Confesso que pensei intensamente num curto prazo de tempo quais seriam as minhas serendipities. Ou seja, não pensei muito sobre isso. Não consegui encontrar tantas descobertas felizes e inesperadas. Uma delas que posso afirmar é você. É Alice, VOCÊ! Nos conhecemos por total acaso porque você nem gostava de mim, pra dizer a verdade. Passamos um ano inteiro, eu com minha indiferença e um pouco de curiosidade sobre você, e você com seu preconceito e raivinha até "infantil" sobre mim; e no final do mesmo ano de 2005, começamos a nos falar como se sempre nos falássemos. Tudo bem que tínhamos amigos em comum, mas até aí, os tivemos quase o ano todo. Olhe para nós hoje... Quem diria?! Yu & Alice. [temos até o wonderlandinho]
Outa serendipitie são os amigos que conquistei por total acaso. Não digo os amigos de colégio que envolve também uma questão de costume, mas os amigos de puro acaso mesmo, como o Fel ou a Ju Pinguim. Essa última com certeza é a minha maior e melhor serendipitie de todas.
................... Se lembrar de mais alguma escrevo nesse espaço que deixei aí. Mas não consegui pensar em nada além de pessoas.
Como pude esquecer do amor? [nossa, eu esquecer do amor?! que coisa não!] O amor que descobri e entendi somente esse ano. Talvez ele exista de verdade.
Sejam bem-vindos ao outro lado do espelho, onde tudo pode acontecer (e acontece).
Wonderlando é um blog sobre textos diversos, descobrimentos e crescimento. A filosofia gira em torno do acaso, misturando fantasia e realidade de dois amigos que se conheceram também por acaso, Alice - que tem um país só seu -, e Yuri - chapeleiro e maluco nas horas vagas.
Leia, comente e volte sempre... Ou faça como a gente e não saia nunca mais.
7 de novembro de 2006
26 de outubro de 2006
As esquecidas verdades
Quero saber a verdade, quero falar a verdade, tenho medo da verdade, tenho medo de mudar. Mas isso tem que parar, se esse medo não for vencido, quem será derrotada serei eu. O meu legado será minha carcaça e não minhas atitudes ou as marcas que deixei, mesmo que não tenham sido em pessoas.
Por isso, vamos relembrar o nosso antigo trato. Minha proposta do Acaso aparentemente não suscitou o objetivo desejado, incomodou não só a você, mas a mim também. Muito provavelmente por razões distintas, um dia a serem compartilhadas, quem sabe. No entanto, a idéia anterior ainda não foi realizada, as nossas verdades não foram confrontadas e minha vergonha não foi derrubada. Creio que é momento de retomarmos a bela idéia e decidir os limites de sua forma.
Hoje algo me foi clarificado. Quanto se pode saber pelo que não é dito, realmente entendi o porquê. Porém, o não explicitado não é o mesmo que inexistente ou inacessível. Tudo que não sabemos nós preenchemos com fantasias e ilusões, que dizem muito sobre nós. São importantes essas fantasias, as histórias que criamos para manter a esperança nas pessoas, elas vão incrementar nosso interesse, nossa curiosidade. São essenciais para o vínculo. E muito se pode saber sobre outros e nós mesmos a partir do que é projetado, imaginado e sonhado pelos outros.
Sei que é difícil conceber essas coisas, é um automatismo que temos, algo tão natural, complicado de identificar. Então, pensei em começar por aqui, pelo que projetamos sobre o outro, o imaginado sobre o obscuro e desconhecido.
O que acha desse caminho? Para onde será que ele nos levará?
Por isso, vamos relembrar o nosso antigo trato. Minha proposta do Acaso aparentemente não suscitou o objetivo desejado, incomodou não só a você, mas a mim também. Muito provavelmente por razões distintas, um dia a serem compartilhadas, quem sabe. No entanto, a idéia anterior ainda não foi realizada, as nossas verdades não foram confrontadas e minha vergonha não foi derrubada. Creio que é momento de retomarmos a bela idéia e decidir os limites de sua forma.
Hoje algo me foi clarificado. Quanto se pode saber pelo que não é dito, realmente entendi o porquê. Porém, o não explicitado não é o mesmo que inexistente ou inacessível. Tudo que não sabemos nós preenchemos com fantasias e ilusões, que dizem muito sobre nós. São importantes essas fantasias, as histórias que criamos para manter a esperança nas pessoas, elas vão incrementar nosso interesse, nossa curiosidade. São essenciais para o vínculo. E muito se pode saber sobre outros e nós mesmos a partir do que é projetado, imaginado e sonhado pelos outros.
