seus ouvidos. Só para vê-la acordar, ver seu sorriso alegando felicidade. Em seus olhos, a partitura de nossa canção.
Teu corpo é clássico, sua alma, erudita. Neles sou maestro e faço orquestra. Vladimir Horowitz sentiria inveja de mim.
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Não percam os próximos posts: Gole de Pernas e 28.
13 de abril de 2010
Acromático

Acordo com Frédéric Chopin tocando piano ao meu lado.
Tudo está preto e branco como a visão acromática dos cães.
Ao meu leito, apenas minha mãe chorando baixinho, cansada. Calma, eu digo. Eu estou bem.Minha cachorra morta há alguns anos vem correndo em minha direção. Como é bom revê-la.
Saio para respirar o ar e sinto-o atravessando meu corpo, como quando nos escondemos embaixo do lençol só para sentir sua textura nos fazendo carinho, quase como ondas do mar.

Estou numa floresta de árvores secas.
Sinto o frio de outono. Um frio confortante que faz uivar as árvores e me evita a solidão.Minha namorada surge com o ex-namorado. Eles estão de mãos dadas. Hey, ninguém me avisou nada, obrigado pela consideração. Ela está tão triste. Grito sem sucesso, meus lamentos e ofensas não chegam aos seus ouvidos.

Ela desaparece em névoa.

Me lembra as visões de Munch quando eu achava que estava enlouquecendo.
Olho para o céu preto e vejo pontinhos brancos brilhantes como cristais. Então, cores surgem indicando as constelações... Vermelho, azul, verde e rosa. Qual constelação estará escondida em nossos olhares?
Não sei todas por nome, mas as reconheço.
Volto o olhar para a atmosfera terrestre e lá estão outras dezenas de pessoas. Andando sem parar, sem destino.
Não existe mais a casa de onde eu saí, só aquela mata morta. Para onde vão? Posso ir?
Os ambientes se misturam, os fragmentos de minhas memórias agora estão por toda parte. Como cacos estilhaçados. Em minha imagem refletida, apenas um corpo sem rosto.
As roseiras secas no chão formam uma espiral até o céu. Ando por dentro dela e os espinhos são anjos implorando perdão.Será que finalmente minha lucidez desistiu de mim?
O sangue tem cor.
Deixo ele colorir meu corpo por fora enquanto me corto com as lembranças.
Um corvo me observa perto o suficiente para que eu possa tocá-lo. Se eu encostar nele, ele estará morto, porque outros corvos sentirão a essência humana em suas penas e o matarão.
Chopin nos observa enquanto toca. As notas batem fundo dentro de mim, as vibrações das teclas confortam.
Fico pensando em todos que eu já tocara. Em todos que eu não consigo mais ver e deixei sem despedidas.
Há alguém para me salvar.

Vem em minha direção e seus passos formam vida no caminho, crescem grama, flores, pássaros cantam. A reconheço, não acredito. Me arrepio e corro em sua direção, a abraço e começo a chorar.

Um arco-íris corta a cena e tem cor. Um abismo infinito.
No céu, ele que sempre esteve lá.
De repente, tudo começa a desaparecer novamente, ficando cada vez mais escuro, comigo abandonado no breu. Não deu tempo.
A maldita música que não consigo parar de escutar.Só lamento por não ter conseguido me despedir de ninguém. No fundo, o diabo nunca vai deixar de me olhar.
Tudo terminou acromático em mim.
Me deixando sentir um vazio por dentro.
Um vazio sem fim.
Às vezes eu fico pensando se os sonhos não são um paralelo de outra realidade, entende?
