20091224

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Ponto final.

Começo no fim de mais uma decepção. Mais uma glória rasgada, e mais lágrimas desperdiçadas. O último. Sete significa sorte para alguns... Hahaha, até esqueci aonde ia chegar. Mas é o último. Dramático e perdoável como todos foram, o último.

O natal (assim com letras miúdas mesmo) passou quase despercebido. Teve que pendurar um colar de luzes e um sino dourado como pingente no pescoço do papai noel (assim com letras miúdas mesmo), tunar seu trenó e colocar mais 200rp - renas de potência; e o nariz do Rudolf agora é de xenon. E mesmo assim, eu não o vi.

O espírito de natal estava enrolado num carteado com o diabo, se atrasou todo e esqueceu de alguns lugares. E assim ele embolou com todo o fim de ano. Todos os planos, todas alegrias... As férias viraram castigo. Meu pai (que não é noel) desapareceu. Colocou tudo em seu saco e desapareceu. Levou o sorriso de minha mãe, as lembranças, o amor, e os DVDs (que até agora eu não me conformo). Ora, por que os DVDs? Aposto que ele também é o culpado por estes dias de sol escaldante.

Estávamos infelizes. Mas infelizes como sempre. Agora a tristeza é outra. Não é só minha, e isso é insuportável. Somos todos corpos escorregadios nos esquivando de abraços e carinhos. A atenção vem nas piores formas. Gritos e choros e velas derretidas. Nem a fé é sólida. E cá estamos esperando e tentando um ano novo (assim com letras miúdas mesmo) melhor, um ano novo mais digno e decente. Um ano novo fora daqui.

Não sei o motivo de eu escrever isso agora, eu tinha até outra coisa em mente. Mas essas semanas, o assunto não foi outro. Na televisão só se fala disso, nos jornais, nos amigos e parentes, nos filmes... É só isso.

Eu sinto raiva de todo ano que acaba porque ele nunca acaba bem. E sinto raiva porque se eu o aproveitei bastante, não deveria ter acabado.

Não sei como terminar esse texto, assim como não sei como terminar este ano; assim como não sei como terminar nada na minha vida. Mas ele sabe. E terminou.

Postado no extinto Susi Não Anda Sozinha no final de 2007. Eu continuo sem saber...

20091222

Sal

Lágrimas de algo perdido, algo inesperado. Lágrimas de toda hora, toda dor e sofrimento. Lágrimas que simplesmente acontecem, de repente e mais forte do que eu. O que eu sinto é mais forte do que eu. E eu sinto falta do seu sorriso. Luzes coloridas não trazem minha alegria de volta. Sinto o brilho da Lua na minha nuca. E não consigo parar de chorar. Sou um líder derrotado. Ela não consegue me acalmar, me vê doente. Ela é a doença e não consegue parar de chorar. O amor é a maior experiência nessa vida.



[posfácio]
amor.


O cenário é a cidade inteira. Meia luz da Lua, luz e meia das ruas. Ela se via refletida em outros olhos. Não há mais ninguém nesse mundo, só ela e o dono do olhar. Na mesma hora, sem saber de nada mas sentindo tudo, eu fui dormir só para me afogar no ar. E morrer.

Eu não consigo parar de chorar, então paro por aqui de escrever.

Traição

O que é esse pesar tão grande
Que nunca havia sentido
Mesmo em passos errantes
Mesmo gritante no ouvido
Nunca me importei
Nunca havia conhecido
Porque não quero saber se errei
Se estava presente ou havia sumido
Minha confiança sempre foi maior
Em mim e em meus amores proibidos
Até você provar que o amor é vidro
E cortar em seus lábios meu coração
Brechas no caminho são –

Faz engasgar, a traição
Embaça a vista
Ser nada mais que placebo
Ata-me e mate-me, prefiro
Como frágeis somos, agora percebo
Dói como um tiro
Pelas costas, na arma, o amor
Que sangra sem morrer
Um sangue de dor
E um último sorriso
Olho pra trás,
Traidor

27.11.2009

20091219

Porque é triste o fim

Os desencontros são os piores encontros que se pode ter. Não me refiro ao encontro no qual uma das partes não aparece, digo o encontro no qual ambas as partes estão presentes não no mesmo presente: desencontro. Vamos marcar um desencontro? Vou de ontem e você de hoje. Não, vou de futuro e você de arrependimento.

Somente nos encontramos em desencontros. Parece-me agora que ficamos tão pouco tempo no mesmo lugar. Na verdade, todos os encontros que tínhamos foram contados. Um, dois, três e o quarto durou horas e horas... dias, meses. Um ano, eu diria. E, então, nos desencontramos. E tudo começou há exatamente um ano. Época terrível, que nem foi eternizada em meus escritos diários, somente em nossas memórias, na esperança de que um dia falhassem. Desde então, tivemos desencontros.