Sei que é difícil conceber essas coisas, é um automatismo que temos, algo tão natural, complicado de identificar. Então, pensei em começar por aqui, pelo que projetamos sobre o outro, o imaginado sobre o obscuro e desconhecido.
O que acha desse caminho? Para onde será que ele nos levará?
14 de outubro de 2006
6 de outubro de 2006
O vazio falha-nos a completude
Será que precisamos ter para valorizar?
O problema não é perder e só então ver o quanto aquilo era essencial na vida. A questão é a necessidade do homem em possuir todas as coisas, como objetos de coleção, raros ou não, especiais ou não. Tudo pelo ordinário prazer de “ter”, pelo mesquinho título de detentor e a suposta máscara de controlador.
As infindas tentativas de nos tornarmos os Senhores dos Fantoches nos levam à solidão. No fim, como saber se nossas relações foram construídas a dois, conquistadas ou forçadas por nós? Como saber se elas são de nossa possessão ou se são porque somos privilegiados e merecedores da tal convivência?
Desse modo possuidor, perdemos nosso valor. Somos coisificados e coisificamos as pessoas ao nosso redor. Pois só é possível ter uma coisa. O resto é uma relação de reciprocidade, não de possessão. Esta relação pode então ser correspondida pelo outro. No entanto, isso não se pode exigir de ninguém ou obrigar alguém a fazer isso, se não, recai-se novamente no relacionamento coisificado.
Só assim é possível perder algo. Considerando a relação uma reciprocidade, nunca se perde, ela apenas muda e se torna necessária uma adaptação das pessoas. Não se perde, não se ganha. As situações se alteram, mas continuam lá, diferentes, doloridas ou coloridas.
Quanto à valorização dessas relações, cabe-se pensar, uma vez que elas não desaparecem e somente se transformam, teria sido ela valorizada quando causava o bem? Em caso negativo, é impossível exigir agora uma volta ao estágio anterior. Deve-se se manter ciente no momento vivido, porque não se vive o passado ou o futuro. Quem perdeu e valorizou apenas depois não mereceu a relação, não estava presente.
Porém as mudanças são feitas por nós. As presentes relações podem melhorar e ser valorizadas no agora, para que não sejam perdidas no futuro. Quando valorizamos alguém não a tornamos um objeto e não a perdemos, mas mudamos o modo como nos relacionamos com ela. E aprendemos com o novo.
Mas o ser humano é cego, é ausente para os outros e para sua própria vida. É óbvio que precisam perder para valorizar, é óbvio que precisam possuir para se sentirem humanos, é lógico que precisam ser possuídos para se sentirem amados. E é por causa dessa possessão que perdemos os outros e os outros nos perdem.
Somos os detentores do nada.
***
Usei uma matéria que tive essa semana para chegar nessas conclusões. Interessante.
***
Conte-me suas serendipities*.
*serendipity (inglês) : faculdade de fazer, acidentalmente, descobertas felizes e inesperadas.
O problema não é perder e só então ver o quanto aquilo era essencial na vida. A questão é a necessidade do homem em possuir todas as coisas, como objetos de coleção, raros ou não, especiais ou não. Tudo pelo ordinário prazer de “ter”, pelo mesquinho título de detentor e a suposta máscara de controlador.
As infindas tentativas de nos tornarmos os Senhores dos Fantoches nos levam à solidão. No fim, como saber se nossas relações foram construídas a dois, conquistadas ou forçadas por nós? Como saber se elas são de nossa possessão ou se são porque somos privilegiados e merecedores da tal convivência?
Desse modo possuidor, perdemos nosso valor. Somos coisificados e coisificamos as pessoas ao nosso redor. Pois só é possível ter uma coisa. O resto é uma relação de reciprocidade, não de possessão. Esta relação pode então ser correspondida pelo outro. No entanto, isso não se pode exigir de ninguém ou obrigar alguém a fazer isso, se não, recai-se novamente no relacionamento coisificado.
