Sejam bem-vindos ao outro lado do espelho, onde tudo pode acontecer (e acontece).

Wonderlando é um blog sobre textos diversos, descobrimentos e crescimento. A filosofia gira em torno do acaso, misturando fantasia e realidade de dois amigos que se conheceram também por acaso, Alice - que tem um país só seu -, e Yuri - chapeleiro e maluco nas horas vagas.

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16 de fevereiro de 2009

Pareidolia

Na sacada, olhávamos a vista. Você me abraçava e eu pensava em como lidar com a situação. Não conseguia estar presente ali, você também não. Eu pensava em como fazer tudo parar para poder aproveitar e você pensava que nunca mais faria isso. Eu tentava ao máximo fugir deste seu pensar.

Alucinações, ilusões, delírios... não importa o que foi aquilo, me tirou dali, me fez pensar no tanto mais que há. Você nem viu. Não queria ver, estava dando adeus e eu nem percebia. Fiquei ausente e você também não viu minha evasão. Estávamos tão egoístas juntos, presos nos nossos próprios nós. Só fui te perceber quando veio sussurrar. Conversamos assim. Nos percebemos assim, era gostoso ser assim. Ser semi palavras.

Recuei, queria te olhar. Você não deixou.

(Alice Frank 04.04.2008)

***

Somos indivíduos cegos e ausentes
Eu só queria fazer tudo parar
Um abraço vago não nos fazia presente
Presos no nosso próprio nós
Nos tornamos perdidos da gente

Eu queria aproveitar o tudo
Você queria apenas o nunca mais
Eu queria fugir do pensar
Eu queria ir ao fundo
Para você apenas tanto faz

Penso no muito que ainda há
Em tudo que me tira do lugar
Me perco e me encontro em ilusões
Nos tornamos meio em meias palavras
Sinapse em nossos corações

Deu adeus, nem percebi
Você também não me viu, nem quis
Sem me dar chances de entender
Sem saber se fui feliz

Só fui te perceber
Quando veio sussurrar
Era gostoso conversar assim
Recuei, queria te olhar
Você não deixou, e me deixou
Restando apenas a pareidolia do fim

***

Nós. Três anos.

W3!

2 comentários:

Alice disse...

por que este texto foi o escolhido?
(eu expliquei o meu no meu post)

Tiso disse...

"Ser semi palavras". Que droga, esse texto me fez lembrar de um monte de coisas, de idiomas internos, de pessoas que ficam cínicas, patéticas, ficam "de verdade". Versões inteiras e completas de pessoas que vemos morrer dentro delas - por fora, a mesma pessoa, como gêmeos malígnos roubando a identidade dos protagonistas, só que na vida real. E é tudo gradual, só se percebe no fim.