Sejam bem-vindos ao outro lado do espelho, onde tudo pode acontecer (e acontece).

Wonderlando é um blog sobre textos diversos, descobrimentos e crescimento. A filosofia gira em torno do acaso, misturando fantasia e realidade de dois amigos que se conheceram também por acaso, Alice - que tem um país só seu -, e Yuri - chapeleiro e maluco nas horas vagas.

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24 de março de 2006

Flores amarelas voando entre os túmulos

O que não é interpretado quimicamente pelo nosso cérebro não existe. Todo o resto existe. Aquilo que só é possível na nossa mente é uma reprodução.

***

Hoje, tive 30 minutos estranhos. Levantei mais cedo, decidida a ir no cemitério, coisa que queria fazer a tempos. Por quê? Por curiosidade, para desvendar as histórias místicas que giram em torno desse lugar.
Cheguei. Comecei a andar, olhando os túmulos, grandes e suntuosos, outros pequenos e abandonados. Não queria me perder, andei pelas beiras. Longos correres, vento, mão no bolso, nuvens. Flores amarelas voando entre os túmulos e eu, no chão, sem asas para sumir também. Sozinha entre aqueles que estavam em família nas sepulturas.
Olhei as datas. Todos eram velhos.
Olhei os nomes. Nomes como quaisquer outros.
Olhei as fotos. Fotos antigas, assustadoras.
Olhei por espelhos. Não vi nenhum.
Olhei as estátuas. Negras, grandes, assustadoras.
Li os epitáfios. Religiosos, saudosistas, apaixonados.


"Não é preciso muitas palavras para um grande amor".

E eu, andando, num cemitério, sozinha.

Fui para o fundo e não imaginei que seria como foi. Um mar de sepulturas, estátuas, cruzes, mortos. Muitos e muitos mortos. Quanto espaço para eles que há muito tempo se foram. Não entendo.
Desci. Ao meu lado, na escada, haviam mais túmulos. Ouvi algo estranho e assustador. O barulho era de alguém se virando numa cama, aquele barulho de molas e o rangido da madeira. Paralizei. Continuava ou não? Desci.
Toquei num túmulo. Não senti nada. Subi.
Encontrei 3 coveiros.
- Está perdida, menina?
- Não, não.
- Viu alguma alma penada por aí?
- Não, não vi não.
- O que você está fazendo aqui? Pesquisa?
- Não, nunca tinha entrado num cemitério. Decidi entrar hoje.
- Ah, e achou bonito?
- Não muito, esses túmulos altos e as imagens escuras não me agradam. São assustadoras, mais que protetoras. Prefiro um gramado com uma simples lápide.
- Entendo. Deve ir no Cemitério da Consolação, lá é muito bonito.
- É, já me falaram. Vou sim.
- Mas dá trabalho, manter tudo aqui. Fazer o buraco, manter o túmulo.
- Imagino. Bom serviço!
- Tchau menina.

***

Queria conversar.
Tô cansada, queria me arrumar.
Tô com saudade de quem eu amo.

***

"What is happiness to you?"
"And what is any life if not the pursuit of a dream?"
- Vanilla Sky -




4 comentários:

.H.deLata. disse...

eu continuo em choque
toda vez q venho responder, só de ler o título minha cabeça vira um quarto branco vazio...ñ abandonado, apenas vazio e ancioso.

quando a euforia passar, eu escrevo!

Anônimo disse...

suas idéias são incríveis...

sua idéia é abalar? tocar? vc realmente consegue fazer isso...e td o que vc quiser...

Clau disse...

ish...nem eh anônimo o de cima...

Alice, in hopes of finding that damn rabbit disse...

calma... tô perdida...
e encabulada pelo seu comentário, yu... o que eu escrevo não é nada perto das suas coisas...