---------
legenda das fotos:
01. Mulher Chorando Frente ao Leito - Edvard Munch
02. Frédéric Chopin
03. Alexander Binder
04. Alexander Binder
05. Alexander Binder
06. Separação - Edvard Munch
07. Alexander Binder
08. A Divina Comédia
09. Man Ray
10. Alexander Binder
11. Alexander Binder
5 de abril de 2010
Nada Vai Mudar.txt
Vejo o tempo passando devagar
Divago entre pensamentos
Nada vai mudar
Não importa o que eu deseje
Está além das estrelas
Fecho os olhos só para vê-la
Respirando de novo
E voltando pra mim
O amor é um jardim
De flores mortas
E nada vai revivê-las
Não importa o que eu deseje
Está além das estrelas
Quantos somos em um único ser?
E quanto ainda podemos ser?
Nem uma tempestade de palavras
Conseguiria responder
1955180210
---------------não me sinto motivado.
Divago entre pensamentos
Nada vai mudar
Não importa o que eu deseje
Está além das estrelas
Fecho os olhos só para vê-la
Respirando de novo
E voltando pra mim
O amor é um jardim
De flores mortas
E nada vai revivê-las
Não importa o que eu deseje
Está além das estrelas
Quantos somos em um único ser?
E quanto ainda podemos ser?
Nem uma tempestade de palavras
Conseguiria responder
1955180210
---------------não me sinto motivado.
23 de março de 2010
Controle
Acordei com vontade de destruir as belezas naturais. Ceifar todas as flores, secar todas as folhas e apodrecer todos os frutos. Tenho vontade de me sobrepor a Natureza para ser enterrado no meio das nuvens, e depois, chover por todo lugar.
Tentem entender que nada me conserta, que eu não fui criado para crescer assim. Me questiono sobre o significado dos meus sentidos. Por que existem as cores, se a luz e a sombra me são suficientes? Existência... O que isso importa? Eu existo nos melhores termos que eu posso.
O passado não é parte do futuro. O presente está entregue. Neste tempo, eu perdi o controle.
"I'll walk you through the heartbreak,
Show you all the out takes,
I can't see it getting higher,
Systematically degraded,
Emotionally a scapegoat,
I can't see it getting better."
Tentem entender que nada me conserta, que eu não fui criado para crescer assim. Me questiono sobre o significado dos meus sentidos. Por que existem as cores, se a luz e a sombra me são suficientes? Existência... O que isso importa? Eu existo nos melhores termos que eu posso.
O passado não é parte do futuro. O presente está entregue. Neste tempo, eu perdi o controle.
"I'll walk you through the heartbreak,
Show you all the out takes,
I can't see it getting higher,
Systematically degraded,
Emotionally a scapegoat,
I can't see it getting better."
19 de março de 2010
Primeira tentativa
Nunca havia visto você chorar. Você já me viu tantas vezes... naquele mesmo dia, eu chorava e você olhava. Suas reações ambivalentes são duas: ou me manda parar de chorar, com sua estupidez oculta num falso “por favor”, ou me abraça, atordoado pela dor afligida sem visão de reparo. Sinto que seus instrumentos são escassos. Grosseria ou um mero amparo físico. Suas palavras frágeis não dão conta do momento. Sobre sua falta de sensibilidade, choro mais; sobre sua falta de outras ações de consolo, tento me acalmar para te acalmar. Sei o quanto desesperado você fica quando me fere.
Então por que fere?
Sem respota, coube a mim pontuar a sentença: vi, claramente, seu desespero, ainda coberto pela indiferença do “tanto faz”. Segurou meus pertences como certeza da minha estadia. Veja bem: há o concreto e a ideação. Poderia me pôr em cativeiro, mas eu não mudaria de ideia. Tentei uma saída algumas vezes mais e desisti sentada na cama, a chorar baixinho. Naquele momento, não poderia ter nada do que queria.
Entre grosserias e brutalidades, desatei a desistir. Chorei para expelir-te de mim. De dentro pra fora. Ao meu lado, me abraçou. Tentava tirar-te de dentro de mim e você lá, tentando se colar dentro novamente.