Acho que combinamos lugares diferentes para nos encontrar. E, apesar da briga e do aparente acordo sobre o local de encontro, estávamos em dimensões paralelas. Eu vivia num apaixonamento humilhante e você numa frieza patética. Até que nos encontramos nos desejos de passado... sede da volta aos encontros de dezembro.

É triste ver o fim da nossa história nos desencontros descontrolados ao telefone. Perdemos nossos papéis e não sabemos o que fazer um com o outro. Bem, você eu tenho guardado na minha caixinha. Quando te quero, eu a abro e dou uma espiada para encontrar seu cheiro e desencontrar o presente.

Mar Morno

Uma tesoura grande e pontuda encontrou meu corpo. Terminou em meus pálidos punhos vestindo-me de sangue. Minha veia azul chorava e umedecia a camisa escura de manga comprida. Sentei acuado, repousando meu corpo de guerra vencido, sentindo a desistência e covardia causando mais remorso. É um labirinto sem saída, minha vida. Fugir é covardia, ficar não faz sentido. E tudo causa um remorso e uma culpa incurável.

Comecei sabendo onde estava pisando, mas qualquer coisa seria mais firme que meus passos naquele momento. Foi o que me salvou de tantas coisas e me fodeu em outras. Se eu pudesse voltar atrás, faria tudo outra vez, eu não tinha opção. Deixo para agonizar quando ninguém está vendo. Não divido com ninguém minhas intermitências venenosas mais sérias. Durmo o sono dos condenados quando já é cedo. E a insônia me tira dos sonhos mais quentes. Para mim é sempre tarde porque estou sempre atrasado nesse lance de viver, ainda não me acostumei com a ideia.


Bate primeiro na parte de trás das pernas, depois atrás do pescoço, espalhando uma onda de relaxamento que descola a pele dos ossos, de modo que sinto flutuar sem gravidade num mar morno. Chove quente em mim, e tranquilidade igual a essa só no ventre de minha mãe. Se não fosse a perturbação de sentir a presença de alguém que não está presente. Uma sombra no canto da visão que desaparece toda vez que corro os olhos para ver. Move-se quando eu mexo a cabeça, então nunca a vejo. Causa medo, talvez seja a solução.


Vi a medida da vida em gotas. Experimentei a agonizante privação da doença da droga, e também o prazer do alívio, quando as células sedentas beberam da agulha. Talvez seja só isso e nada de mais. Talvez todo prazer seja alívio. Então chorava mar morno de lágrimas psicodélicas e fermentava meu alimento na colher queimada. Eu não queria, mas me salva. E pelo desespero, ando fazendo qualquer coisa para ser salvo, para tapar os buracos de meus defeitos, medos e inseguranças. Tentando me convencer de que eu sei o que estou fazendo, ou que viver vale a pena.


[EVO] Cidade

A cidade é um labirinto, um monstro faminto de garras sombrias. As ruas são caminhos para todos os lugares e para nenhum deles. Ruas próximas, distantes, frias. Tudo assim ao mesmo tempo, com a mesma veracidade. Visceral. Ando por terra, por baixo dela, no busão, coletivo-condução. Me leva sem destino porque não tenho onde ir. Se não posso lutar, estendo o braço pro primeiro que passar. Posso fugir. Giro, viro, rodopio… Acabo no mesmo lugar.

Em pé ou sentado, vazio ou abarrotado, me leva e me deixo levar – mas R$ 2,50, o que é que há? – É pela sua janela que me vejo refletido no cinza que passa e ainda é cinza, por onde meu olho enxergar, cinza de poluição, até o som. Cidade de tons. Funk, choro, histórias pela metade – às vezes até fazemos parte, quando aquele velhinho simpático e solitário faz companhia a este jovenzinho antipático e solitário. Ele com a vantagem da simpatia e experiência, eu com a vantagem do tempo que me resta. Ou não, bato a testa no vidro, dormi sem querer. Perdi o ponto, o equilíbrio, o conto. Puta que pariu, tô fudido.

Andando parado, às vezes sem itinerário, é onde li grandes autores. Nos transportes mais lotados foi onde conheci grandes amores. Passageiros. Coletivo de gente. Cada um, um diferente. Cada um uma Torre de Babel. Aqui sim eu acredito, não naquela do livro tão bendito. No céu, nem sinal do Sol. Dou o sinal, me despeço de todas as etnias, credos, cheiros. Busão barulhento. Tudo no mesmo lugar, ao mesmo tempo. Um lugar móvel que conta histórias, guarda lembrança, mas não deixa saudade. Todo coletivo é uma cidade.






Texto publicado no Eu Vou de Ônibus. Toda segunda, quarta e sexta-feira (meu dia) tem texto novo. E quem tiver alguma história ou conto sobre coletivo também pode participar, é só entrar lá.

20091216

[foto-documentário] Kinetic

Foto-documentário sobre movimento, elementos e energia. Eu e a Lígia Ruy também fizemos em forma de revista impressa - que não estará disponível e que ficou muuuuito mais legal!