Só assim é possível perder algo. Considerando a relação uma reciprocidade, nunca se perde, ela apenas muda e se torna necessária uma adaptação das pessoas. Não se perde, não se ganha. As situações se alteram, mas continuam lá, diferentes, doloridas ou coloridas.
Quanto à valorização dessas relações, cabe-se pensar, uma vez que elas não desaparecem e somente se transformam, teria sido ela valorizada quando causava o bem? Em caso negativo, é impossível exigir agora uma volta ao estágio anterior. Deve-se se manter ciente no momento vivido, porque não se vive o passado ou o futuro. Quem perdeu e valorizou apenas depois não mereceu a relação, não estava presente.
Porém as mudanças são feitas por nós. As presentes relações podem melhorar e ser valorizadas no agora, para que não sejam perdidas no futuro. Quando valorizamos alguém não a tornamos um objeto e não a perdemos, mas mudamos o modo como nos relacionamos com ela. E aprendemos com o novo.
Mas o ser humano é cego, é ausente para os outros e para sua própria vida. É óbvio que precisam perder para valorizar, é óbvio que precisam possuir para se sentirem humanos, é lógico que precisam ser possuídos para se sentirem amados. E é por causa dessa possessão que perdemos os outros e os outros nos perdem.
Somos os detentores do nada.
***
Usei uma matéria que tive essa semana para chegar nessas conclusões. Interessante.
***
Conte-me suas serendipities*.
*serendipity (inglês) : faculdade de fazer, acidentalmente, descobertas felizes e inesperadas.
27 de setembro de 2006
Dyin' to Live
Uma senhora entra no ônibus ajudada por um rapaz. Ela se senta e conversa como ainda existe bondade em alguns jovens. Ela é muito esperançosa, logo entenderá o porquê. Começa a desabafar sobre como perdeu sua perna esquerda que até então eu não havia percebido sua deficiência. Um ônibus da Cometa [ela frisou várias vezes a marca da companhia] a caminho do Rio de Janeiro, no carnaval, três anos atrás, sofreu um acidente e o motor começou a pegar fogo. Ela, assistindo aquilo desesperada resolveu pular a janela estilhaçada do ônibus em movimento. Foi aí que sua perna foi decepada pelo vidro e logo em seguida o ônibus capotou matando todo mundo - TODO MUNDO - ela dizia em voz alta. Pude sentir paixão, fé e orgulho em sua voz... tudo assim, ao mesmo tempo. Ela disse que tomou a decisão certa e que Deus sabe o que faz. Comentei o quão grata ela deve ter se sentido em dar uma perna à vida. E antes que pudesse terminar o raciocínio ela me interrompeu já contando outra história ainda mais inacreditável: Mais ou menos um ano atrás ela estava numa lotação indo para Mauá, se não me engano, e o motorista estava dirigindo irresponsavelmente até capotar. Novamente, ela foi a única sobrevivente. "SAIU ATÉ NO JORNAL" ela falava em voz alta empolgada. As duas histórias sairam no jornal. Os bombeiros chegaram cortando a van para tirar os corpos mortos e ela estava embaixo de tudo sem conseguir pedir por socorros porque se afogava no lago de sangue que havia se formado. Ela se arrepia e quase chora, e, logo depois, se justifica sentindo-se culpada pelo arrepio dizendo que só quem esteve lá... só quem esteve lá...
Eu fiquei maravilhado com aquilo tudo e disse que ela tinha um corpo fechado, um santo forte, qualquer coisa. "foi Deus meu filho, Deus sabe o que faz. Tenho amor a vida e escolhi viver porque amo."
Nesse caso não considero que ela tinha opções porque o instinto nos salva a vida automaticamente, sem nos deixar escolher morrer por acidente. Invejei a vontade daquele senhora de viver.
Gostaria de ter feito por mim o que você gostaria de fazer por você, de ter escolhido ser menos eu também, tentar seguir uma vida normal... hauhauhauhua brincadeira, falei por falar. Gosto de ser assim, por mais incrível e sádico que pareça. Às vezes tenho vontade mesmo de mudar e ser normal, mas me arrependeria e estaria no mesmo lugar que estou. Será que realmente temos esse poder de escolha então? E Deus? Concordei com você e comigo, como você mesma diz... nunca percebemos o acaso. Sábia Alice.
Eu fiquei maravilhado com aquilo tudo e disse que ela tinha um corpo fechado, um santo forte, qualquer coisa. "foi Deus meu filho, Deus sabe o que faz. Tenho amor a vida e escolhi viver porque amo."