Tempo se passa, as posições se alteram. Frente a frente, evito seu olhar para chorar comigo mesma. Em território inimigo, nos escondemos como podemos. Você, também, conversa consigo mesmo. E chora. Desconfiada, observo para ver o quão real é, será que é teatro? Ao ver seus lábios vermelhos tremerem, reconheço tal fenômeno, sentido por dentro. Segura o choro, afinal, é isso que os homens fazem. Suas lágrimas escorrem, sem olhar para mim.
Em busca da verdade dita, questiono “por que chora?”. Ouço um discurso sobre minha ausência. Percebo que você senti-la-ia mais do que o inverso. Se é assim, te abraço.
Se você não quer me perder, por que tenta?
(09.03.09)
14 de março de 2010
Adeus, Rambo
Rambo era um cão inteiro preto, forte e simpático. O dono das terras. Todos o obedeciam, era o chefe da matilha. Mandava os outros cães correrem, voltarem, latirem ou ficarem quietos. E, como um bom chefe, era o mais esperto. Sabia pular a sacada e ficar na varanda, pois tinha direitos, era o mais velho de lá. Bastava uma virada de rosto e Rambo entrava e se sentava num tapete ou numa cadeira.
Com o passar dos anos, Rambo foi envelhecendo. Já não corria com os outros, mas ainda comandava a matilha. Em seu lar, era o único com uma casinha, na qual se lia "RAMBO".
Nestes últimos anos, Rambo estava velho e doente. Saía pouco de casa, latia pouco, andava com dificuldade. Fedia. Fedia muito, tinha problemas de pele. Mas quando viu um de nós, encostava seu pesado e cansado corpo no nosso, pedindo carinho.
Soube hoje que ele estava muito mal. Uivava muito de dor. Até que não se ouviu mais seus uivos. Quando foi-se verificar o que aconteceu, Rambo estava na represa. Acredito que ele viveu tudo o que quis e decidiu seu fim.

10 de março de 2010
Papel Molhado
Eu estou me tornando indefinido a cada dia que passa. Desaparecendo, perdendo o foco do que é. Às vezes eu me sinto tão fino e frágil. Às vezes eu acho que minha insignificância me torna invisível e posso ver através de mim mesmo. Então sinto seu abraço para mostrar que somos reais. Eu sinto suas unhas fazendo feridas que eu insisto em cutucar. É só uma tentativa de cavar uma porta e tentar me esconder em mim mesmo. Eu consegui atravessar e me tornar o invisível dentro do invisível, a forma mais abstrata na qual me vejo.
Como se eu soubesse que era algo ruim, me deixei amar. Me deixei guiar pelo perfume da sua pele de papel, embrulhar meus segredos nos seus cabelos mortos e mergulhar fundo dentro de você. Eu sou essa dor no teu coração, e quando pensei que estivesse livre, você se tornou o vazio infinito dentro do meu peito. Eu acho que te inventei só para me machucar. E funcionou.
Quase todo dia eu esqueço que estou vivo. Eu não devia ouvir e não devia acreditar. Mas eu ouço. Mas eu acredito. Eu costumava ser alguém, e agora nada pode me parar. Não há nada a temer, porque tudo o que eu sempre quis está dentro de uma lágrima.
Seus olhos de amendoim bóiam no choro tempestuoso. Encosto meu rosto no teu, misturando o sumo de corações apertados. Somos tão frágeis e tristes quanto papéis molhados, de letras borradas, até nos resumirmos ao nada. Agora eu sei porque as coisas não são tão lindas por dentro.
Tudo é de papel e está cheio d'água.
Como se eu soubesse que era algo ruim, me deixei amar. Me deixei guiar pelo perfume da sua pele de papel, embrulhar meus segredos nos seus cabelos mortos e mergulhar fundo dentro de você. Eu sou essa dor no teu coração, e quando pensei que estivesse livre, você se tornou o vazio infinito dentro do meu peito. Eu acho que te inventei só para me machucar. E funcionou.
