Sejam bem-vindos ao outro lado do espelho, onde tudo pode acontecer (e acontece).

Wonderlando é um blog sobre textos diversos, descobrimentos e crescimento. A filosofia gira em torno do acaso, misturando fantasia e realidade de dois amigos que se conheceram também por acaso, Alice - que tem um país só seu -, e Yuri - chapeleiro e maluco nas horas vagas.

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9 de fevereiro de 2010

9 do dois do dez / ou / Estou sem títulos na minha caixinha mágica de títulos.

Essa é pra você que me acompanha diariamente. Noturnamente melhor dizendo.

Acendo um cigarro, pego o violão e vou até a varanda. Um rap dos anos 90 toca ao fundo, deixo por enquanto. Enquanto queimo a nicotina, sonho com os desenhos da fumaça, imagino estar vendo o futuro, mas ele é triste, então corro pro passado. Não foi uma boa ideia também, melhor ficar aqui, pelo menos aqui eu controlo minha depressão. Nada está bom, só você que me acompanha por essas noites. Hoje, em especial. Hoje você está fantástica.

Ninguém na rua, movimento só do vento quente, observo as sombras das rabiolas sibilando gigantescas sobre as casas. Os desenhos das plantas na parede são engraçados. No asfalto, aquele enorme buraco e um pedaço de isopor esquecido pelo lixeiro. Só ele, tão sozinho. Desço correndo à sua captura, de cueca, no meio da rua vazia, o acaricio e o carrego pra casa. Aqui ele tem abrigo, não estamos mais sozinhos.

Allan me diz esta noite que podemos morrer a qualquer hora. Fico pensando nisso, e se eu morresse agora? Ia ser uma bosta. Ao mesmo tempo, alívio. Minha rua amarela não liga pra mim, fico às sombras do mercúrio. A música acabou. Meu cigarro também. Allan nunca esteve aqui esta noite.

Acendo outro cigarro na brasa do primeiro, lembrei dela, que odiava quando eu fazia isso. E eu sempre fiz mesmo assim. Penso na Alice também, em todas nossas conversas recentes. Não tiro conclusão nenhuma, só devaneio entre o pensar. Olho pro céu, as três Marias...

Pego o violão, uma ou outra nota melosa. Não quero me sentir assim, culpo o violão - desgraçado. Mas sinto que estou morrendo. Eu realmente posso sentir, agora que estou mais sensível. “Você é uma pessoa que faz as outras experimentarem o pecado, Yuri”. Ela nunca me chama de Yuri. Diz também que não tem orgulho de mim. Ótimo, um pecado a menos que a alivio.

O hálito de nicotina me faz lembrar outra menina, que me faz lembrar cinema, que me faz lembrar que queria ser um filme, pra quem sabe ser assistido e aí sim, morrer tranquilo. A gente só existe quando nossa morte existe. E só damos valor à vida quando a perdemos.

Tudo está comigo esta noite, menos o sono. Eu estou tão cansado. Queria descansar de todos vocês.













[suspiro] mais um texto ruim sobre nada. mas que merda.



2 comentários:

brunna disse...

vc faz as pessoas experimentarem.


- e assim elas se apaixonam por vc.

Au Revoir disse...

Todos nós somos filme e tem um monte de gente te assistindo, aposto.