Sejam bem-vindos ao outro lado do espelho, onde tudo pode acontecer (e acontece).

Wonderlando é um blog sobre textos diversos, descobrimentos e crescimento. A filosofia gira em torno do acaso, misturando fantasia e realidade de dois amigos que se conheceram também por acaso, Alice - que tem um país só seu -, e Yuri - chapeleiro e maluco nas horas vagas.

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15 de fevereiro de 2010

Amargo Deletério

Decidimos nos encontrar depois de muito tempo. Ninguém nunca se vê depois que se separa, só quando estão seguros com outras novas metades. Por isso ele quis me ver, estava casado, era uma desculpa para ele não cair em tentação e me agarrar. Eu decidi fugir à regra e marquei de vê-lo logo depois de me separar (eu sempre me separo) de um dos meus tantos amores. Eu amo todo mundo, meu amor é banal. Mas ele foi o único que não me amou de volta. Por isso nos separamos. E, engraçado, ele, como todo homem, começou a me amar depois do fim.

Eu imaginei que nosso encontro seria selvagem. Eu ia tentar seduzi-lo com aquela sutileza que só nós mulheres temos, um seduzir sem se dar conta que está seduzindo, mas com todas as segundas, terceiras e quartas intenções de seduzir. Ele era fácil, todos são fáceis. Ou eu que sou boa demais nisso. Mesmo ele casado, isso não iria impedir. Eu tinha um poder soberano sobre ele, pois descobri suas mais íntimas fantasias e gostava de torná-las realidade. Não gosto de fantasias, por isso tento meu máximo para realizar os sonhos. Deste modo, tudo vira o real. E, assim, domino todos os homens. Mas ele... ah, dele eu pedia mais. Por isso deu errado... eu pedi amor.

Cheguei em meus pedestais de desejada e quebrei a cara. Ele me viu como eu era: uma baixinha magrela, com cara de menina e não de mulher. Percebi, pois me olhou diferente. Ainda vi tesão e desejo por me ter de novo, mas não por amor. Acho que por vingança.

Conversamos trivialidades e o tempo passou, sem nada do que queríamos acontecer. Imaginei que na hora da despedida, ele iria me pegar de jeito, como sempre fez, e não nos soltaríamos até as roupas estarem no chão. Ou melhor, sido recolocadas. Abracei-o uma vez e nada. Abracei-o de novo. Na terceira vez, puxou-me para bem perto, então sussurrei “Já faz tempo. É estranho”. Não sei porque disse isso, foi tão sincero, queria ter dito algo avassalador, mas fui muito mais eu-sincera-honesta-saudosa.

Senti como se um veneno circulasse por mim e desisti de tudo, de fazê-lo desejar-me por egoísmo, por orgulho, o que eu estava fazendo afinal, destruindo um casamento?

- Ai, deixa eu ir porque tô ficando sem graça – eu disse, perturbada.
- Tarde demais. Sem graça.

Ele devolveu meu veneno. Fui-me para sempre.

Resposta a Doce Deletério

***

Wonder, 4 anos e contando, esperando, amando, desejando...

Um comentário:

Lucas Zecchin disse...

Ficou muito legal!

É que nem comer queijo com goiaba.