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Wonderlando é um blog sobre textos diversos, descobrimentos e crescimento. A filosofia gira em torno do acaso, misturando fantasia e realidade de dois amigos que se conheceram também por acaso, Alice - que tem um país só seu -, e Yuri - chapeleiro e maluco nas horas vagas.

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11 de novembro de 2009

Tons de Cinza

A última luz que vi foi a de seu brilho. Nos despedimos como se não houvesse dia seguinte. Me abraçou e não queria mais soltar, insistiu para que eu a acompanhasse. Eu só disse

"até amanhã".

Quando tudo apagou e os celulares pararam de funcionar, pensei por um breve momento que seria uma invasão alienígena, e aí percebi que realmente acredito nessas coisas. A cegueira momentânea me fazia pensar o valor da luz. Vi pessoas correndo desnorteadas, outros fechavam ruas e roubavam carros. Assaltos, estupros, incêndios. O caos estava formado, eu andava indiferente a tudo aquilo, nada havia mudado.

Quando me deparei com o fogo, naquele momento, só quis voltar
para a escuridão.

O mundo em tons de cinza. Ando por ele e percebo detalhes do que sempre esteve ali e nunca havia enxergado. Ruas, calçadas e paredes dos prédios... Uma coisa só.

Sombra.

O escuro faz a gente querer mais.

O breu silencioso e deserto deveria trazer paz, em outras circunstâncias talvez. Eu conheço todas essas ruas, mas não sabia o caminho de casa. Eu só queria chegar em casa.

Penso nela.

Atravesso a rua em direção a esquina do meu destino e um clarão se forma trazendo à tona meu medo. Me cega de branco e quase não nos vemos, eu por ser sombra, ele por ser luz. Foi por pouco, não queria morrer naquela hora. Não sem me despedir.

Um carro atravessado na frente da minha casa. Alguém conhecido me assusta. Nenhum rosto é conhecido no escuro. E no claro? Uma surpresa desagradável. Oi.

Sem conseguir me achar, sem conseguir dormir. A luz não faz tanta diferença assim. Minha única saída foi uma vela acesa no telhado, meu violão e eu, tocando minhas autorias chatas.

Tentando fugir dos meus sonhos.


Tentando sair da sombra.



Do mundo cinza.





De mim mesmo.





Até amanhã.

2 comentários:

Milla Pupo disse...

"O escuro faz a gente querer mais."

é, ele serve de impulso, de estímulo...seja para correr para luz ou na vontade de retornar para a escuridão quando a obviedade do claro incomoda mostrando o que nem sempre é bom de ver, né?

gostei de ler!

=*

Brunna S. disse...

é estranho perceber que realmente a luz não faz tanta diferença assim...