no título.
25 de março de 2011
22 de março de 2011
SINos
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escrito há exatos 18 meses. postando agora só pra manter essa linha sensual que as meninas gostam.
16 de março de 2011
Shelter
Agora que se foi de verdade, posso respirar tranquila e te abraçar, dar o amor que você ignorou e tanto fugiu. Como é difícil amar poeta, que hora ama, hora odeia... Me usa só para escrever. Agora quem é herdeira da caneta sou eu.
Talvez eu tenha dito e feito coisas erradas para sua natureza. Conduzi como pude, com carinho de quem te quer, de quem acaba de ganhar algo que queria muito mas ainda não aprendeu a mexer. Não deu tempo.
Eu queria acender as luzes e te ver na minha frente, abrir os olhos na minha cama e te enxergar na horizontal. Mas o que mais sinto falta é do peso do abraço e da força que teu coração batia em mim. Sempre ajudando a doer um pouco menos, às vezes um pouco mais.
Ainda quero me afogar quando você se vai sem ter me ensinado como respirar com sua sensibilidade. Ainda me encaro em todas as imagens nos espelhos que te refletem, só assim você pode ver como eu me sinto também - pelo menos é o que eu acredito. Tente me enxergar através da distância, eu sei que nem todos são tão belos de perto, mas eu só... Nem sei, deixa pra lá.
... Não se pode ter tudo, pelo menos assim tenho você.
12 de março de 2011
Suspiro
Sopre em meus ouvidos o caminho, eu nunca soube decidir. Diga que vai ficar tudo bem, não é o que todos costumam dizer? Não sei sobre as roupas que sobram no armário, nem se os bilhetes que espalhei com meus últimos pensamentos ficarão pelo tempo. Quis um pedaço do que resta, porque ao que interessa é solução. Joguei fora as palavras e desejei nada. Todo sonho é ilusão.
Eu a vi tão perto, e agora está distante. Ela foi até o horizonte e eu nunca aprendi a nadar direito. Eu achei melhor ignorar e seguir adiante. Ela se tornou fumaça e ficou tão triste, tristinha... Enquanto eu suspirava minhas palavras, meu testamento.
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.janeiro de 2009.
8 de março de 2011
Carnaval [ou Prelúdio para dias cinzentos]
O espelho girava no ar me mostrando o passado e o presente. Confetes e serpentinas choviam de dentro da minha roupa fazendo uma tempestade psicodélica. Era sangue, mais sangue que vazava. Quando minha cabeça bateu no asfalto eu só pensava no que poderia ser real. Não tinha ninguém comigo, isso era real. Mas e a música e aquela zona alegórica toda?
De tanto pensar, pensei que não estivesse ali. Eu imaginava muito menos. Nem tanto, nem tudo. Folias, drogas, sexo. Tudo por baixo de fantasias, ilusões de felicidade. Eu não tive nada além de brigas, bebidas, visitas a outros lugares da minha mente, distância e solidão.
O espelho girou no ar até cair e se partir inteiro. Logo os restos foram recolhidos e o feriado acabou, anunciando não só um dia de cinzas.
5 de março de 2011
Espectadora de mim - Segundo Ato
(Qualquer lugar)
Tâmara
Estou com algum cheiro particular hoje, para esta inspiração tão profunda?
Homem
Não... na verdade, você está cheirando como sempre.
Tâmara
Eu tenho cheiro de quê??
Homem
Nada, cheiro de nada.
Tâmara
Nossa, tão incomparável assim?
Homem
É estranho, mas você não tem cheiro de nada. Sempre te cheiro procurando um cheiro de alguma coisa, mas nunca encontro nada. Nada nos cabelos, nos abraços, nem nas minhas roupas depois de uns amassos nervosos. Nem nas toalhas que te empresto, nem na minha camiseta que você usa pra dormir. Nem no travesseiro.
Tâmara
(Nervosa) Quer dizer que quando diz que estou cheirosa, é apenas o Dove, o Elsève ou o Armani?
Homem
Agora você está exagerando.
Tâmara
(Mais nervosa) Então eu tenho cheiro de água. De nada, água. Nem de terra molhada. Nem de chuva. Não é aquela brisa antes da tempestade. Mas só água. É isso? E eu tenho gosto de água também, sem gosto?
Homem
Você mata minha sede. Um oásis na areia.
Tâmara
Nhóóóóó.
(Foco na frente, entra A)
A
Mulher é isso. Idiota. Acredita em qualquer merda. Ainda mais quando na fase Tâmara de ser. Tâmara é domada facilmente com elogios piegas no início de todas as relações. Um domador experiente sabe lidar muito bem com este animal selvagem. Mas um homem de pouco tato...
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Na onda dos cheiros.
