Sejam bem-vindos ao outro lado do espelho, onde tudo pode acontecer (e acontece).

Wonderlando é um blog sobre textos diversos, descobrimentos e crescimento. A filosofia gira em torno do acaso, misturando fantasia e realidade de dois amigos que se conheceram também por acaso, Alice - que tem um país só seu -, e Yuri - chapeleiro e maluco nas horas vagas.

Leia, comente e volte sempre... Ou faça como a gente e não saia nunca mais.

31 de janeiro de 2008

Direto da Cartola (A Trilha Sonora)


É isso mesmo. Cá estamos para invadir o ouvido de nossos queridos leitores. Apresentamos agora e inédito aqui no Wonderlando, uma trilha sonora! Tentamos captar a essência dessas 21 músicas misturadas aos nossos 200 e poucos textos nesses 2 anos quase completos.

Então se vocês, amigos leitores, não estão satisfeitos com a poluição auditiva do Feriado das Bundas, ótimo, viemos salvá-los com a nossa poluição auditiva! Mais um motivo para você baixar e ouvir nossa compilação de sucessos, com certeza vai ter pelo menos 1 música que você vai gostar (senão você é um chatão sem gosto musical... brincadeirinha).



Alice, sempre a mais calma e delicada, assina o Lado A com uma melancolia sutil em brilhantes músicas do gênero:

01. The Wizard Of Oz - We're Off To See The Wizard
02. Tori Amos - 97' Bonnie and Clyde
03. Bright Eyes - Lover I Don't Have To Love
04. Lisa Germano - Wood Floors
05. Elliott Smith - Waltz #2
06. Iron and Wine - Lion's Mane
07. Elliott Smith - All Cleaned Out
08. Iron and Wine - Faded From The Winter
09. Elliott Smith - Easy Way Out
10. Elliott Smith - Independence Day

Yuri por sua vez trouxe a excentricidade agressiva misturada à revolta e depressão em 11 faixas bem representadas:

01. [Intro] Nação Zumbi - Corpo de Lama [editado]
02. Mogwai - Cody
03. Deftones - Be Quiet And Drive (Acoustic Version)
04. Radiohead - Everything In Its Right Place
05. Björk - Where Is The Line
06. Korn - Kiss
07. Placebo - Running Up That Hill
08. Nine Inch Nails - And All That Could Have Been
09. Beth Gibbons - Funny time of year
10. Marilyn Manson - Count To Six And Die
11. [outro] A Filial - PS




Fizemos essa Trilha Sonora com muito carinho, para que vocês nos conheçam um pouco mais, porque estamos em cada uma dessas músicas, e ouçam algo diferente, quem sabe conhecer uma banda nova e expandir os horizontes auditivos. Então não percam mais tempo lendo essa baboseira e baixe logo:



ou

27 de janeiro de 2008

As fotos

Não há paixão como esta. Não há sentimento como este. Não há sorriso como o dela. Alegria mais linda e genuína que já vi. Genuína a seu modo, claro. Suas fotos agora iluminam olhos perdidos no mundo. Quem sabe os façam brilhar como fizeram com os meus.

Há doze anos me fazendo me apaixonar ainda mais.



22 de janeiro de 2008

Gotas de Vidro

Era água. Aonde meus olhos podiam enxergar. Era água a vitrine. Espelho d'água. E salgava mais ainda o mar. Era daquilo que tanto precisava. E ali me benzia. O céu competia cor e atenção, mas nunca pareceu tão opaco. Só eu naquele mar deserto. Só minha, aquelas águas.

Eu não sabia aonde estava, tampouco isso me importava. Num breve devaneio me vi além de Desespero. A gravidade era um mito das terras, então ali, voava. Então ali, boiava¹. Água que me acolhe em seu colo e me trata com carinho; conta segredos baixinhos e me deixa ver apenas o azul do céu. Por vezes, me cegava com sal, aí Desespero vinha e me socava o peito fazendo eu bater as costas no chão, vendo tudo dançar em ondas acima de mim. As vozes eram mais nítidas, dizendo que não iria conseguir nunca sair dali, por mais que boiasse, por mais que nadasse para longe, por mais que fugisse. Uma outra gritava abafado meu nome, vinha da superfície. Mas aqui está tão bom...

Ele vai embora. Então retomo fôlego e o sol se faz meu mapa dentro daquele mar de leite, daquela escuridão imensa. Alguns peixes me ajudam a retomar o caminho à superfície. Eles sabem do respeito que tenho, por isso o mar sempre foi gentil comigo. Nasço. E como toda vida que nasce e vê o mundo pela primeira vez, choro. As vozes se fazem presente, e não vão embora. Uma nitidamente sussurrando derrotas, outra gritando abafado meu nome, como se fosse um aviso. As gotas de vidro caem nas águas e me misturo. Logo não haverá mais diferença. Rostos conhecidos na areia me acenam. Prefiro ficar aqui, derretendo.