Quase todo dia eu esqueço que estou vivo. Eu não devia ouvir e não devia acreditar. Mas eu ouço. Mas eu acredito. Eu costumava ser alguém, e agora nada pode me parar. Não há nada a temer, porque tudo o que eu sempre quis está dentro de uma lágrima.
Seus olhos de amendoim bóiam no choro tempestuoso. Encosto meu rosto no teu, misturando o sumo de corações apertados. Somos tão frágeis e tristes quanto papéis molhados, de letras borradas, até nos resumirmos ao nada. Agora eu sei porque as coisas não são tão lindas por dentro.
Tudo é de papel e está cheio d'água.
8 de março de 2010
Babel
A chuva de miçangas pretas e vermelhas confirmava a zica. O ciclo que estoura sem esforço e se espalha aos meus pés. Me ajoelhei para recolher aquelas contas de massa vitrificada espalhadas por todo o chão, escondidas pelo meu corpo. Quem me ajudou, não me ajuda mais. Se eu estivesse sozinho, teria engolido a guia inteira para satisfazer meus estranhos anseios, assim como fazia ao beber os vidros de perfume em segredo - o gosto ácido me lembra vida. Mas ela estava comigo, não quis assustá-la.
Na igreja vazia da Santa Cruz foi onde encontrei o silêncio absoluto para as tormentas da minha cabeça, enquanto perambulava a pé o caminho até em casa. Circulei pelos santos, toquei nos símbolos proibidos às mãos, quis confessar. Atravessei a cortina e o breu tomou conta dos meus olhos. Não tinha ninguém do outro lado do confessionário, continuei falando. Melhor assim, sem ninguém para eu arrastar para o meu inferno.
Na saída, roubei o que achei ser um escapulário, mas descobri depois que era um terço azul clarinho. Na rua, olhei mais atentamente para o meu novo troféu a fim de conhecer os detalhes do que agora era meu. Quando meus olhos encontraram a cruz, ela escapou e caiu no asfalto escuro. E desapareceu. Procurei Jesus em vão. Guardei o souvenir me sentindo mais derrotado do que quando entrei.
Os caminhos que escolho são tortuosos, por mais paraíso que pareça. Consigo transformar as mais belas pinturas da Natureza em monstros. Consigo transformar os mais belos acasos em perfeitas desarmonias ruinosas, graças ao meu infinito pensar. Meu corpo é Babel e toda vez que cresço, comino ao fracasso. As veias são caminhos cheios de sangue. No peito bate algo que a razão não compreende. Os olhos enxergam o que não é tido como real. Vejo o coração como uma flor que não cuidei, deixei tudo rachar e morrer. Eu sou o mau. Eu sou a destruição.
De tudo e todos à minha volta.
Na igreja vazia da Santa Cruz foi onde encontrei o silêncio absoluto para as tormentas da minha cabeça, enquanto perambulava a pé o caminho até em casa. Circulei pelos santos, toquei nos símbolos proibidos às mãos, quis confessar. Atravessei a cortina e o breu tomou conta dos meus olhos. Não tinha ninguém do outro lado do confessionário, continuei falando. Melhor assim, sem ninguém para eu arrastar para o meu inferno.
Na saída, roubei o que achei ser um escapulário, mas descobri depois que era um terço azul clarinho. Na rua, olhei mais atentamente para o meu novo troféu a fim de conhecer os detalhes do que agora era meu. Quando meus olhos encontraram a cruz, ela escapou e caiu no asfalto escuro. E desapareceu. Procurei Jesus em vão. Guardei o souvenir me sentindo mais derrotado do que quando entrei.
Os caminhos que escolho são tortuosos, por mais paraíso que pareça. Consigo transformar as mais belas pinturas da Natureza em monstros. Consigo transformar os mais belos acasos em perfeitas desarmonias ruinosas, graças ao meu infinito pensar. Meu corpo é Babel e toda vez que cresço, comino ao fracasso. As veias são caminhos cheios de sangue. No peito bate algo que a razão não compreende. Os olhos enxergam o que não é tido como real. Vejo o coração como uma flor que não cuidei, deixei tudo rachar e morrer. Eu sou o mau. Eu sou a destruição.