25 de fevereiro de 2011
Smells like teen spirit
Mesmo assim, o perfume do espírito jovem me faz enxergar você só de calcinha e sutiã contra luz encoberta de partículas muito finas de matérias suspensas no ar. Fecho os olhos e sinto tua boca de hortelã que demonstra expectativas de segundo encontro. Em seus seios cândidos, o cheiro de quem nunca foi tocado – mas eu sei que não sou o primeiro e tampouco devo ser o último. No teu umbigo um segredo que eu prefiro guardar... Mais embaixo...
O rastro do aroma persiste pelo corpo inteiro, tiro as suas meias de algodão e lá estão, imperfeitamente perfeitos. Delicadamente beijo cada dedo para sentir o gosto delicioso do seu cansaço. Deixe-me morrer em seus cheiros de garotinha e viver aqui pra sempre nessa juventude.
Calcinha café em pele doce de leite. O sabor da tua carne no meu nariz, tua virgindade peluda querendo me cheirar dá água na boca. Molhada, também com água na boca, me quer feito mulher. Feito criança, eu adoro me lambuzar e ter seu cheiro só pra mim.
A batalha termina em sangue, mas o cheiro é de sexo!
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Leia o primeiro texto da série sobre cheiros aqui no Wonder, Estragado.
21 de fevereiro de 2011
Estragado
É amargo de sentir na boca, repulsivo de fazer careta. Cheiro fétido de carne. Cães, pássaros, homens, mulheres, crianças, ratos. Na morte, somos todos iguais. Fedemos iguais.
Quando eu volto, faço o mesmo caminho. Há outros caminhos, mas repito para sentir aquele cheiro e tentar decifrar de onde vem. Dos céus, das matas ao redor do asfalto ou de algum cativeiro improvisado que teve um final ruim.
Os dias se passam e a podridão é cada vez mais evidente, cada vez maior e mais longa. Não está mais somente na estrada, aos poucos domina por toda parte.
Vem comigo,
com
E nisso tudo eu fiquei pensando que se eu morresse, gostaria que houvesse uma forma de morrer em flores, em campos perdidos e virgens de flores. Mas não há fuga quando a própria natureza fede.
Debaixo do meu nariz está o cheiro toda vez que eu cheiro. Cheiro que passa a me perseguir mais que eu a ele. Me segue até o trabalho, meu quarto, no busão... Não sai no banho, nem quando eu durmo. Nos meu sonho, o cheiro de corpo morto é tudo que já perdi e deixei estragar mas não consigo deixar ir. Cérebro morto. Mal cheiro que se mistura comigo, como se fosse meu, como se fosse eu.
Um corpo vencido. Me venceu.
16 de fevereiro de 2011
5.
Não retroceder. 5.
Tenho muito a discutir, tenho tantas palavras prontas para serem usadas. Vamos dividir, ou melhor, somar sem nos subtrair. Quantas ideias para acontecer.
É bom voltar.
Não retroceder. 5.
Tanta poeira em sentimentos velhos que residem no baú secreto de lembranças. Encontrei de novo caído atrás da estante. Te encontrei nas mudanças.
Te vi ainda ali, porque ainda está aqui.
É bom voltar.
Mesmo temente ao retrocesso. 5.
A melhor Alice - 5 anos
Entre favoritos, como Companheiro, Pareidolias, Desabafo em 2 tempos - II e Espectadora de mim, escolho este de junho de 2009, que é atemporal, inteligentíssimo, inocente, surpreendente e melancólico [não nesta ordem]:
Meu coração é na esquerda
´rtfo ,ri vpts~sp
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sabe quando a gente digita rápido, sem olhar para a tela ou teclado e só depois percebe que está tudo errado, pois estava digitando uma tecla além para a direita?
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Ao Wonder o que é de Wonder, então toma! 5 anos pra nós, parabéns!!!
[será que no Wonder se conta idade igual de cachorro?]
15 de fevereiro de 2011
O melhor Yuri - 5 anos
Where Do You Go To (My Lovely)
- Alô?!
Neuilly Park Hotel, 23, rue Madeleine Michelis. É para onde ela está indo. Exatamente onde eu estou. Paris nunca pareceu tão bela. Tão bela e injusta.
Termino de escrever uma baboseira ou outra em rascunhos mais perdidos que eu, coloco uma música e vou tomar banho. Não sabia quanto tempo fazia que não tomava um banho. Minha barba também não está apresentável. Já não sabia quanto tempo fazia que eu não saia na janela. O cheiro da França nunca tinha sido tão suave.
A campainhia avisa que só a porta nos separa.
- Feliz Natal - ela esparrama as palavras que dividem atenção com os gestos de suas mãos. E o mesmo sorriso de antes.