O garoto que virou mar.
































¹. Boiava também não pode ser fazer algo com um boi? O.o"

Maus ares

Há uma época na vida de toda mulher na qual o mundo se torna um complexo ridículo. Agora, estou achando o ar ridículo. Simples assim, o ar. O ar entre a gente, o ar que separa a gente, o que te impede de ouvir minhas palavras e sussurros. São tristes ares.
.
O estalar das teclas estão novamente me irritando. Estou agressiva com o téc téc das malditas que nada teclam direito... intensas dedadas, pauladas de raiva no teclado que parece tão macio, mas evita minhas letras.
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Dias e dias de maus ares deste lado do fuso, aqui já faltam menos dias, mas aí tem um a mais... ainda.
.
E não, tclado maldito!!! Meis alaras nã vão bastardes vez, que ódio! Vê se pode uma coa dessas? Dá pra entende? Sou sbotada e ludibriada pelo telcad madito... sempre disse que a tecnologia não está sepre ao nosso favor... clro q antes ter meias palabrs a serem lidas do que os are d silêncio.
***
A vida está a me ludibriar.

21 de janeiro de 2008

Tesoura

"i wish i understood" - sam brown
***
Me too, me too.
Mas que droga, deve ser a franja nos meus olhos.
Vou pegar uma tesoura. Depois eu volto.

17 de janeiro de 2008

Venus As a Boy / Venus in Furs

Meus olhos fecharam-se e minhas pálpebras já não mais me obedeciam. Caminhava cego pelas ruas, porém despreocupado. Era um caminho de todo dia. Só via o que era necessário. Sendo assim, os olhos tornaram-se obsoletos naquela terra. Não havia mais função alguma para se usar a visão na rotina. Quanto descaso.

Sentia a brisa daquela noite. Um sopro delicado acariciava meu rosto. Esquecia meus tênis e sentia o que devia sentir. Andava cada vez mais rápido e arrancava minhas roupas. Elas nos fazem escravos. Aqueles que ainda tinham olhos, me olhavam. Suas vozes eram abafadas porque nada interessante diziam. Como sempre não dizem. Meus ouvidos não eram necessários para mais que aquela música em meus ouvidos. O chão cada vez mais distante se despedia de mim contente por aliviá-lo.

"Abra os olhos" ecoava como se fosse de dentro de mim. Passeava pelo céu gelado e me enrolava nas nuvens para suprir o frio. Aqui me sentia extremamente bem, nesse vazio. Sentia o vento cortar-me os póros fazendo-me sorrir. Eu queria mais. Queria o calor de uma estrela. E nada me impedia.

Era uma longa viagem. Conforme atravessava camadas de tempo e espaço, eu ficava mais velho. Cada vez mais. E mais fraco. Aquilo me consumia, mas eu só me permitiria morrer no calor do colo de Afrodite, na luz das estrelas. E lá pereci. Quanto mais me aproximava, mais escura elas ficavam. Quanto mais perto chegava, mais frio ficava. Meus pequenos sóis, minhas doces ilusões. Rochas retraídas e mortas como eu. Cansado, comecei a esfarelar e enrijecer. Já não conseguia me mexer. Aquela luz eram os olhos da paixão. Seu calor, era desejo. E pude então entender o porquê de todas aquelas estrelas no céu.

15 de janeiro de 2008

Vida Besta!


As agradáveis conversas na hora do almoço.
[E quanto tempo sem Vida Besta. Isso não deve se repetir]

12 de janeiro de 2008

Desejo & Desespero

Eu não tenho sexo, porque tenho todos que quiser. Moro na periferia dos pensamentos e no centro do coração. Caprichos, sangue, carne, ossos e pele... Disso é feito o homem. Eu sou muito mais. Sou aquilo que faz caminhar cada passo, que impulsiona a vida e torna o ser-humano um escravo oco. Sou a fome depois do almoço.

Não há imagem que me descreva, porque não há perfeição que me alcance. Minha imagem é o mesmo que o amor, e você talanteia exatamente tudo que eu sou. Meu perfume é o colo de sua mãe, minha saliva é o néctar divino. O prazer de cada dor.

Domino quem eu quiser, o que quiser, pois não há criatura viva que eu não esteja presente com minhas duas sombras. Então sorrio, mas brevemente porque meu sorriso são lampejos do primeiro raio de sol da manhã. E com meus olhos tão aguçados quanto vinho eu te domino, e nunca morro antes. Pois morrerás primeiro desejando sempre outro momento. Sempre me querendo.