Nesse caso não considero que ela tinha opções porque o instinto nos salva a vida automaticamente, sem nos deixar escolher morrer por acidente. Invejei a vontade daquele senhora de viver.
Gostaria de ter feito por mim o que você gostaria de fazer por você, de ter escolhido ser menos eu também, tentar seguir uma vida normal... hauhauhauhua brincadeira, falei por falar. Gosto de ser assim, por mais incrível e sádico que pareça. Às vezes tenho vontade mesmo de mudar e ser normal, mas me arrependeria e estaria no mesmo lugar que estou. Será que realmente temos esse poder de escolha então? E Deus? Concordei com você e comigo, como você mesma diz... nunca percebemos o acaso. Sábia Alice.
"I'm dyin to love dyin to play
Dyin to get out of here
I'm dyin to live"
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Será que realmente precisamos perder para valorizar?
14 de setembro de 2006
E todas as opções se mostraram uma só
Não sei se acredito em escolhas. O que realmente podemos escolher? Se tivermos dois caminhos e “escolhemos” um deles, o outro não existe, pois não foi seguido. Você é o que é agora, não o que poderia ter sido. O seu “poderia ter sido” não está aqui pra te confrontar, gritando: “Olha aqui, seu idiota, onde você poderia estar. Chora pelo que está perdendo”. Isso não vai acontecer, apenas na sua cabeça, se você deixar. O problema é esta questão fazer tão parte da nossa cultura, é algo tão intrínseco que não conseguimos nos desfazer do nosso outro eu: o eu que poderíamos ter sido.
O acaso é tudo que há. Aconteceu assim, realizou-se dessa maneira e não das outras milhões de formas que haviam no momento. E se tivesse sido diferente? Você não seria quem é. Mas, Lice, essa é a minha intenção: voltar uma escolha para não ter mais essa tristeza que eu carrego.
Talvez a patética seja eu. A muda, a quieta, a sem vontades, sonhos ou desejos. A que é simplesmente levada pelo vento, batendo em todos os obstáculos presentes, colecionando as dores. Talvez a ridícula seja eu, passiva, sem poder de escolha. Nunca escolhi nada na vida, nunca vi outro caminho. E se tivesse visto, não teria seguido. Meu medo de viver me domina.
Porém, acredito em escolhas inconscientes. As situações são apresentadas a nós e reagimos de determinada maneira, pensando ou não. Se, em algum ponto na minha vida “decidi” me importar, gostaria de ter olhado pro lado e visto o caminho que todos os outros estavam seguindo. Ninguém se importa, ninguém se desgasta, ninguém se estressa por pequenas [até mesmo grandes] coisas. Queria ser leve... “Push me down, I don’t care, I’m as light as air”.
Então acho que, no fundo, preferia ser igual a todo mundo, a ser a estranha que sou.
O acaso é tudo que há. Aconteceu assim, realizou-se dessa maneira e não das outras milhões de formas que haviam no momento. E se tivesse sido diferente? Você não seria quem é. Mas, Lice, essa é a minha intenção: voltar uma escolha para não ter mais essa tristeza que eu carrego.
Talvez a patética seja eu. A muda, a quieta, a sem vontades, sonhos ou desejos. A que é simplesmente levada pelo vento, batendo em todos os obstáculos presentes, colecionando as dores. Talvez a ridícula seja eu, passiva, sem poder de escolha. Nunca escolhi nada na vida, nunca vi outro caminho. E se tivesse visto, não teria seguido. Meu medo de viver me domina.
Porém, acredito em escolhas inconscientes. As situações são apresentadas a nós e reagimos de determinada maneira, pensando ou não. Se, em algum ponto na minha vida “decidi” me importar, gostaria de ter olhado pro lado e visto o caminho que todos os outros estavam seguindo. Ninguém se importa, ninguém se desgasta, ninguém se estressa por pequenas [até mesmo grandes] coisas. Queria ser leve... “Push me down, I don’t care, I’m as light as air”.
Então acho que, no fundo, preferia ser igual a todo mundo, a ser a estranha que sou.