- Você fez luzes no cabelo.
- Estou aqui. Gostou do presente? - Meu presente... Meu passado. Gostava do meu presente sem ela. Mas dela eu gosto muito mais.
- Não vai me convidar para entrar? - Ela já estava entrando, e sabia que não precisava de convite algum. Na verdade, ela nunca havia saído.
Um abraço. Nós ainda encaixamos perfeitamente. É como se tocasse sua pele baunilha sob suas roupas, como seu eu fosse seu próprio cheiro. Sentia seu coração inseguro como se sussurrasse segredos com o meu pedindo abrigo em mim. Aqueles segundo pareciam eternos. E se pudesse, diria sim.
Cigarros. Nunca mais havia fumado desde que ela foi embora. E lá estávamos.
- Que flores lindas!
- É. É mostarda. Você sempre duvidou delas.
- São lindas.
Você é linda.
Nos beijamos exilando a tensão que nos cercava. Ela passava segurança, mas suas mãos não. Suas mãos suavam pelo meu corpo enquanto eu a despia e a cercava de dentes. Uma marca de cigarro que antes não tinha. Um olhar triste que eu não conhecia. Ela respirava em cima de mim.
- Você não deveria ter me encontrado.
- Você não deveria ter vindo para um lugar tão óbvio.
- Talvez no fundo eu quisesse...
- Pensei que fosse ficar em Champs-Élysées¹. Combina com você.
- Pensei em ficar lá. Mas combina com você.
- Sabia que iria te encontrar por aqui.
- Viva la résistance!
Uma longa pausa. Um longo beijo. Ela diz o óbvio:
- Eu vou embora.
- Pra onde?
- Pra longe.
- Eu acho que também vou. Alemanha ou Amsterdã, ainda não sei... Fiquei tempo demais aqui.
- A Alemanha engorda. E vai te partir o coração.
- Mais do que você eu acho que não.
Ela levanta. Pego três flores de mostarda e coloco em seus cabelos. Ela fica perfeitamente bela vestida só com flores. Como Paris. Eu não queria deixar a França, e não queria deixá-la. Mas que escolhas eu tenho? Ela sabe porquê estou aqui, que escolhas eu tenho?...
Silêncio.
- Quer ver a visão que eu tenho de Paris? - Ela concorda com a cabeça. Pego em sua mão e caminho em direção à sacada. Então, no meio do caminho, coloco-a em frente a um espelho e a abraço por trás. Dançamos a noite inteira. A última de várias outras últimas.
31 de dezembro de 2010
Novidades
Este foi o ano das novidades. O final de 2009 já anunciou que tudo seria diferente dali em diante e decidi mergulhar de cabeça em deixar essa parte de mim dar as caras frequentemente. Tudo foi meio estranho no final do ano passado, mas me mudou de tal forma que comecei 2010 apostando em coisas novas. E fiz: mais de 365 novidades em 365 dias!
Parece muito, mas aprendi duas coisas com essa aventura: 1) que eu era uma pessoa muito privada da vida! e 2) que não ligamos para as pequenas coisas novas que fazemos todos os dias. Por exemplo: eu nunca tinha andado de shorts no ônibus, ou comido uma ameixa ou pintado minhas unhas. São coisas banais, que ninguém acredita que eu nunca tinha feito antes. Mas também fiz coisas como ir à casa de novas pessoas, ir a novos lugares, experimentar coisas... tudo possível no dia-a-dia. Fiz, claro, coisas inusitadas também, sendo a mais estranha ter ido a uma casa de swing. Em 2011, pretendo continuar com minhas novidades.
Este ano, porém, teve outras novidades. “Conheci uma pessoa”, é a peça na qual eu opero o som. Ela ainda está em cartaz. Não parecia muito boa quando comecei a fazer, mas aprendi a rir com ela e gostar muito de seus detalhes – e odiá-los também. Sempre temos maus dias, mas me divirto com ela. Em 2011, continuarei amando fazê-la.
Além disso, meu irmão foi para a Inglaterra. É estranho não o ter comigo sempre. Mas o Skype ajuda e ele está gostando muito. Em 2011, vou visitá-lo, estou ansiosa.
Uma amiga está grávida. Serei tia de um menininho. Em 2011, espero gostar mais de crianças.
A faculdade acabou. Eu me formei. Sou psicóloga. E agora? Acho que vou fazer um curso de adestramento para, um dia, trabalhar para o bem estar canino. Não há nada que eu ame mais que cães. Em 2011, farei isso dar certo.
E, se minha calcinha do ano novo passado funcionou, desse ano há de funcionar de novo! Para dar continuidade à minha fase amarela, vou de amarelo e trarei dinheiro! Mas quero também ter coragem para fazer dar certo meus sonhos.