"Seres humanos são criaturas de Desejo. Eles se torcem e dobram como eu exijo. Se pensasse de outra forma, eu entraria em colapso, como Delírio."

Este é o Desejo. Tudo o que você sempre quis. Quem quer que seja você. O que quer que seja você. Tudo. E como é de saber, Desejo é irmã(o) gêmea(o) de Desespero, que grita através de piadas, e chora por dentro de cada risada.

9 de janeiro de 2008

Viagem a Darjeeling

Meu estômago está tão pequeno. Eu posso sentir suas mãos o envolvendo, comprimindo e apertando. As mesmas mãos que senti na minha cintura, medindo-a, descrentes de que meus órgãos caberiam ali. E você permanece inconsciente de que já está dentro. Do meu estômago, digo, fazendo nascer borboletas com suas mãos. As que negam as minhas ao andar, mas as aceitam ao cair.


Redige, então, a trilha sonora do momento, as delicadas notas que acordam as borboletas. O friozinho curioso causado percorre meu corpo e elas, ao baterem as asas, espalham o cheiro de darjeeling, o doce-amargo que nos serve tão bem. Sinto falta deste cheiro, que elicia lembranças partilhadas entre nós e as constelações.


Quando isso acontece, as palavras fogem de mim. Fico minimizada às analogias e metáforas que não vão nunca se igualar às minhas bolhas de sabão. São frases-esconderijo, pois todos vêem que é mais fácil falar do estômago do que do coração.

8 de janeiro de 2008

Erase You

Minha mãe sempre diz que devemos comer frutas. E tudo estraga. Mas eu como mesmo assim. De um lado eu tenho todas as risadas possíveis. E as escolho com a mesma alegria. Do outro, uma torrente de lágrimas e desabafos. Escolho a dor, mas desta vez é diferente. Não porque eu preciso dela, mas porque ela precisa de mim. Minha vó nunca havia chorado pra mim. Minha mãe nunca tinha aceitado meu abraço.

Quando cheguei, estava tudo maior. O banheiro ecoava o vazio, e nas estantes, só mais espaço para o pó. Para mais silêncio. O guarda-roupa só guarda o cheiro do exílio. Os "meus" filmes fizeram as malas. A garagem não espera mais um carro, e sua cama, está sempre arrumada. Ninguém vai voltar pra casa, toda a comida vai estragar. Opa, peraí. Estragou.

O silêncio é algo frágil. Ela também, e dizia estar em pedaços. As coisas mudaram, ela que nunca havia aceitado meus abraços, não soltava. Eu que nunca havia chorado por ela, lá estava. É horrível quando a culpa não é minha. O telefone tocou a tarde inteira, eu simplesmente não sabia o que dizer. Então não disse nada. Não era minha hora. Não era hora. Ouvi pacientemente os mesmos consolos.

Quando as coisas ruins acontecem sem que eu seja o causador, é pior. Eu não sei direito qual a minha intenção desse texto. Talvez seja nenhuma. Eu só preciso escrever enquanto tudo acontece.

How can I cry over someone I never loved?

1 de janeiro de 2008

Another Version of the Truth [Y34RZ3R0]

Foi um ano de altos e baixos. Isso é vago, porque todo ano querendo ou não é assim. O meu ano foi o contrário do seu, enquanto você perdia eu ganhava, e enquanto você ganhou nesse fim, eu perdi.

Um começo imprevisível combina com o final. Queria lembrar mais do começo do ano, parece ter sido tão distante... Lembro do João Hélio. Isso vai ficar mais um tempo comigo. Foi um ano de acidentes e incidentes. Enquanto um avião matava um monte de gente, eu me matava sozinho num muro, numa árvore, em agulhas e no que estivesse na frente. Não pareceu funcionar pra mim e cá estou, "intacto".

Eu também fico sem ter o que dizer por não lembrar de quase nada. E esquecer é bom [Cabe aqui uma frase muito boa, de algum filósofo, sobre esquecimento. Pena que eu também esqueci. Nessas horas, esquecer não é tão bom]. Foi um ano de engolir seco, de se controlar, de apartar os desamparados e ser um deles nas horas vagas. Foi crescimento. Pessoas que nunca tinha visto chorar, cá estavam me molhando os ombros. Pessoas que nunca haviam me visto chorar...


Conheci muita gente diferente, muita coisa que eu não achei que fosse fazer parte ou ver ou sei lá. Fiz amigos! É cedo pra falar, mas eles foram meu segundo semestre. Também continuo com a minha garota, que foi meu ano inteiro. Perdi muito esse ano, mas acho que ganhei mais. Eu sinto raiva de todo ano que acaba porque ele nunca acaba bem. E sinto raiva porque se eu o aproveitei bastante, não deveria ter acabado. 08, eu quero vingança. =)