Sejam bem-vindos ao outro lado do espelho, onde tudo pode acontecer (e acontece).

Wonderlando é um blog sobre textos diversos, descobrimentos e crescimento. A filosofia gira em torno do acaso, misturando fantasia e realidade de dois amigos que se conheceram também por acaso, Alice - que tem um país só seu -, e Yuri - chapeleiro e maluco nas horas vagas.

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25 de fevereiro de 2009

Doce Deletério

O pior veneno é aquele que te agrada. Forçamos um encontro que vinhamos evitando desde a nossa separação. Eu estava casado agora, ela havia se separado do atual "amor". Sempre com esse costume, de "amar" todo mundo. E esse foi um dos motivos de termos nos separado.Ela ama todos, eu não amo ninguém.

Sabia que o nosso reencontro traria boas lembranças, apesar de nosso relacionamento ter sido conturbado. Sabia que se ela tentasse alguma coisa, eu não iria evitar. Sempre fui fiel e leal à minha esposa, mas ela era meu ponto fraco, minha baixa-guarda. Sempre foi. Traidora. Sempre reclamou por firmeza. Gostava mesmo é de um esculacho e de um tapa na fuça. O que também nunca lhe faltou da minha parte. Talvez tenha faltado mais força, mais vontade. Talvez tenha faltado amor.

Na minha visão ela sempre foi mais bonita do que realmente é. E dessa vez a vi como é. Nada de mais. Chegou perto com seu perfume barato e eu me fiz ludibriar. Falamos um papo furado. Eu sabia o que ela queria e estava disposto a dar. No fim das contas, eu também queria.Por tesão ou por vingança.

Nos despedimos umas duas vezes, com desculpas para não soltar os braços. Na terceira eu mesmo a puxo para bem perto e a ouço sussurrar: "Já faz tempo. É estranho". É. Eu já tinha tudo programado. Queria devolver seu veneno que me impregnou durante tanto tempo. Um beijo ou dois. O suficiente para minha vitória.

- Ai, deixa eu ir porque ficando sem-graça.
- Tarde demais. Sem graça.

Se foi para sempre.

3 comentários:

Alice disse...

adoro esses seus textos.

o vício de amar todo mundo é um vício resistente. machuca e satisfaz.

Tiso disse...

Me reconheci. O amor platônico é o único tipo de paixão que merece de fato ser chamado de amor. Não muda com a variação da auto-estima, nem a sua nem a da pessoa, não faz ligação com a ciência por trás da atração, com nosso lado imbecil, automático e prático. Lindo texto.

Lucas Zecchin disse...

Muito interessante !