De tudo e todos à minha volta.
3 de março de 2010
Centro de São Paulo, cinema pornô e dois dados fulmegantes +18
A vida
[no centro de São Paulo]
já é estranha por si só.
Quarta-feira de cinzas. 2010.
Dois. Dobrei a bermuda até o meio da coxa, pus um Trident na boca e atravessei a Santa Ifigênia, de shortinho, regata, óculos de sol e chiclete. Encontrei muito mais do que eu queria, mas não encontrei o que procurava.
Tinha tempo livre hoje de manhã, a cabeça cheia de parafernálias antigas que vieram me incomodar, misturando as merdas atuais com os rebuliços de antes. Por que não brincar?, já faz tanto tempo e não tenho nada melhor a fazer enquanto estou perdido no centro. Cinco.
Cinco. Penso. Não, não se pode pensar na escolha dada, já foi feita, sorria e faça com vontade. Vou ao apartamento dela. No caminho, o fedor de mendigos que não estão mais ali – uma mistura de lixo, suor e fezes digna de uma boa careta matinal -, outros jogados nas calçadas, pombos, gente, policiais, ratos, camelôs... Nem sei mais a diferença de um para outro. Quanto tempo faz desde a última vez? Ahh é, dezembro. – Oi. Um pico logo pela manhã, para acordar com disposição. – Você por aqui, baby, que surpresa... agradável, eu acho – disse com uma voz cansada de carnaval, num corpo cansado de carnaval. Claudia havia largado toda sua vidinha burguesa e patética para virar puta no centro. Respeito. - Só tem morfina, baby. – Beleza -, disse com a afobação de uma criança querendo correr pro fliperama, mas odiando sempre esse lance de "baby", soa tão falso e não precisamos disso. Cinco de novo. Pago o que devo e vou embora.
Devo andar até a 24 de Maio, entro na Galeria, fechada, dou umas voltas furadas. Saio do mesmo jeito que entrei, perdido, sonolento, passado, confuso com a vida, entre muitas outras coisas. Passo em frente a um desses cinemas pornôs. Um. Volto ao local. Tem cinema e cabine.
Seis. R$ 1,00 por cinco minutos de cabine, é um preço razoável para uma punheta desonesta. Não sei como essas coisas funcionam, sempre tive curiosidade, mas nunca havia adentrado um pornozão do centro. Sei que devo dar R$ 1,00 à moça do caixa. Ela me retorna uma ficha, dou uma olhada no catálogo exposto na parede, que explica em imagens o que cada um dos oito canais têm a oferecer.
O corredor é escuro, iluminado por uma luz negra fraca. Gemidos de mulheres ecoam alto caminho a fora. Me senti intimidado. Ando entre as cabines, que ficam do lado direito, algumas ocupadas. Comigo entra um cara, um tio sem importância. Me olha com culpa, devolvo o olhar com orgulho. Cabine 9, ele vai na 8. Tenho cinco minutos. O que fazer agora? Coloquei a mochila na cadeira, inseri a ficha e zapeei os canais em pé.
1. Pornô gay. Um cara lambendo o cu do outro e tocando uma pro mesmo outro.
2. Zoofilia. Uma mulher chupando o pênis de algum animal que até agora não consegui identificar.
3. Hetero. Morena dessas ninfetinhas, perceptivelmente a contra-gosto, chupando o pau do cara e não gostando daquilo.
4. Hetero. Loira acabadinha chupando um cara, mas com vontade. Closes na buceta e no cu dela pro ar enquanto chupa. Bela cena.