11 de setembro de 2006
Yesterday Was A Lie
Temos momentos na vida em que devemos fazer escolhas difíceis; dificílimas até, se me permite o exagero não tanto exagerado. Estou assim. Percebi que sempre estive assim, pra mim toda decisão é difícil, todo passo à frente é complicado, toda esperança é inexistente... toda luz é cega. Ando carregando meu pesado passado por tanto tempo que já desisti de seguir em frente. Sempre que tive que decidir entre um caminho à esquerda ou um à direita, eu estava tão exausto ou tão revoltado, que resolvia ir reto.
Dessa vez tenho a mesma opção, eu posso escolher a direita, posso escolher a esquerda ou posso simplesmente seguir minha tristeza indo reto, carregando sozinho minhas maldições. Já fui reto algumas vezes e penso que devo bater de frente com minha covardia disfarçada e escolher de vez algum lugar pra ir, algo a fazer, um sonho a realizar. Mas como sonhar com um futuro se nem sequer dormir podemos? Arrancaram à força nosso direito de fé e sonhos. Isso é tão devastador que eu não me importo.
Viver é desenhar sem borracha, provavelmente você já deve ter ouvido essa frase genial. Não temos como voltar atrás de nada que fizemos, que falamos, que escrevemos; escolher é benefício para poucos, mas às vezes concluo que é castigo por sermos covardes.
Se pudesse voltar atrás em alguma escolha, qual seria?
1 de setembro de 2006
"You’ll be a beautiful confusion"
21 de agosto de 2006
Uma bolha é tão efêmera... devo só vê-la passar?
Ploc*
Uma bolha de sabão se foi. Criada com tanto cuidado, um sopro de vida tão delicado.
Seu momento de independência é tenso ou muitas vezes simples e rápido, mas sempre acontece. Se não, nada de bolha de sabão dançando ao som do vento.
Após ser gerada com carinho, ela flutua, livre. Nunca segue o mesmo caminho que outras. Elas se espalham em movimentos suaves e calmos.
Há uma fantástica propriedade que possui: quando vista, transforma seus espectadores em crianças novamente. Maravilhados, com os olhos brilhantes e dedos levantados, exclamam: “Olhe! É uma bolha de sabão!”. E a observam voar, no mais alto que ela pode chegar. Até, em um segundo, a bolha sumir. Tão facilmente se vai, tão admirada, tão amada. Tão capaz de encantar.
E durante sua existência, não é diferente. Quem não abre um sorriso verdadeiro? Quem não abre os olhos com espanto? Quem não a segue? Quem não tenta tocá-la? Porém ela estoura, num momento igualmente especial quanto seu surgimento. Pequenas gotículas chovem no ar. Quem a estoura quer fazer parte de sua história, de sua mágica.
No entanto, enquanto ela paira no ar, o mundo inteiro se envolve em sua fina superfície. Ela é nada mais que um espelho. Em sua frente, é refletido tudo como é. Entretanto, ele se funde com a imagem refletida pela parte de trás, uma imagem contrária. É o mundo, suas face, num segundo só.
E ela choca, causa impacto. Cala. É simultaneamente bela e agressiva. Muda o mundo e quando se vai, não há mais espelho, não há mais leveza. A rotina absorve a todos mais uma vez. A mágica se foi.
Seria mais uma metáfora da vida?
Uma analogia às pessoas, aos amigos.
Uma bolha de sabão é apenas um sopro de vida.
Uma bolha de sabão se foi. Criada com tanto cuidado, um sopro de vida tão delicado.
Seu momento de independência é tenso ou muitas vezes simples e rápido, mas sempre acontece. Se não, nada de bolha de sabão dançando ao som do vento.
Após ser gerada com carinho, ela flutua, livre. Nunca segue o mesmo caminho que outras. Elas se espalham em movimentos suaves e calmos.
Há uma fantástica propriedade que possui: quando vista, transforma seus espectadores em crianças novamente. Maravilhados, com os olhos brilhantes e dedos levantados, exclamam: “Olhe! É uma bolha de sabão!”. E a observam voar, no mais alto que ela pode chegar. Até, em um segundo, a bolha sumir. Tão facilmente se vai, tão admirada, tão amada. Tão capaz de encantar.
E durante sua existência, não é diferente. Quem não abre um sorriso verdadeiro? Quem não abre os olhos com espanto? Quem não a segue? Quem não tenta tocá-la? Porém ela estoura, num momento igualmente especial quanto seu surgimento. Pequenas gotículas chovem no ar. Quem a estoura quer fazer parte de sua história, de sua mágica.
