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Wonderlando é um blog sobre textos diversos, descobrimentos e crescimento. A filosofia gira em torno do acaso, misturando fantasia e realidade de dois amigos que se conheceram também por acaso, Alice - que tem um país só seu -, e Yuri - chapeleiro e maluco nas horas vagas.

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21 de junho de 2007

Suzanne, a menina sem Superego

"i am the master evil genius" - sam brown

Deus é uma mulher. Só, no início da criação do mundo, era única e reinava a seu bel-prazer. Até que fez Adão e depois Eva. E depois a cobra e a maçã. A mestra dos fantoches manipulava a todos e ria. Ria quando devia chorar pelos rumos perdidos de seus bonecos. Mas não foram as lágrimas que a cegaram para o que se dava, seu grande sorriso entrou neste lugar: um sorriso tão largo e alegre ergueu suas rosadas maçãs do rosto a tal ponto que seus olhos eram obrigados a se fechar. Cega para o mundo e seus produtos.
Então porque fazer Adão? Para depois fazer uma mulher corrompida? Até Deus estava só. Deus, o todo poderoso, precisava de alguém para fazer companhia. Ou apenas para observar. Que voyeurismo divido!
Ela podia tudo e qualquer coisa. Fez o todo e o tanto faz. Para no final, dar no que deu. Alguns agradecem, outros amaldiçoam. Enfim. O que ela fez? Fez outros. Outros para dividir sua obra-prima, dividir a beleza e o amor. Para quê ter felicidade sozinha?
Suzanne é Deus. Não tem Superego. Superego? É, Super-Ego, um Ego maior que o dela, um Ego que manda. Ele é, conceitualmente, a introjeção da instância de autoridade, ou seja, nosso papai e nossa mamãe. São as leis do universo. Mas não há papai e mamãe de Deus. Pois é, não há. Por isso Deus pode tudo, não tem leis às quais se submeter.
Suzanne é Deus. Se achando só no mundo, fez o que fez. Se achando dona do mundo, fez o que fez. Se achando toda-poderosa, fez o que fez. Se achando Deus, matou a lei. E, sem saber a hora para quando chorar, pergunta para um de seus bonecos, sorrindo.
Suzanne alcançou seus desejos perfeitos e mirabolantes de sua cabeça de criança apaixonada. Pois era Deus. Mas eu não o sou, portanto estou a caminho de construir minhas próprias ferramentas, indo atrás de um pequeno querer para, um dia, quem sabe, espero eu, eventualmente, em algum lugar do meu caminho... acho que vale até rezar.
Suzanne buscou outras pessoas para dividir a eterna alegria. Pois era Deus. Mas eu não o sou, mas como sou à sua imagem e semelhança também busco outros. Que vontades são solitárias? Quero família, amigos, carinho, amor, admiração, vaidade, inveja, ou algum outro pecado capital. Quero conhecimento. E qual a graça de ter conhecimento sem ter com quem dividir? Qual a graça de amar só pra gente? Qual a graça de odiar e ninguém saber? “Cause without an enemy our anger gets confused”, disse Elliott.
No final, as regras sociais são sempre maiores que as vontades individuais. 1984. Admirável Mundo Novo. Deus. Falta de coragem pelo medo das conseqüências. Mas tirando este medo, o que somos? Suzanne.

***
Não faço o que eu quero. Não sou Deus, não estou só no mundo e muito menos sei o que realmente quero. Sem falar no medo de querer...

2 comentários:

*tor* disse...

Admirável mundo novo.
As vontades?Impostas e controladas.
DEUS?FORD.
Admirável mundo novo admirado.



MEDO. E quem não tem?

Quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra.
CD: Admirável chip novo.
FAIXA 1 - Teto de vidro

hahahahaahhaha
ruim?
não muito vai.

Alice, in hopes of finding that Damn Rabbit disse...

interessante