20091211

[curta-metragem] 70 de Novo

Primeiro e único filme de uma produtora que não rolou.





não usem drogas, crianças.

[curta-metragem] Ao Cubo

Curta metragem que fiz com um pessoal da Metodista pra um concurso de curtas de 1 minuto patrocinado pela Sony.

"Ao Cubo" from Curta 1 Minuto on Vimeo.



Não, não ganhamos. ¬¬

[documentário] Despertar

Documentário que deu trabalho porque é acadêmico.

Nota

Olá queridos leitores (crii-crii-crii).

Enfim, esse semestre foi um semestre de produção. Estive um pouco ausente aqui do nosso querido Wonder por esse motivo, principalmente. Dois curta-metragens, uma revista radiofônica sobre arte, uma revista e um foto-documentário sobre movimento, uma reportagem especial sobre cinema marginal e um mini-documentário! Além da mais nova empreitada, o Eu Vou de Ônibus - toda sexta-feira tem texto meu lá.

Ufa, espero nessas férias que estão por vir poder filmar mais um roteiro pronto já.

Vou postar as produções todas e espero que vocês comentem e sejam críticos.

Valeu ;)

20091209

Life in a Glasshouse

Um pequeno som me destrói. É mais um ruído constante, sonante. Segurei meus braços até não senti-los mais e me estapeei como outro alguém. Ecos devolvem minhas palavras distorcidas. Será que é assim que soo?, penso. Não sou levado a sério.

A casa é de vidro e espelhos lisos sem penduricalhos para distrair. E mais uma vez eu estou perdido aqui com meu único amigo. Ele tenta fazer um papel de parede de tom pastel, um marrom apagado que não é bege e é fraco demais para ser marrom. É triste... porque não é nada, combina com a gente. Allan desenha um sorriso na esperança de sorrir. Eu gostaria de estar no papel de parede da casa mais verde para poder enfeitar. Brincar de correr, me esconder e cantar. Mas o conhecimento me destrói. Eu e ele ficamos ali, sentados no chão vazio da casa de vidro. O único cuidado paliativo ali pra ele sou eu – ele pra mim. Esperamos ansiosos pela Morte, ou pelo final de algo que já começou, o fim.

Nos olhamos multiplicados nos reflexos, nus e sem cuidados. Tenho feridas que não se curam porque insisto em arrancar sempre a casquinha. É inconsciente, prazeroso, quando percebo, já foi. Allan mastiga e engole minha pele morta e me devolve seu sangue em troca. Somos nosso próprio alimento, nos consumimos. Em nossa multiplicidade, somos mais, assim como nossos anseios, nossa fome, nosso desejo e desespero. Mas não o desejo mais do que o já tenho. Por ele, digo o mesmo. Claro que eu gostaria de sentar e papear, mas me ouviria e não agüentaria. Desespero.

Um pequeno som me destrói. É mais um ruído constante, sonante. Algo que não consigo controlar. Minhas fraquezas são muito fortes. Ecos devolvem minhas palavras distorcidas e racham as frágeis paredes. Será que é assim que soo? Mais um pouco os cacos se espalham pelo chão, e então mais um estranho erro a cometer. Allan e eu, sozinhos, cada qual em sua solidão. Não nos dizemos, mas ouvimos o pequeno som que nos destrói. Evitamos pela vida. Na casa de vidro. De Espelhos.




*imagem de Adriana Peliano

20091207

Melhor regresso

Enquanto nada novo aparece, voltemos a 2007!

outro dia eu acordei
querendo saber como eu estava
quanto mais eu descobria
mais triste eu ficava
se deus existe, quem é ele?
se não existe, quem somos?
o que faremos, o que seremos,
se agora somos, então me diga o que fomos?
quero conhecer mais meu mundo
saber de onde eu vim
às vezes desejo o sono profundo
meu pecado é a ância pelo fim
o ódio cega e me faz perder
a tristeza se materializa, se transforma
cai do meu rosto cria forma
molha o papel e me faz esquecer
da beleza que encontro no céu
que enfeita meus sonhos sem saber
o peso da culpa me impede de olhar
acima dos meus olhos
me impede de voar
não vejo motivo pra nada
tão distante, quero encontrar
o meu lugar

Será que estou sempre errado?
andando sempre na contra-mão?
eu estou vendo olhos negros
quem me mostram solução
se escondem nas minhas sombras
e se perdem na mesma escuridão
não vejo o medo chegar
que por medo, não me encara
não tenho o que perder
porque não vejo motivo pra nada

meu melhor regresso
essa minha inútil deficiência
o auge do meu sucesso
é minha vergonhosa decadência
meu melhor regresso
minha ingênua carência



mas há de chegar
há de chegar pra me salvar
há de chegar pra me levar
me tirar daqui
desse lugar que eu vim parar
onde não há onde se amparar
só cair e cair e cair