5. Fora do ar.
6. Hetero. Sexo sem-graça com uma peluda estranha.
7. Fora do ar.
8. Threesome. Um cara e duas garotas. A da pele branca com os cabelos tingidos de vermelho fica só na assistência enquanto o cara enterrava a piroca no rabo da morena gostosinha e bonita.
Nada a ver com o catálogo na parede da entrada.
O dado dizia: masturbe-se. Lá fui eu a muito esforço abaixar a bermuda ali naquele cubículo sujo, cheio de outros homens espalhados, com as paredes sujas de multidões. Na verdade, nada visível, parecia bem limpo até – não que alguém devesse arriscar. A TV 14” dividia a atenção com os avisos de que “É proibido fumar” e “É proibido entrar acompanhado na cabine. Não insista!”. Não sentia a mínima vontade de sexo naquele momento, naquele lugar. Restava agora ver qual canal seria dono dos meus lonely soldiers.
UM!
Mentira! Hahaha. Deu seis de novo, ou seja, eu teria direito a 30 segundos mais ou menos para cada canal. O som é bem alto, todos ouvem o que você assiste. Tenso. No final de tudo, lá estava uma parte de mim cuspida naquele chão quadriculado. A TV desliga sozinha. Subo a bermuda numa cena decadente. Olho a parede no meu lado direito e tem um buraco na altura do pênis. Interessante. O tio da 8 tinha acabado de sair, então olhei pelo buraco, óbvio. Tomei um puta susto, tinha outro cara lá, mas dessa vez, passando um pano no chão que devia estar mais sujo que o próprio chão.
Limpei o meu vestígio em mim mesmo, me perguntando puto como não tem um papel naquela porra? Literalmente, porra. Volto ao corredor bizarro e a primeira coisa que olho é um daqueles troços que ficam pendurados no banheiro com papel toalha, ali, inerte bem no meio daquela paredona preta. Que merda. Tudo bem. O tio saiu comigo e parecíamos um casal indo ao altar. Cônjuges que antecederam a lua-de-mel.
Tomei um suco de laranja na saída e, com a mochila mais pesada do que nunca no meu corpo picado, gozado, dolorido, relaxado e cansado ao mesmo tempo, subi a Consolação a pé e fui trabalhar. Fim.
[no centro de São Paulo]
já é estranha por si só.
Quarta-feira de cinzas. 2010.
Dois. Dobrei a bermuda até o meio da coxa, pus um Trident na boca e atravessei a Santa Ifigênia, de shortinho, regata, óculos de sol e chiclete. Encontrei muito mais do que eu queria, mas não encontrei o que procurava.
Tinha tempo livre hoje de manhã, a cabeça cheia de parafernálias antigas que vieram me incomodar, misturando as merdas atuais com os rebuliços de antes. Por que não brincar?, já faz tanto tempo e não tenho nada melhor a fazer enquanto estou perdido no centro. Cinco.
Cinco. Penso. Não, não se pode pensar na escolha dada, já foi feita, sorria e faça com vontade. Vou ao apartamento dela. No caminho, o fedor de mendigos que não estão mais ali – uma mistura de lixo, suor e fezes digna de uma boa careta matinal -, outros jogados nas calçadas, pombos, gente, policiais, ratos, camelôs... Nem sei mais a diferença de um para outro. Quanto tempo faz desde a última vez? Ahh é, dezembro. – Oi. Um pico logo pela manhã, para acordar com disposição. – Você por aqui, baby, que surpresa... agradável, eu acho – disse com uma voz cansada de carnaval, num corpo cansado de carnaval. Claudia havia largado toda sua vidinha burguesa e patética para virar puta no centro. Respeito. - Só tem morfina, baby. – Beleza -, disse com a afobação de uma criança querendo correr pro fliperama, mas odiando sempre esse lance de "baby", soa tão falso e não precisamos disso. Cinco de novo. Pago o que devo e vou embora.