No entanto, enquanto ela paira no ar, o mundo inteiro se envolve em sua fina superfície. Ela é nada mais que um espelho. Em sua frente, é refletido tudo como é. Entretanto, ele se funde com a imagem refletida pela parte de trás, uma imagem contrária. É o mundo, suas face, num segundo só.
E ela choca, causa impacto. Cala. É simultaneamente bela e agressiva. Muda o mundo e quando se vai, não há mais espelho, não há mais leveza. A rotina absorve a todos mais uma vez. A mágica se foi.
Seria mais uma metáfora da vida?
Uma analogia às pessoas, aos amigos.
Uma bolha de sabão é apenas um sopro de vida.
17 de agosto de 2006
7 de agosto de 2006
"Burning off the edges of the sky"
Aceitando as condições, pois primeiramente, mesmo que eu tenha decidido atear fogo em alguém, não creio que ficaria para ver, mas como a situação é essa, devo inquietamente decidir.
Havia pensado em fazer como os Ursinhos Carinhos um dia me ensinaram: deite e role. Porém, isso também não é aceitável, pois não há como voltar atrás. O fogo está lá, apagá-lo não é possível. Mas apagar a pessoa sim! [hahaha]
Então: pegar ou não o pedaço de pau? Acabar com a dor e o sofrimento ou não? Nessas horas, a gente nunca tem clareza de mente para parar e pensar (e nem tempo). Claro que perguntar para a pessoa o que ela prefere não é viável. A diplomacia ia fazê-la morrer do mesmo modo como o pedaço de madeira.
Se eu deixar o fogo matá-la, a culpa seria menos talvez, por ter tentado ajudá-la a apagar o fogo. Se eu pegar o pedaço de pau e batê-la, a culpa seria menos talvez, por ter poupado a ela um pouco da dor e medo. No entanto, se eu pegar o pedaço de pau, muito provável que sangue espirraria e possivelmente me sujaria. Sem contar que minha digitais estariam na madeira. Se eu apenas observar, provavelmente o fogo consumaria a pessoa até as cinzas, eu esperaria até serem apenas cinzas. Assim, haveria menos provas contra mim. Mas é claro que essa frieza não me cabe, já que não sou uma psicopata e possou emoções.
Agora, se eu fosse dessa geração de desenhos que não Ursinhos Carinhosos, eu poderia mesmo pegar o pedaço de madeira e descarregar egoísticamente minhas frustrações, medos, dor e prazer. A violência parece ser o escape para todas as neuroses das crianças hoje. Temo que adultos serão no meu divã.
Enfim, minha resposta vem de palavras alheias às minhas, pois elas expressam exatamente como me sentiria. Na situação eu poderia ter toda a força física do mundo à minha disposição. Mas não teria força emocional para tal.
Havia pensado em fazer como os Ursinhos Carinhos um dia me ensinaram: deite e role. Porém, isso também não é aceitável, pois não há como voltar atrás. O fogo está lá, apagá-lo não é possível. Mas apagar a pessoa sim! [hahaha]
Então: pegar ou não o pedaço de pau? Acabar com a dor e o sofrimento ou não? Nessas horas, a gente nunca tem clareza de mente para parar e pensar (e nem tempo). Claro que perguntar para a pessoa o que ela prefere não é viável. A diplomacia ia fazê-la morrer do mesmo modo como o pedaço de madeira.
Se eu deixar o fogo matá-la, a culpa seria menos talvez, por ter tentado ajudá-la a apagar o fogo. Se eu pegar o pedaço de pau e batê-la, a culpa seria menos talvez, por ter poupado a ela um pouco da dor e medo. No entanto, se eu pegar o pedaço de pau, muito provável que sangue espirraria e possivelmente me sujaria. Sem contar que minha digitais estariam na madeira. Se eu apenas observar, provavelmente o fogo consumaria a pessoa até as cinzas, eu esperaria até serem apenas cinzas. Assim, haveria menos provas contra mim. Mas é claro que essa frieza não me cabe, já que não sou uma psicopata e possou emoções.
Agora, se eu fosse dessa geração de desenhos que não Ursinhos Carinhosos, eu poderia mesmo pegar o pedaço de madeira e descarregar egoísticamente minhas frustrações, medos, dor e prazer. A violência parece ser o escape para todas as neuroses das crianças hoje. Temo que adultos serão no meu divã.
Enfim, minha resposta vem de palavras alheias às minhas, pois elas expressam exatamente como me sentiria. Na situação eu poderia ter toda a força física do mundo à minha disposição. Mas não teria força emocional para tal.
3 de agosto de 2006
Paranóia Delirante
Ontem quando deitei a minha cabeça no travesseiro não consegui pensar em outra coisa senão nas nossas escolhas. Mas o que não conseguia sair da minha cabeça e que me fez perder algum tempo de sono é um pensamento de escolha macabro e importante:
Você matou alguém por acidente e no desespero, resolveu queimar o corpo. Quando o fogo já está consumindo o corpo e não tem mais como voltar atrás, você descobre que a pessoa estava viva. Ela agonizada pela dor e medo, começa a gritar sem entender direito o que está acontecendo. Você só tem acesso a um pedaço de pau e força bruta.
Você a mataria ou deixaria que o fogo o fizesse?
-------------------corte-aqui-------------------------
O que EU faria:
Provavelmente competiria com o fogo a vida da pessoa inocente.
Recapitulando: Eu matei alguém sem querer e resolvi pôr fogo no corpo para cobrir a única prova possível contra minha pessoa. Lembrando que essa é uma idéia totalmente viável por uma boa parte das pessoas... ser honesto ou me dar bem? Porque ser honesto não pode ser sinônimo de se dar bem?
Logo quando a carne começa a queimar e o fogo domina o espaço, a pessoa descobre que não estava morta e começa a gritar de dor e desespero suplicando para qualquer coisa que faça a dor parar. Apagar o fogo é inviável e vem o baque na mente: "O que fazer? Ir embora ignorando os gritos e o estalar da carne fervilhando, ou dar um fim a tudo aquilo de uma forma igualmente brutal?"
Acho que teria coragem de descontar toda minha angústia e raiva no que sobrou de um ser humano. Visando a situação absurda[não impossível e muito menos pouco provável] que me encontraria, "tá no inferno abraça o capeta", infelizmente...
Você matou alguém por acidente e no desespero, resolveu queimar o corpo. Quando o fogo já está consumindo o corpo e não tem mais como voltar atrás, você descobre que a pessoa estava viva. Ela agonizada pela dor e medo, começa a gritar sem entender direito o que está acontecendo. Você só tem acesso a um pedaço de pau e força bruta.
Você a mataria ou deixaria que o fogo o fizesse?
-------------------corte-aqui-------------------------
O que EU faria:
Provavelmente competiria com o fogo a vida da pessoa inocente.
Recapitulando: Eu matei alguém sem querer e resolvi pôr fogo no corpo para cobrir a única prova possível contra minha pessoa. Lembrando que essa é uma idéia totalmente viável por uma boa parte das pessoas... ser honesto ou me dar bem? Porque ser honesto não pode ser sinônimo de se dar bem?
Logo quando a carne começa a queimar e o fogo domina o espaço, a pessoa descobre que não estava morta e começa a gritar de dor e desespero suplicando para qualquer coisa que faça a dor parar. Apagar o fogo é inviável e vem o baque na mente: "O que fazer? Ir embora ignorando os gritos e o estalar da carne fervilhando, ou dar um fim a tudo aquilo de uma forma igualmente brutal?"
Acho que teria coragem de descontar toda minha angústia e raiva no que sobrou de um ser humano. Visando a situação absurda[não impossível e muito menos pouco provável] que me encontraria, "tá no inferno abraça o capeta", infelizmente...
Nice Weather for the Ducks
Daí eu saio do banheiro e minha mãe:
- O que você tanto bate no banheiro?
Eu, desconcertado por uma pergunta tão direta e ingênua, respondo na mesma intensidade:
- Ué, mãe... Punheta!
Meu pai ri, minha irmã ri e minha mãe ri sem-graça.
Ela[mamãe] estava falando sobre eu bater o cabo da gilette na pia, pra tirar a barba que sobra...
- O que você tanto bate no banheiro?
Eu, desconcertado por uma pergunta tão direta e ingênua, respondo na mesma intensidade:
- Ué, mãe... Punheta!
Meu pai ri, minha irmã ri e minha mãe ri sem-graça.
Ela[mamãe] estava falando sobre eu bater o cabo da gilette na pia, pra tirar a barba que sobra...
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