Devo andar até a 24 de Maio, entro na Galeria, fechada, dou umas voltas furadas. Saio do mesmo jeito que entrei, perdido, sonolento, passado, confuso com a vida, entre muitas outras coisas. Passo em frente a um desses cinemas pornôs. Um. Volto ao local. Tem cinema e cabine.
Seis. R$ 1,00 por cinco minutos de cabine, é um preço razoável para uma punheta desonesta. Não sei como essas coisas funcionam, sempre tive curiosidade, mas nunca havia adentrado um pornozão do centro. Sei que devo dar R$ 1,00 à moça do caixa. Ela me retorna uma ficha, dou uma olhada no catálogo exposto na parede, que explica em imagens o que cada um dos oito canais têm a oferecer.
O corredor é escuro, iluminado por uma luz negra fraca. Gemidos de mulheres ecoam alto caminho a fora. Me senti intimidado. Ando entre as cabines, que ficam do lado direito, algumas ocupadas. Comigo entra um cara, um tio sem importância. Me olha com culpa, devolvo o olhar com orgulho. Cabine 9, ele vai na 8. Tenho cinco minutos. O que fazer agora? Coloquei a mochila na cadeira, inseri a ficha e zapeei os canais em pé.
1. Pornô gay. Um cara lambendo o cu do outro e tocando uma pro mesmo outro.
2. Zoofilia. Uma mulher chupando o pênis de algum animal que até agora não consegui identificar.
3. Hetero. Morena dessas ninfetinhas, perceptivelmente a contra-gosto, chupando o pau do cara e não gostando daquilo.
4. Hetero. Loira acabadinha chupando um cara, mas com vontade. Closes na buceta e no cu dela pro ar enquanto chupa. Bela cena.
5. Fora do ar.
6. Hetero. Sexo sem-graça com uma peluda estranha.
7. Fora do ar.
8. Threesome. Um cara e duas garotas. A da pele branca com os cabelos tingidos de vermelho fica só na assistência enquanto o cara enterrava a piroca no rabo da morena gostosinha e bonita.
Nada a ver com o catálogo na parede da entrada.
O dado dizia: masturbe-se. Lá fui eu a muito esforço abaixar a bermuda ali naquele cubículo sujo, cheio de outros homens espalhados, com as paredes sujas de multidões. Na verdade, nada visível, parecia bem limpo até – não que alguém devesse arriscar. A TV 14” dividia a atenção com os avisos de que “É proibido fumar” e “É proibido entrar acompanhado na cabine. Não insista!”. Não sentia a mínima vontade de sexo naquele momento, naquele lugar. Restava agora ver qual canal seria dono dos meus lonely soldiers.
UM!
Mentira! Hahaha. Deu seis de novo, ou seja, eu teria direito a 30 segundos mais ou menos para cada canal. O som é bem alto, todos ouvem o que você assiste. Tenso. No final de tudo, lá estava uma parte de mim cuspida naquele chão quadriculado. A TV desliga sozinha. Subo a bermuda numa cena decadente. Olho a parede no meu lado direito e tem um buraco na altura do pênis. Interessante. O tio da 8 tinha acabado de sair, então olhei pelo buraco, óbvio. Tomei um puta susto, tinha outro cara lá, mas dessa vez, passando um pano no chão que devia estar mais sujo que o próprio chão.
Limpei o meu vestígio em mim mesmo, me perguntando puto como não tem um papel naquela porra? Literalmente, porra. Volto ao corredor bizarro e a primeira coisa que olho é um daqueles troços que ficam pendurados no banheiro com papel toalha, ali, inerte bem no meio daquela paredona preta. Que merda. Tudo bem. O tio saiu comigo e parecíamos um casal indo ao altar. Cônjuges que antecederam a lua-de-mel.
Tomei um suco de laranja na saída e, com a mochila mais pesada do que nunca no meu corpo picado, gozado, dolorido, relaxado e cansado ao mesmo tempo, subi a Consolação a pé e fui trabalhar. Fim.
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